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Archive for Novembro, 2002

Sorvete de abóbora

Novembro 24th, 2002 by Luciana Misura

Provei um sorvete de Pumpkin Pie. Parece estranho? Que nada, uma delícia, parecia que estava comendo a torta, só que mais geladinha. Boa pedida para o Thanksgiving que se aproxima.

Ballet Bolshoi

Novembro 24th, 2002 by Luciana Misura

Na sexta a noite fomos assistir ao Ballet Bolshoi, apresentando o clássico dos clássicos: O Lago dos Cisnes. A apresentação foi no Detroit Opera House, com orquestra, como manda a tradição.

Para quem não conhece ballet clássico, O Lago dos Cisnes, assim como O Quebra-Nozes, são dois dos mais conhecidos e apresentados ballets, ambos com música composta por Tchaikovsky e como a maioria dos ballets clássicos, extremamente românticos e fantasiosos. Mesmo que você nunca tenha visto nenhum deles, provavelmente reconheceria os acordes das músicas: estas duas peças contém algumas das mais famosas músicas clássicas de todos os tempos, como a Valsa das Flores, por exemplo. A primeira apresentação de O Lago dos Cisnes foi uma montagem do próprio Bolshoi em 1877, em Moscou.

A estória é uma versão francesa de um conto alemão (que infelizmente não sei qual é), sobre uma princesa, Odette, que foi transformada em cisne por um mago vilão, Rothbart; suas amigas são transformadas em cisnes também. Toda meia-noite, ela e as amigas se transformam em humanas novamente por algumas poucas horas. Em uma dessas noites, ela é descoberta pelo Príncipe Siegfried, que se apaixona e promete resgatá-la. Realiza-se um baile no castelo, o Príncipe Siegfried é apresentado a várias princesas, e precisa escolher uma delas para ser sua noiva. O príncipe não sabe o que fazer, quando então chega ao baile Odile, filha do mago, exatamente igual a Odette, mas como um cisne negro. O príncipe acredita que ela é Odette, e a escolhe como sua noiva. Odette então aparece e vê o que aconteceu, e ele também a reconhece. Vendo o erro que cometeu, quebrando sua promessa a ela, o príncipe se desespera. Ela foge para o lago, e ele vai atrás dela. Lá ela o perdoa, pois ele foi vítima de um feitiço do mago, mas Rothbart cria uma grande tempestade e Odette e Sigfried se afogam. Em algumas (muitas das) versões, há um final feliz: Siegfried luta com Rothbart e resgata Odette e suas amigas depois de quebrar o feitiço.

Eu, que adoro ballet e sempre que tinha apresentação importante no Brasil fazia questão de assistir, adorei, claro. Mas posso dizer que não foi das melhores que vi: os bailarinos principais não estavam em seus melhores dias, e essa montagem não tem o final feliz, que conta com a luta do príncipe com o mago, que é super dramática e muito bonita. Fica faltando um desfecho com mais emoção. A apresentação que assisti em setembro do ano passado, do Ballet Kirov em São Paulo, tinha esse final e foi maravilhosa. De resto, tudo nota 10: cenários, figurinos, iluminação, a música e a orquestra, é um espetáculo lindo mesmo. Se tiver oportunidade, largue o preconceito de que ballet é chato e vá assistir.

Preparando a nova casa

Novembro 24th, 2002 by Luciana Misura

Desde sexta-feira às 18h eu não ligava o computador, incrível. Tudo por causa da mudança, que vai ser essa semana - passamos o final de semana resolvendo a reforma da cozinha, pintando alguns cômodos da casa e plantei 65 tulipas no jardim, que vão ficar lindas na primavera (se os esquilos não desenterrarem os bulbos achando que são nozes). Sobrevivi.


Aliás, se eu conseguir atualizar esse blog depois de terça-feira vai ser na correria, porque terça e quarta vou estar lá na casa nova esperando um monte de entregas de mobília e eletrodomésticos; quinta é Thanksgiving e vamos assistir ao desfile de manhã e a comilança vai ser a tarde; sexta é o “dia de fazer cookies” da família do meu marido e começamos a retirar coisas do apartamento; sábado a gente muda e domingo vamos cortar o nosso pinheiro de natal em uma fazenda de árvores de natal. Ufa! Mas já viram que vou ter muita coisa para contar…

Tudo branquinho

Novembro 22nd, 2002 by Luciana Misura

Nevou de novo esta noite, mais que semana passada. Acordei umas 4 da madrugada e olhei para fora, estava nevando forte e ventando muito, mas ainda não tinha coberto nada. Acordei de novo às 7h e estava tudo branquinho, lindo. Dessa vez me animei mesmo e fui andar pelo condomínio aqui de prédios que a gente mora, fui até o lago que tem aqui atrás e que eu acho super bonitinho, estava uma graça tudo coberto de neve. E nenhum pato ou ganso dessa vez, foram todos embora. Agora meio-dia já derreteu quase tudo, a grama já está verde novamente e só um carro ou outro ainda tem um pouco de neve no pára-brisa.







Confusão de Medidas

Novembro 21st, 2002 by Luciana Misura

Falando em comprar roupas, essa tarefa que parece simples vira uma missão impossível nestas terras. Todos os tamanhos são diferentes, de tudo. Do gorro ao sapato, das camisas as calças, incluindo roupas íntimas, nenhum tamanho é familiar, a não ser quando é pequeno, médio ou grande, mas ainda assim, o grande aqui é um extra-grande no Brasil e o pequeno seria um médio, pelo menos para mim. Da primeira vez que fui à uma loja, a vendedora perguntou o meu tamanho de blusas e calças e eu não tinha idéia. Para tentar ajudar, ela perguntou o meu peso e altura, só que eu não sabia em pounds e foot, só em quilos e metros. Me senti uma criancinha, que não sabe absolutamente nada, e a solução foi experimentar um monte de roupas, me comparando com as vendedoras da loja e perguntando que tamanhos elas usavam. Agora fiz questão de decorar o meu peso e altura no sistema de medidas daqui, mas ainda assim é muito estranho ter que reaprender tudo isso. Acho que a minha sensação era a mesma de uma pessoa analfabeta, porque esse tipo de informação é muito básico, não se espera que um adulto não saiba esses dados. Eu não era capaz de compreender os códigos locais, então de acordo com o sistema de medidas deles, eu era mesmo uma espécie de analfabeta. E isso acontece com a temperatura, que ao invés de medida em Celsius é Farenheit, as distâncias em milhas ao invés de quilômetros, inches ao invés de centímetros, ounces ao invés de litros. Voltei ao primário. Horrível.

Roupas de frio por catálogo

Novembro 21st, 2002 by Luciana Misura

Acabei de fazer a minha primeira compra de roupas por catálogo / online, na Land’s End. Compra por catálogo por aqui é super comum, e nessa época do ano chegam dezenas de catálogos pelo correio, vendendo de tudo, para as compras de Natal. Uma prima aqui do Gabe garantiu que essa loja vende produtos de qualidade e que valeria a pena comprar. Acredito que os americanos tenham um pouco mais de confiança nas lojas online do que os brasileiros por causa desse hábito dos catálogos, afinal, os sites são os catálogos eletrônicos. Eu já comprei livros, cds, dvds, eletrônicos e periféricos para o computador, comida, assinaturas de revistas, tudo pela internet, mas roupas eu nunca tinha arriscado. Comprei umas roupas de inverno, um casacão, gorro, luvas novas, blusas de frio. Estou duvidando que os tamanhos sejam corretos, mas eles garantem a troca e a devolução da mercadoria com reembolso total se você não gostar, então vou ver no que isso vai dar. Depois eu conto aqui se chegou tudo direitinho e se as roupas serviram.

O Inverno já chegou em Toronto

Novembro 20th, 2002 by Luciana Misura

E o meu amigo Rafael, temporariamente sem blog (faz esse blog voltar logo, Rafael!) que mora em Toronto, no Canadá (fica a umas 4-5h de distância daqui) mandou essas fotos para mostrar como está a neve por lá.

Também quero, manda um pouco pra cá!

Harry Potter and the Chamber of Secrets

Novembro 20th, 2002 by Luciana Misura

Acabei de chegar do cinema, vimos Harry Potter and the Chamber of Secrets. Achei melhor que o primeiro filme, com os atores-mirins mais espontâneos (o que melhorou mais foi sem dúvida o Daniel Radcliff, que faz o próprio Harry), mas o ritmo do filme continua muito lento (2h40 de filme)…eu li os quatro livros e me parecem muito mais vivos e ágeis do que os filmes.

Não sei se foi porque li já faz tempo mas achei que eles acertaram mais nas cenas dessa vez, no filme passado lembro que eles cortaram umas partes da estória que para mim eram importantes (como a da Hermione resolvendo um dos enigmas no final do primeiro filme, quando eles estão chegando na pedra).

Mas os cenários são mesmo lindos, fazem jus ao mundo mágico dos livros e pelo menos da minha imaginação; o figurino e os efeitos especiais idem, complementam perfeitamente, não tem nenhum efeito especial gratuito. Este filme é também é mais “assustador”, até pelo próprio tema, já que com a câmara aberta todos os alunos que não são mágicos pure-blood (puro-sangue, nascidos em famílias de mágicos) podem ser mortos. Kenneth Branagh está ótimo como o professor Lockhart, aquele sorriso dele é exatamente a expressão do mentiroso narcisista, que finge ser um poderoso mágico mas na verdade é um enganador. Uma pena que o ator que faz o Dumbledore morreu, ele estava perfeito no papel, vai ser difícil arrumar outro ator. E o piorzinho do filme é o menino que faz o Malfoy, como ele é ruim, caricato, nossa.

De qualquer forma, a criançada vai adorar e os cinemas vão lotar novamente. Aqui já bateu de novo todos os recordes de arrecadação na estréia, faturando US$ 88 milhões. Espero que a J.K. Rowling se anime a lançar o quinto livro, eu e os fãs da sequência já estamos cansados de esperar.

Estava eu aqui tentando lembrar da música do filme e só consigo lembrar de um trecho da Suíte Quebra-Nozes, de Tchaikovsky. Sou só eu ou mais alguém acha a música do filme parecida com essa obra-prima?

Por que a política dos EUA não muda

Novembro 19th, 2002 by Luciana Misura

Quase quatro meses vivendo nestas terras e depois de muita conversa com o pessoal daqui, começo a entender direitinho a política do tio Sam, e como isso funciona visto daqui de dentro. Tudo por aqui é subsidiado ou sofre pressão do governo para ser acessível. Por exemplo a gasolina, que no Brasil paga-se 1,90 por litro, aqui paga-se 1,80 por 3,3 litros. O pão integral que eu comprava no mercado em São Paulo custava 4 reais, aqui o pão equivalente custa 2. Um carro popular no Brasil custa 19 mil, aqui por esse preço você compra um carro com ar-condicionado e aquecimento, air-bag duplo, direção hidráulica, keyless entry e tudo o que seria opcional no carro popular, além de adicionais que não estão disponíveis mesmo no Brasil, como piloto automático e câmbio automático. Para cada aluno matriculado na escola pública, o governo dá para as escolas 6 mil por ano. Para ter o mesmo nível no Brasil, o aluno precisa estudar em uma escola particular, com mensalidades de 500 reais por mês, para ter o mesmo investimento, só que com o dinheiro saindo do bolso do trabalhador, e não dos impostos, como deveria ser.

Para garantir isso tudo, além dos impostos recolhidos, o governo americano explora um monte de países subdesenvolvidos pelo mundo, estabelecendo acordos comerciais que os beneficiem, mas mantendo milhões de pessoas em outros países na miséria. O Brasil é um deles, claro, bem como nossos vizinhos sul-americanos. Mas parem e pensem: o governo americano está errado? Do ponto de vista ético, sim, porque são inescrupulosos, priorizam os seus interesses em detrimento dos demais, não hesitando em usar a força quando necessário. Mas não estão errados em serem rígidos para manter o padrão de vida da população, o famoso american way of life. O problema, é que muitos países como o Brasil, aceitam tais acordos. Os governos destes países não estão protegendo os interesses nacionais, não estão protegendo a população que representam e que deveriam defender. Enquanto houver gente aceitando essas regras impostas pelos EUA, eles vão continuar mandando e desmandando, como fazem. Os países europeus desenvolvidos fazem a mesma coisa, explorando suas ex-colônias na África, em tratados comerciais desiguais, para garantir o bem-estar do seu povo. O livre-comércio existe da fronteira para fora, mas tem regras rígidas e por vezes protecionistas dentro do país, dificultando as importações.

Por isso que o governo por aqui não vai mudar, porque eles estão defendendo os interesses dos americanos e por mais que sejam inescrupulosos, a população vai apoiar, porque eles querem esse padrão de vida garantido. Até usando guerras para aquecer a economia. Por mais que algumas pessoas tenham consciência de que pagando 1 dólar a mais na comida que compram poderia garantir a comida na mesa de milhões de pessoas em outros países, a maioria não entende e não concorda com isso, até porque esse tipo de decisão de pagar mais ou não para muitos não é uma opção. Então, o meu conselho para os brasileiros e outros povos: não adianta protestar contra as políticas americanas, tem que protestar pros governos não aceitarem. Enquanto os governos continuarem aceitando acordos injustos, que só beneficiam os EUA, a política não vai mudar, porque do jeito que está é muito cômodo para eles. Façamos a nossa parte, cobrando dos governantes eleitos defender os interesses nacionais e participando de movimentos pela justiça no comércio mundial. Por aqui, eles estão fazendo a parte deles direitinho, não vai ter quem convença a população que o preço de tudo vai subir para ajudar os países de Terceiro Mundo…

Aniversário do meu stepfather-in-law

Novembro 18th, 2002 by Luciana Misura

Sábado foi aniversário do meu stepfather-in-law (que é o sogro que é padrasto do meu marido). Teve uma festinha por lá e a minha sogra pediu para eu fazer torta holandesa, que é a sobremesa preferida do Gabe e que ela experimentou semana passada e adorou. Me empolguei e fiz pão de queijo também. No final da festa, não sobrou nem um paõzinho ou pedacinho da torta, que foram devidamente apresentados como delícias brasileiras, e todo mundo me pedindo as receitas. Nem preciso dizer que ficaram frustrados quando souberam que o mix para o pão de queijo é importado (e só vende em uma loja brasileira que fica a uma hora de distância daqui ou pela internet), e que a torta precisa do creme de leite brasileiro ou então do substituto mexicano ou árabe, que também não são comumente encontrados na cidade. Mas tudo bem, pelo menos todo mundo gostou e vão sair contando maravilhas por aí sobre os petiscos brasileiros…

4 estações, verão e outono

Novembro 17th, 2002 by Luciana Misura

Desde que cheguei aqui e comecei a tirar fotos, um dos meus objetivos era fotografar os mesmos locais em diferentes estações, para mostrar as mudanças na paisagem. Em 23 de julho, verão, quando cheguei, tirei fotos da casa e da rua da minha sogra e hoje, dia 17 de novembro, outono, voltei a esses lugares e fotografei novamente. O resultado é este que vocês vêem abaixo, os ângulos são um pouco diferentes porque não olhei as fotos antigas antes de ir lá, quando estiver tudo branquinho de neve no inverno e florido na primavera eu prometo que completo a sequência.






Neve chegando aos poucos

Novembro 16th, 2002 by Luciana Misura

Tá nevando mais por aqui, estou aqui escrevendo e de olho na janela, começou com flurries e agora está nevando mesmo, é tão lindo! A neve está começando a se acumular da varandinha aqui do apartamento, os flocos aumentaram de tamanho e vão caindo suavemente, dançando conforme o vento.

Ouvindo rádio de São Paulo, ao vivo

Novembro 16th, 2002 by Luciana Misura

Estou em casa agora ouvindo a Rádio Mix, ao vivo, direto de São Paulo. Eu ouvia essa rádio todos os dias quando voltava do trabalho, no carro, no maior engarrafamento na Bandeirantes. O DJ acabou de falar “três horas em ponto em São Paulo, uma hora direto de música”. E tá tocando Supla, ARGH, que música horrível, haha. Já ouvi um monte de episódios novos do Doutor Pimpolho, do programa Chuchu Beleza, que eu ouvia sempre e que o meu marido se divertia escutando sem entender nada, só pela entonação dos personagens. Eu não o culpo, tem uns eposódios bons mas a maioria não é lá essas coisas, mas é divertido, ainda mais com todas as gírias paulistanas que eles usam.

Nessas horas eu penso como vivíamos sem internet antes. Impressionante. Eu aqui na maior sessão nostalgia, matando as saudades, de um jeito muito mais íntimo do que lendo notícias, estou escutando música com o pessoal na noite de Sampa, viajando com eles na Marginal Pinheiros que essa hora está deserta, o parque Ibirapuera no escuro, talvez com o chafariz já desligado e a Paulista iluminada. Ah sim, eu sou carioca, mas gosto de São Paulo tanto quanto do Rio. Se completam, que nem arroz com feijão. Mix 3h11, Guns N’ Roses, I don’t have hopes and dreams, I don’t have anything, I don’t have happy hours*

*Não estou deprê não, e só a letra da música mesmo.

Primeira neve

Novembro 15th, 2002 by Luciana Misura

O despertador tocou as 8h30, e tendo ficado acordada até as 2h da madrugada, eu não queria levantar da cama. Meu marido levantou, olhou pela janela e falou a palavra mágica: “SNOW“. Eu achei que era brincadeira, mas não pude deixar de conferir, e era verdade, tinha nevado e ainda estavam caindo alguns flurries. Coloquei um monte de casacos por cima da camisola mesmo e fui para a varanda tirar umas fotos. Essa foi a primeira neve desde o final do inverno passado, então derreteu rapidinho, já que não está tão frio assim. Quando saímos eram quase 10h e a maioria dos lugares tinha apenas um resquício da neve…






E pela primeira vez…

Novembro 15th, 2002 by Luciana Misura

NEVOU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!