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Belle Isle

February 2nd, 2003 by Luciana Misura

Fomos à Belle Isle, uma ilha que fica bem no meio do Detroit River, entre EUA e Canadá. A ilha foi comprada pela cidade de Detroit em 1882 e o arquiteto – paisagista responsável pelo Central Park em New York foi chamado para transformá-la em um parque para a cidade. Contando com um Cassino, sede de atletismo e canoagem, instalações para barcos, um Zôo, uma Ice House (que vou explicar o que é adiante) uma Estufa, o mais antigo Aquário dos EUA e até mesmo uma pista de corrida que sediou grande prêmios de Fórmula 1, Belle Isle foi o parque preferido dos moradores de Detroit por muitos anos.

Após os motins raciais que ocorreram em Detroit no final da década de 60, a ilha entrou em decadência. Muitos prédios históricos foram perdidos em anos de abandono. A ice house, que era o prédio onde placas de gelo cortadas do rio eram guardadas para serem vendidas na cidade em uma época ainda sem geladeiras, não existe mais. A administradora de parques Metro Park (responsável por Kensington Park, que já mostrei aqui no blog), briga com a prefeitura pelos direitos da área. Eles querem recuperar a ilha e cobrar entrada (3 dólares por carro, por um dia), como fazem em diversos parques no estado. A prefeitura, apesar de já ter declarado que não tem dinheiro para recuperar a ilha, não quer ceder. De Belle Isle tem-se uma das melhores vistas do skyline de Detroit e de Windsor, no Canadá. Pena que o dia ontem estava completamente cinza, vou ter que voltar em um dia de céu azul.

Fomos ao Cassino, onde hoje funciona um centro para idosos, e onde fizeram uma exposição dos projetos para recuperação da ilha. Não sobrou muita coisa além do vitral no teto para contar a histórias dos tempos do Cassino.

De lá fomos para a Estufa (Conservatory), onde as exóticas plantas tropicais – incluindo espécies brasileiras, são conservadas. Lá dentro estava um calorão, de zero grau para 30 sem escalas é um belo choque térmico, mas eu estava feliz da vida com o calor. Reconheci muitas plantas, várias minha mãe e meu avô tem no jardim e outras tantas a gente vê nas praças e ruas no Brasil.

Goiabeiras, abacateiros, limoeiros, orquídeas, palmeiras, jasmim, hibiscos, samambaias, estava me sentindo em casa, enquanto os americanos que visitavam o lugar olhavam espantados para as plantas, exclamando como são “exóticas” e as árvores “gigantes”. Um senhor que trabalha no local ficou todo feliz que eu reconheci uma árvore de jasmim-manga e estava explicando para o Gabe e pra minha sogra (a árvore estava com poucas folhas, sem flores) que é uma árvore bastante comumm no Brasil e que os havaianos usam as flores para fazerem os famosos colares “lei”.

O Aquário fica ao lado, tem mais de 100 anos e é pequeno. Para quem já visitou aquários modernos como os do Sea World, Lisboa e Chicago, não tem muita graça. O prédio é interessante, os corredores são em forma de túnel e me senti entrando em um submarino. Mas os peixes que eles tem parecem que são tão antigos quanto o aquário, são enormes! Incluindo aí uma enguia elétrica com mais de um metro e o corpo maior que as minhas duas mãos fechadas. O choque da enguia atinge 650 volts, bem mais do que um choquinho de tomada que tem meros 110 volts. Até a tartaruga marinha parece muito velha.

Fomos então para a área onde tem a floresta, para ver os cervos. Nem precisamos procurar muito, eles estavam na rua, comendo sementes e pão que as pessoas jogam (independende das placas de não alimente os animais). Junto aos cervos, muitos esquilos e pássaros, um bando de cardeais estava fazendo a festa com os grãos de milho. Os cervos já estão acostumados com as pessoas, e ficam na beira da rua olhando os carros em um misto de medo e expectativa. Alguns mais corajosos se aproximam das janelas aguardando por comida, enquanto o resto do bando fica as margens da rua. Vi alguns cervos albinos, nem sabia que existia, são tão bonitinhos, se confundem com a neve. Estes cervos são cuidados por um grupo de pesquisadores, e alguns tem números. De vez em quando o rio congela e eles atravessam o gelo para a cidade, e é uma confusão danada para capturá-los e trazê-los de volta.

Apesar do dia cinza, não estava ventando e pela primeira vez em semanas (acho que foi a primeira vez em mais de um mês) a temperatura estava acima de zero: 2 graus. A ilha deve ficar linda na primavera e no verão, toda verdinha, infelizmente como é aberta e está praticamente abandonada, muitas gangs vão para lá nessa época para beber e arrumar confusão. Espero que a Metro Park vença a briga com a prefeitura para recuperar este lugar maravilhoso.

4 Responses to “Belle Isle”

  1. Marga says:

    Lu
    Que lindo esse lugar, legal!

  2. Interessante tudo isso. E que beleza essas flores de cores vivas durante o inverno!

  3. Otto says:

    Muito lindas as fotos! A qualidade também está muito boa! Uma simples curiosidade de techie: que camera vc usa?

  4. Suyaen says:

    Puxa que lindo, eu tambem espero que a prefeitura ganhe a parada, e 3 dolares por carro me parece bem razoavel, voce nao acha?

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