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Archive for July, 2009

Chá de bebê

July 8th, 2009 by Luciana Misura

A Lu escreveu sobre o chá de bebê que fiz pra ela no dia 20 passado lá em Seattle. Foi muito bom rever as amigas, pena que foi tão rápido (fomos numa sexta e voltamos na segunda)! Mas quero voltar lá ainda esse ano.

Sobre Princesas

July 8th, 2009 by Luciana Misura

Pelos comentários do post anterior, dá para ver que não estou sozinha com essa história de princesa. Para quem não mora aqui nos EUA não dá pra entender a dimensão da coisa, mas as menininhas (devidamente influenciadas pela mídia, e muitas pelos pais também) são obcecadas com princesas – as da Disney principalmente. Não acho nada demais uma menina curtir contos de fada e brincar de faz-de-conta que é uma princesa, vestir uma fantasia de Cinderella no Halloween, faz parte da infância e espero que a Julia se divirta com tudo isso. O problema é que a coisa aqui vai muito além: de usar somente roupas rosa cheias de enfeites, saltinho, tiara de pedrinhas na cabeça no dia-a-dia, a atitude princesa é a que mais me incomoda. Rola um alto grau de consumismo, muita vaidade desde cedo, e o pior, o sentimento de entitlement – que em bom português, é achar que tem direito a tudo, fazendo por merecer ou não, por se achar especial de alguma forma. Logicamente não é porque uma garotinha curte as princesas que ela vai virar uma Barbie arrogante e mal educada, mas o que eu puder fazer pra Julia não entrar de cabeça nessa cultura, vou fazer.

Na parte estética, pra vocês verem como o negócio tem uma força enorme: já vi garotas de 17-18 anos, terminando o segundo grau, que na sua festa de formatura usaram tiaras de princesa e se vestiram de acordo. As festas de formatura por aqui são bem no clima também – vestidos longos e vaporosos, que dão mais força para essa fantasia das meninas. Nas cidades maiores é um pouco diferente e mais moderno, mas na grande maioria das cidades, as garotas estão tentando reviver os contos de fadas. Não conheço uma garota dessa idade no Brasil que considerasse ir a uma festa de tiara na cabeça (só se fosse a fantasia!), iam se sentir completamente ridículas e infantis. O culto a jóias entra de carona nessa história também. Termina na expectativa monstruosa em cima do futuro noivo de comprar o anel de diamante mais caro que puder e passa pelas propragandas de dia dos namorados no mesmo nível.

Já no quesito comportamento, o que eu acho triste é a idolatria a essas princesas dos contos de fada tradicionais que são sempre as mocinhas indefesas, esperando o príncipe pelo tempo que for, incapazes de se defender ou se virar sozinhas (os filmes mais recentes vem mudando esse papel, mas a imagem é sempre do príncipe salvando a princesa). Sinceramente não quero a Julia fissurada nesse tipo de modelo. Ela tem sim livros com contos de fada com todas as princesas tradicionais que conhecemos, os filmes idem, mas a gente não dá a menor ênfase no fato das personagens serem princesas, em roupas, castelos e afins, e sim no resto da história. Sei que ela vai ser muito exposta a isso tudo quando for para a escola, então a gente vai fazendo o que puder pra não antecipar essa situação.

Enquanto isso a gente vai lendo um dos livros preferidos dela, que ganhou dos tios, eu nem conhecia e eles acertaram em cheio: The Paper Bag Princess. É a história de uma princesa muito bonita que gosta de um príncipe igualmente lindo, eles estão prometidos um para o outro. Um dragão destrói o palácio da princesa, suas roupas todas e rapta o príncipe. Ela fica furiosa, e resolve resgatar o príncipe por conta própria, vestindo apenas um saco de papel porque das suas roupas lindas só sobraram cinzas. Ela é esperta, engana o dragão, e quando chega para resgatar o príncipe, ele que é fútil acha um absurdo o estado em que ela se encontra (descabelada, mal vestida, suja). E ela responde à altura: dá um belo fora nele por se preocupar somente com aparências e vai embora sozinha. ;-) Essa sim é uma princesa que tem seus valores!

Coisas de menino(a)

July 6th, 2009 by Luciana Misura

Sempre achei (e continuo achando) que brinquedos de menino (ou de menina) não existem, que criança brinca com qualquer coisa (e deveria brincar) se os adultos deixarem suas noções pré-concebidas de lado. Menina pode gostar de bola, carrinhos, materiais de construção de mentirinha e meninos podem brincar numa boa de boneca (e devem, porque um dia serão pais também!). Mas engraçado que se a gente não fizer um esforço para passar por cima desses estereótipos, os nossos filhos acabam com os brinquedos “apropriados” sem nem perceber.

Há pouco mais de uma semana eu estava lendo o blog de uma amiga (que é protegido por senha senão eu colocava o link aqui), ela contava que o filho se machucou e ela teve que chamar o 911 (emergência aqui nos EUA, bombeiros, paramédicos e ou polícia, dependendo do caso). O menino ficou felicíssimo em ver os paramédicos e andar de ambulância. Ele é 3 meses mais velho que a Julia. Quando li sobre a reação dele, fiquei chocada – de pensar que um menino praticamente da mesma idade é fã disso tudo enquanto a Julia não tem um carro de bombeiro, ambulância, polícia ou qualquer coisa que o valha! Ela tem uns poucos carrinhos simples, desses miniaturas, que eu comprei faz tempo, porque senão nem carrinho ela teria.

Já resolvi o problema indo na Toys’R'Us mais próxima de casa e comprando um carro de bombeiro e um de polícia com direito a sirenes e luzes piscando, que ela amou (claro). Já brincamos de salvar os bichinhos de pelúcia com a escada do carrinho e a polícia já foi atrás dos bichos malvados. Mas agora vou redobrar a atenção e passar sempre a comprar deliberadamente uns brinquedos “de menino” também. Já estou de olho no kit de ferramentas, na ambulância e nos caminhões de carregar terra, pedrinhas e etc. Aqui nos EUA é bem mais comum que no Brasil mulheres saberem usar ferramentas e fazer diversas reparos na casa, eu nunca quis criar minha filha como uma “princesa” (que eu sei que ela vai curtir também, mas quero evitar ao máximo a fixação das meninas por princesas que rola aqui) e já vi que tenho que ter muito cuidado pra ter certeza que ela vai ter a chance de aprender de tudo. Pras mães que ainda não tinham parado pra avaliar brinquedos dos filhos como eu, é bom ficar alerta!