Desde que chegamos em Austin estou procurando uma babá para a Julia. Sempre fui a favor de creche e anti-babá, pela questão de segurança - na creche tem muitos olhos tomando conta das crianças, elas não ficam sozinhas com uma pessoa só. Então desde antes da Julia nascer já estava decidido que ela ia para uma creche, já tínhamos uma creche em vista lá perto da nossa casa em Washington, enfim, estava tudo mais ou menos acertado (só não estava com a creche reservada porque já estávamos planejando a mudança). Aí comecei a trabalhar de casa, e a idéia da babá surgiu - já que eu estou aqui mesmo, a Julia não vai ficar sozinha com a babá, e posso dar atenção para ela durante o dia. Achamos que valeria a pena e começamos a procurar uma babá, de preferência brasileira, para falar português com a Julia.
Tem quase um mês que estamos nessa busca e está complicado. Ou aparece gente sem nenhuma qualificação e querendo ganhar mundos e fundos, ou umas mulheres que tem experiência mas pouca responsabilidade. Até agora só falei com duas candidatas que eu gostei, ambas experientes e educadas, uma que não topou o salário (ela queria que eu pagasse o mesmo que ela ganha para cuidar de duas crianças pra cuidar só da Julia, sem condições) e outra que não dirige então eu teria que ir buscá-la. Uma terceira parece legal, não tem experiência, mas só pode trabalhar até setembro, o que pra gente não adianta muito.
As outras são todas sem noção - uma marcou comigo domingo 9 da manhã na minha casa para fazer a entrevista, deu 9h30 e nada. Eu liguei para ela pra perguntar se ela vinha mesmo e ela me responde assim “ah, eu estou atrasada mas estou indo daqui a pouco, por quê, você tem alguma coisa para fazer?” (!!!). Quando eu reclamei que ela tinha que ter me ligado pra avisar que estava atrasada ela ainda me sai com essa “olha, isso tá muito complicado, eu acho melhor não ir mais não”. Concordei na hora, claro. Imagina ter que depender dessa figura quando eu tiver uma reunião de manhã por exemplo. A outra figura me diz que trabalhava para uns médicos, ambos americanos, “muito ignorantes”. Ignorantes por que, perguntei, intrigada - “Eles só queriam que as crianças comessem ervilha, milho, legume, verdura, não deixavam as crianças comerem o que elas queriam, eu tinha que dar comida escondida.” Aham. Fala sério! Next!
Acabou que meus pais resolveram esticar a estadia até o final do visto, pra que eu tenha mais um mês para encontrar uma babá. Se não conseguir, a Julia vai para uma creche mesmo. Ontem conheci uma brasileira muito simpática que tem uma filha de dois anos em uma creche que ela adora, já pedi para ela me passar os detalhes, assim a gente pode ir lá conhecer e se for o caso, já deixar reservada uma vaga para a Julia. Vamos ver, temos até o dia 3 de junho para encerrar essa novela.