Se não chover
Janeiro 23rd, 2007 by Luciana MisuraUm bom programa pro final de semana vai ser visitar o novo parque de esculturas de Seattle.
Um bom programa pro final de semana vai ser visitar o novo parque de esculturas de Seattle.
Para quem gosta das tradicionais panquecas americanas de café-da-manhã, algumas receitas básicas e superfáceis nesse artigo do New York Times.
Essa matéria da CNN sobre o racismo nos EUA é interessante. Perguntados se eles se consideram racistas, 86% dos brancos disseram que não. Mas perguntados se eles aceitam casamentos interraciais, apenas 69% dos brancos disse que sim. Por que será…
O outro lado da moeda: já mencionei muitas vezes que aqui nos EUA tem muitos negros que são tão racistas quanto os brancos, e vários negros concordam com essa afirmação. Ao serem perguntados (negros) se concordam que a maioria dos negros não gosta de brancos, 33% disseram que sim, acham que é verdade.
E como a Maria uma vez comentou que acontece na Suécia com imigrantes, aqui o problema acontece também com brancos e negros: candidatos a emprego com nomes tradicionalmente brancos recebem mais ligações de empregadores do que candidatos com nomes comumente de negros, embora tenham a mesma qualificação profissional.
Sempre me impressiono como no Brasil eu convivia com muito mais negros do que aqui nos EUA. Não tinha a separação entre as raças que tem aqui, que dependendo da cidade onde você mora praticamente não vê negros. Não faço a menor idéia de como eles vão resolver essa situação, porque é tudo uma conseqüência da política segregacionista de décadas atrás. E como colegas de trabalho com filhos já comentaram, quando as crianças são pequenas na escola elas brincam juntas, mas quando se tornam adolescentes a história muda. Uma vizinha da minha sogra que mora perto de Detroit fala que a filha dela está super sozinha na escola porque ela é uma das poucas brancas, e as antigas coleguinhas negras agora não querem mais andar com ela.
As escolas da cidade de Seattle estavam querendo remanejar estudantes de acordo com o grupo étnico, para evitar que algumas escolas tivessem grande concentração de um grupo só, para evitar esse problema. Só que várias famílias já entraram na justiça para dizer que isso é inconstitucional, que eles tem que ter o direito de escolher a escola para onde os filhos vão e o governo não pode determinar isso. Difícil.
Parece que tem cada vez mais leis para assegurar a integração e ao mesmo tempo que os grupos estão mais separados.
Estão filmando neste final de semana em downtown Seattle cenas para o filme Battle in Seattle, que retrata os cinco dias de protesto que acabou em conflito com a polícia em 1999. O protesto anti-globalização levou aproximadamente 50 mil pessoas as ruas da cidade durante uma reunião da World Trade Organization e por conta de um grupo de anarquistas que começou a destruir lojas e várias decisões erradas por parte do governo despreparado para lidar com a situação, a cidade acabou em estado de emergência e 600 pessoas foram presas. Mais sobre o protesto na Wikipedia. O filme tem lançamento previsto para o ano que vem.
Nesta quarta-feira acharam o corpo do jornalista James Kim. Sua esposa e duas filhas tinham sido resgatadas na segunda-feira, 9 dias depois deles terem se perdido nas estradas cobertas de neve do estado de Oregon. O drama desta família foi a notícia mais importante de todos os noticiários durante a semana.
A família Kim tinha vindo da California para Washington antes do feriado de Ação de Graças a passeio, e quando não apareceram no trabalho após o feriado, as pessoas começaram a ficar preocupadas. Eles erraram o caminho para uma cidade na costa de Oregon e pegaram várias estradas menores dentro de uma área remota e acabaram atolados na neve. Sem comida e no frio esperando resgate, eles aguentaram por vários dias, até que James Kim resolveu sair em busca de ajuda. Sem saber para onde ia e com roupas inapropriadas para o frio, ele andou por milhas e milhas até sucumbir vítima de hipotermia. Sua esposa e duas filhas foram resgatadas em boas condições e as equipes de busca tentavam localizar o jornalista, que infelizmente não sobreviveu.
Os especialistas em sobrevivência dizem que o melhor a fazer em uma situação dessas é ficar no carro, que é muito mais fácil de ser localizado. Infelizmente o desespero de um pai tentando fazer o melhor pela sua família foi maior do que a razão.
Meu pai me mandou por email o site da Camila Lima, uma adolescente carioca que foi atingida por uma bala perdida há 8 anos e que luta para voltar a andar. Ela está fazendo vários tratamentos e segundo a matéria que saiu no jornal esta semana tem uma opção de cirurgia em Portugal que pode ser a resolução do problema. Logicamente isso tudo custa muito dinheiro e o Estado, responsável pela situação de guerra em que vive a população do Rio, não está pagando o tratamento. Então você pode contribuir e ajudar a Camila a andar novamente.
Há 5 anos estávamos todos chocados diante das TVs, vendo as notícias que mudavam a cada hora e não conseguindo acreditar no que as imagens mostravam. Eu particularmente não tinha dúvidas que o governo americano reagiria agressivamente, mas não imaginei que essa história fosse durar tanto, e piorar a cada ano que passa. A intolerância aumentou, muito mais gente morreu e continua morrendo no Iraque e Afeganistão, novos ataques terroristas se seguiram, e os governos não sabem como reagir para colocar um fim nisso tudo. Tenho medo do futuro.
Há algumas semanas um policial morreu em Seattle e foi a maior comoção. Ele morreu em um acidente, uma mulher bêbada (que já tinha sido presa várias vezes por sinal) dirigindo em alta velocidade se chocou com o carro da polícia que esse policial dirigia e ele morreu na hora. Foi triste, lógico, ainda mais que ele era jovem e recém-formado da academia de polícia, mas foi uma fatalidade que o carro dessa louca tenha colidido com o carro da polícia, poderia ter sido qualquer carro, qualquer pessoa.
Aí o Seattle Times publicou esse artigo mostrando as 8 mortes de policiais em Seattle nos últimos 30 ANOS. Sim, você não leu errado, em 30 anos somente 8 policiais morreram em serviço. Sendo que desses 8, 5 morreram em situações de confronto com bandidos, os outros todos morreram em acidentes que não tem nada a ver com o fato deles serem policiais.
Coitados dos policiais no Brasil. Não quero nem ver quantos morrem por semana. Será que os jornais brasileiros publicam alguma nota sobre todos os policiais que morrem a cada vez? Ou isso já faz parte da normalidade?
Seattle é a cidade com o maior número de habitantes com nível superior nos EUA. Eu não vou tão longe quanto o artigo que diz que a cidade é a mais inteligente dos EUA, equiparando inteligência e diploma. Dizer que uma área e a mais inteligente só por causa do número de diplomas é muito simplista, já que nem todo mundo que é inteligente teve condições financeiras de ir pra faculdade (ou quis seguir uma carreira que precisasse de diploma). Mas acho que a pesquisa está correta quando diz que o nível educacional e os salários tem tudo a ver - as cidades que estão no top 5 de educação aparecem no top 25 de sucesso econômico.
Jill Carroll está contando os detalhes do tempo que passou em cativeiro no Iraque. Muito interessante. É sempre bom ver o outro lado da história, e ela acabou tendo contato com os “insurgentes” no Iraque de uma forma que nenhum ocidental consegue ter.
Será que algum dia o conflito Israel x Palestina será resolvido? Eu vejo as notícias e acho que não, não tem jeito. Para mim não tem um que está certo ou errado, porque em uma situação dessas já não tem mais certo há muito tempo. Os dois lados estão errados. Só sei que tem que ter um ponto final. Para o bem de ambas as partes e para o bem do resto do mundo. Mas quem vai colocar esse ponto final? A ONU não vai. Tenho medo de quem vai tomar para si a responsabilidade de resolver essa parada (e vocês bem sabem quem normalmente adora fazer isso).
Enquanto isso terroristas se preparam para explodir aviões da Inglaterra para os EUA. Ou pelo menos foi o que disseram. Também já não acredito em nada. Depois dos presos em Guantânamo que nunca foram acusados de nada e mofaram por anos na cadeia, só sei que o governo está interessadíssimo em manter a população com medo e assinando embaixo de todas as medidas descabidas para continuar suas guerras. Se foi verdade, ótimo, parabéns para a polícia britânica. Nunca saberemos.
E um americano muçulmano entrou em um prédio de uma organização judaica aqui em Seattle atirando semana passada. Matou uma mulher, atirou em algumas outras, e uma moça grávida que levou um tiro no braço protegendo a barriga teve o sangue frio de ligar pro 911. Começou a falar no telefone e o cara colocou a arma na cabeça dela. Mas ela não desistiu e conseguiu colocar o homem no telefone com o pessoal do 911. Um tempo depois ele saiu do prédio e se entregou. Saldo: uma pessoa morta, várias feridas, e mais intolerância e ódio adicionados a essa guerra que não tem vencedores.
Canais de TV falando sobre bombas, como evitar bombas em aviões, histórico de ataques, como parar um ataque uma vez que ele começa. O que fazer se explodir uma bomba em um avião. Ninguém falando da situação política que causa as bombas e de possíveis soluções. Não, isso não interessa. O que interessa é armar todo mundo até os dentes e investir milhões em inteligência para descobrir os planos dos bandidos.
Assistir ao noticiário me cansa.
Está confirmada a abertura de uma loja Starbucks em São Paulo, dentro de um ano, mas o local ainda não foi divulgado. A reportagem cita bons motivos para que a Starbucks esteja receosa de entrar no Brasil, e eu que não gosto de nada que não seja café puro e de preferência espresso, concordo com essas razões. Nunca piso em uma Starbucks nos EUA* e prefiro tomar café nas ótimas padarias brasileiras. Só que a reportagem não analisou uma possível razão para que a Starbucks tenha sucesso mesmo assim: status. Em uma sociedade que tem Daslu e afins, aposto que a Starbucks vai se tornar ponto de encontro do pessoal que já conhecia a loja de viagens pro exterior…
*e aqui em Seattle que é onde nasceu a Starbucks, tem loja em tudo quanto é canto, até mesmo aqui dentro das lanchonetes da Microsoft.
Fiquei alguns dias sem atualizar o blog e sem chegar perto do computador porque meus pais e meus sogros chegaram para nos visitar. Hoje olho as notícias e quase caio da cadeira com os ataques criminosos que estão acontecendo em São Paulo. Choque. O despreparo completo do governo para lidar com uma situação dessas é revoltante. A situação mostra bem o ponto que a violência e o crime chegou, e o que consideramos normalidade não é resultado do trabalho da polícia, é nada menos do que a boa vontade dos criminosos em não incomodar a população que não seja parte imediata de suas atividades e que agora resolveram mostrar do que são capazes. Não tenho palavras, estou de queixo caído.
Não vão gostar desse vídeo em que o comediante Stephen Colbert esculhamba o (des)governo Bush no jantar dos Correspondentes em Washington D.C. com o presidente em pessoa sentado na mesma mesa que ele. Os outros 68% não podem deixar de ver. Imperdível.
* O Jogo: Não vou comentar o jogo, só vou copiar aqui as palavras de um dos muitos jornalistas indignados com o que aconteceu:
Officials steal it
The inevitable finally happened. A group of middle-aged executives trying to keep pace with a group of highly trained 20-something athletes destroyed America’s sports holiday.
Pittsburgh’s one-for-the-thumb Super Bowl will be remembered as the game when physically overmatched referees and heads-buried NFL executives flipped non-Steelers fans an XL middle finger.
Jason Whitlock, Kansas City Star
Steeling One: Hawks get robbed: On this night, the only frauds wore stripes. Skip Bayless, ESPN
Officiating was less than super: Here’s what referee Bill Leavy’s crew did, point blank: It robbed Seattle. Michael Smith, ESPN
* O Evento: Detroit fez bonito como cidade organizadora
E que bonitinha a neve caindo depois que o jogo acabou.
* A torcida: Engraçado como todo mundo por aqui usa o SuperBowl como desculpa pra comer e beber (muito). Depois do jogo os jornalistas mostravam o pessoal nos bares comentando o jogo e era um mais bêbado do que o outro. A gente não bebou, mas comeu pra caramba: “culpa” da Lu que comprou um monte de coisinhas pra beliscar, até pizza inteira levamos pra casa depois do jogo, haha.
* Os Shows: Não consigo gostar de Rolling Stones, não adianta. Não vi o pre-game show com Stevie Wonder e Aretha Franklin que todo mundo falou bem.
* Os Comercias: Foram especialmente ruins esse ano. Vi uns dois ou três que tinham idéias boas mas que se perderam na execução (o da Fedex com o homem das cavernas, o da Ford Escape com o sapo Kermit dos Muppets e o do Hummer “filho” de um monstro com um robô no estilo dos seriados japoneses anos 80 são exemplos que começaram bem e se perderam). O da Sierra Mist no aeroporto foi simpático. O da MasterCard com MacGyver foi bem legal
Os únicos da Budweiser que não achei ridículos foram o da “Hola” e do cavalo puxando a carroça de cerveja “sozinho”. O comercial para The Beer Institute tinha gente tomando cerveja no mundo inteiro, incluindo duas moças no Brasil falando “Saúde”. Todos os comerciais podem ser vistos aqui.