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Archive for Setembro, 2002

Four Feathers

Setembro 30th, 2002 by Luciana Misura

Fui ao cinema ontem assistir The Four Feathers. Eu tinha visto o site há algumas semanas e o joguinho é muito legal (uma espécie de xadrez simplificado com visual do filme e opção de jogar contra um oponente online, bem feitinho e dá até para conversar com a pessoa que está jogando contra e tem algumas dicas de táticas) e me animei de ver o filme.


São quase duas horas de duração, e fora a cena da batalha no deserto, o resto do filme eu achei monótono. As cenas no deserto são lindas, a fotografia é boa, o figurino é bem cuidado e eu adorei a música. Mas achei os atores que interpretam os dois personagens masculinos principais muito fraquinhos, não tem como passar por todas as situações terríveis de batalha e vida no deserto que eles passaram com a mesma expressão de quando eles moravam na Inglaterra. O covarde-herói engomadinho que de uma hora para outra vira guerreiro e passa fome, sede, apanha, ainda encontrando forças sobre humanas para completar sua “missão” não me convenceu.

Sobre a história do filme, que mostra a época do imperialismo inglês e de como eles eram arrogantes e odiados, e que tudo é válido para defender a honra, me lembrou bastante a atual situação dos EUA. Adorei a cena em que o soldado inglês mata um local no Sudão e os moradores do local, crianças inclusive, começam a jogar pedras nos soldados. Só que pelo menos na época da Inglaterra eles assumiam que eram os todo-poderosos mesmo e tinham o orgulho de serem o maior império do planeta. Como isso não é politicamente correto no mundo de hoje, os EUA precisam dar as suas desculpas esfarrapadas para atacar quem eles querem.

Pets

Setembro 30th, 2002 by Luciana Misura

Aqui todo mundo tem animais de estimação em casa. Gatos e cachorros dividem a preferência, sendo que muita gente tem os dois. Os pets ficam sempre dentro de casa, e não no quintal, já que o inverno é super frio e ninguém tem coragem de deixar seus bichinhos do lado de fora (nem dá, só se você tiver um Husky e olhe lá).

Mas o que eu achei mais legal foi o fato de são poucas as pessoas que compram seus bichinhos, a maioria quando quer um animalzinho, vai ao pound, que é onde ficam os bichinhos que eles recolhem das ruas ou que as pessoas não querem e deixam lá. Tem vários tipos de gatos e cachorros, muitos filhotinhos ainda, você escolhe um ou mais e leva para casa. Isso é super comum por aqui, um hábito mesmo. Se você comenta que está pensando em ter um pet, as pessoas vão logo comentando onde fica o pound mais próximo. E ainda tem as “feiras”, onde em um lugar e data determinados uma fundação protetora de animais oferece centenas de animais que eles recolheram e todo mundo que quer um bichinho vai até lá. Sábado teve uma feira dessas no zoológico, tinha fila de dobrar o quarteirão para escolher um bichinho. Muito legal.

Big Fish

Setembro 29th, 2002 by Luciana Misura

Ontem tive uma surpresa culinária. Depois de horas no shopping e famintos, resolvemos comer alguma coisa. Fomos a um restaurante chamado Big Fish, que como já deu para perceber pelo nome, é especializado em peixes e frutos do mar. Não sei se já comentei mas aqui (em Michigan) a maioria dos peixes que você encontra é de água doce, já que estamos ao lado dos Grandes Lagos. Tava frio, uns 14 graus, e eu logo me animei para pedir uma sopa de entrada.

Tomei uma New England’s Clam Chowder, que é de peixe e frutos do mar, cremosa, uma delícia, e o Gabe que não gosta muito de sopas, pediu uma Spicy Black Beans, atraído pelo fato da sopa ser apimentada, que ele adora. Olhei a sopa e achei que parecia feijoada. Pedi um pouco para provar, e para a minha surpresa, o gosto era praticamente o mesmo de uma autêntica feijoada brasileira! Não acreditei! Quando que eu ia imaginar que ia encontrar uma feijoada por acaso, em um restaurante de frutos do mar!? Foi uma grande - e ótima - surpresa! Agora, quando eu estiver com saudade de comer uma feijoada, dou um pulinho lá. Ah, sem desmerecer a cozinha do lugar, que tem peixes e frutos do mar super frescos, uma delícia.

Neblina

Setembro 29th, 2002 by Luciana Misura

Na quinta-feira eu não estava conseguindo postar nada, então hoje estou colocando as fotos que tirei na quinta pela manhã, indo para a aula. Uma neblina absurda, tava fazendo 14 graus e eram 9h30 da manhã. E isso é só o começo do outono…o meu marido tava dizendo que quando ele era pequeno, começava a nevar na época do Halloween, que é dia 31 de outubro, mas que há muitos anos eles só tem neve em dezembro ou mesmo em janeiro. Mas mesmo assim essa temperatura de outono daqui é o inverno brasileiro…




Reparem que no dia 20 de setembro eu coloquei fotos que tirei nos mesmos lugares.

Tirando carteira de motorista local

Setembro 29th, 2002 by Luciana Misura

Minha carteira de motorista brasileira está vencida há mais de um ano, por causa da burrocracia dos Detrans, que exigem que eu vá até o Rio, em um dia útil, para renovar. Eu estava morando em São Paulo e obviamente isso fazia a renovação da carteira virar uma missão impossível (ainda mais que no Detran o dia útil termina as 4 da tarde). Aqui em Michigan você só pode dirigir com a carteira de motorista do seu país durante um mês. Depois disso, tem que tirar a carteira local. Então lá vou eu tirar a minha “driver’s license“.

Para começar, dependendo da sua idade ou há quanto tempo a sua carteira está vencida, os procedimentos são diferentes. Para menores de 21 anos eles tem um programa especial chamado GDL (Graduate Driver’s License), onde você tem que passar por 4 módulos de aulas teóricas e práticas, cumprindo inclusive um mínimo de horas dirigindo a noite, para pegar sua carteira que só vai ser considerada pra valer mesmo depois dos 21 anos. Até lá, não pode dirigir desacompanhado entre meia-noite e 5 da manhã, a menos que por motivos de trabalho (que tem que ser comprovado). Se você tem carteira vencida há mais de 4 anos, tem que fazer prova teórica mais trinta dias de treino supervisionado e uma prova prática. O legal do processo é que depois que você faz a prova teórica e passa, tem direito a uma licensa provisória, que dá direito a dirigir com um acompanhante maior de 21 anos que tenha carteira. Ou seja: não precisa pagar auto-escola, você pode dirigir com um amigo, seus pais ou qualquer um que tenha coragem ou saco.

Eu passei na prova teórica mas algumas perguntas foram chute total: o que você faz quando está dirigindo na neve e o seu carro derrapa? O que fazer quando a estrada está congelada? Foi engraçado, eu tive que pensar em neve como chuva para responder, e deu certo, eu acertei 39 das 40 perguntas. Agora tenho a minha licensa temporária e posso brincar de dirigir (não tem nem graça porque aqui não tem trânsito nenhum e os carros todos são automáticos, é mais fácil que dirigir bate-bate no parquinho). Para evitar os 30 dias de treino, tenho que traduzir minha carteira de motorista mesmo estando vencida, senão eles não aceitam. Só não me pergunte como eles aceitam que você dirija o tal um mês com a carteira do país e depois exigem que você traduza para aceitarem como documento válido…

Bem que o Brasil podia adotar esse negócio de licensa temporária, seria muito melhor ter aprendido a dirigir com o meu pai do que com o ridículo do instrutor da auto-escola, que só dava conselhos ruins e se achava o ás do volante. Sem contar que ele ria de mim toda vez que EU pedia para ele colocar o cinto de segurança. E eu ainda tinha que pagar por isso, é uma máfia mesmo…

Cosme e Damião

Setembro 27th, 2002 by Luciana Misura

E enquanto a festa de Halloween vai ganhando as escolinhas brasileiras, uma comemoração tradicional está sumindo: hoje é dia de São Cosme e Damião, os santos gêmeos, protetores das crianças.

Eu me lembro bem quando era criança, eu e meu irmão, mais as crianças da vila onde eu morava, saíamos todos com sacolas para pedir doces nas casas. Voltávamos com a sacola cheia, esvaziávamos em casa e de novo pra rua, ficávamos um bom tempo procurando as casas que davam os melhores doces, que vinham naqueles saquinhos de papel com a imagem dos santos. Tinha doce de abóbora, pirulito de caramelo, maria mole, doce de leite, cocada, um doce que a gente chamava de cocô de rato, em saquinhos coloridos, uns doces que eram metade goiabada e metade de outra coisa que não lembro mais, pipoca doce, pé de moleque, tinha mais coisa, mas não estou lembrando. A gente passava boa parte do dia tentando comer os doces, mas a minha mãe ficava controlando, senão a gente comia tudo de uma vez. Mas normalmente o doce de abóbora sobrava pros adultos comerem…me lembro que na época dos bambolês a gente ganhou bambolê também, junto com os doces. Uma farra.

Era o nosso trick-or-treat brasileiro, com uma história que faz sentido na nossa cultura, e que eu aposto que se você fizer uma pesquisa, as crianças de hoje vão saber melhor o que é o Halloween do que o dia de Cosme e Damião. E com o paladar já acostumado a junk food, eu duvido que fossem gostar desses doces do tempo da vovó.

Blogger doido

Setembro 27th, 2002 by Luciana Misura

Alguém tá tendo um monte de problemas com a atualização no blogger ou sou só eu? Desde ontem que eu não consigo atualizar direito, os posts estão sendo duplicados, triplicados, postados pela metade, etc. Não faço idéia do que está acontecendo…

Você sabe o que é o Halloween?

Setembro 27th, 2002 by Luciana Misura

Antes de falar das coisinhas engraçadinhas que inundaram as lojas por aqui por conta do Halloween que se aproxima, dei uma pesquisada nas origens desta festa tão estranha, já que este vai ser o meu primeiro Halloween de verdade (sim, porque Halloween no Brasil não faz o menor sentido). Traduzi este texto do site The History Channel, para quem lê inglês, melhor dar um pulinho lá.

A origem da festa de Halloween data da época dos antigos festivais Celta de solstício de verão. Este povo que viveu há 2000 anos na área que hoje é a Irlanda, o Reino Unido e o norte da França, celebrava o seu ano novo em 1 de novembro. Este dia marcava o fim do verão e da colheita, e o início do inverno escuro e rigoroso, uma época do ano que foi sempre associada com a morte. Os Celtas acreditavam que na noite anterior ao ano novo, a fronteira entre os mundos dos vivos e dos mortos se tornava tênue. Na noite de 31 de outubro, eles celebravam um ritual chamado Samhain (palavra de origem gálica que significa novembro), onde eles acreditavam que os fantasmas dos mortos retornavam para a terra. Além de causar confusão e prejuízos para a colheita, os Celtas pensavam que a presença dos espíritos tornava mais fácil para os sacerdotes druidas fazerem suas previsões sobre o futuro. Como eram um povo dependente do mundo espiritual, estas profecias eram fonte importante de conforto e direcionamento durante o longo inverno.

Para comemorar o evento, os sacerdotes druidas faziam enormes fogueiras, onde as pessoas se reuniam para queimar oferendas (parte da colheita) e sacrificar animais para suas divindades. Durante a comemoração, os celtas vestiam roupas especiais, que eram tipicamente cabeças de animais e peles, e tentavam ler a sorte uns dos outros. Depois que a comemoração terminava, eles acendiam suas lareiras, que tinham sido apagadas antes da noite começar, com o fogo das fogueiras, para trazer proteção durante o inverno que se iniciava.

Em 43 d.C., os romanos tinham conquistado a maior parte do território celta. Durante os 400 anos que eles dominaram as terras celtas, duas festividades de origens romanas foram combinadas com a tradicional comemoração celta do Samhain. A primeira se chamava Feralia, um dia no final de outubro quando os romanos tradicionalmente comemoravam a passagem dos espíritos do mundo dos vivos para os mortos. A segunda era um dia para homenagear Ponoma, a deusa romana das frutas e árvores. O símbolo de Ponoma é a maçã, e com a incorporação desta festividade pela celebração celta, deu-se início à tradição de pescar as maçãs, onde as frutas são colocadas em uma bacia com água e as pessoas são convidadas a pegar uma maçã usando somente a boca. Esta tradição é mantida até hoje nas festas de Halloween.

Por volta do ano 800, a influência do cristianismo tinha se espalhado pelas terras celtas. No século 17, Papa Bonifácio IV decretou o dia 1 de novembro como o dia de Todos os Santos, um momento para homenagear santos e mártires. Hoje em dia acredita-se que o papa estava tentando substituir a celebração celta por uma comemoração da mesma natureza, só que aprovada pela igreja. A celebração também era chamada All-hallows ou All-hallowmas (do inglês antigo Alholomesse, que significa All-saints, Todos os Santos) e a noite anterior, a noite do Samhain, começou a ser chamada de noite de Todos os Santos (all-hallows-eve) e, mais tarde, Halloween. Por volta do ano 1000, a igreja decretou o dia 2 de novembro como o dia dos espíritos, em honra aos mortos. Era celebrado de forma similar ao Samhain celta, com grandes fogueiras, desfiles e as fantasias de santos, anjos e demônios. Juntas, estas três celebrações, a noite de todos os santos, o dia de todos os santos e o dia dos mortos, eram chamadas de Hallowmas.

A tradição americana do “trick-or-treating” (quando as crianças saem para pedir doces ou aprontam gracinhas com quem não entra na brincadeira), provavelmente data dos primeiros desfiles do dia dos mortos na Inglaterra. Durante as festividades, os pobres pediam comida e as famílias davam bolos chamados “soul cakes” (bolos da alma), como um gratificação por suas promessas de rezarem pelas almas dos familiares mortos. A distribuição desses bolos era encorajada pela igreja como uma forma de substituir a antiga prática de deixar comida e vinho para os espíritos errantes. A prática, que era chamada de “going a-souling” foi sendo dominada pelas crianças, que visitavam as casas da vizinhança e recebiam bebidas, comida e dinheiro.

A tradição das fantasias tem raízes européias e celtas. Séculos atrás, o inverno era uma época incerta e assustadora. As reservas de comida muitas vezes eram escassas e, para muitas pessoas com medo da escuridão, os curtos dias de inverno eram cheios de ansiedade. No Halloween, quando acreditava-se que os fantasmas voltavam para o mundo terreno, as pessoas pensavam que poderiam encontrar fantasmas se saíssem se casa. Para evitar serem reconhecidas pelos fantasmas, as pessoas usavam máscaras quando saíam de casa após o pôr-do-sol, para que os fantasmas as confundissem com seus amigos espíritos. No Halloween, para manter os fantasmas afastados de suas casas, as pessoas colocavam pratos de comida do lado de fora para acalmar os espíritos e evitar que eles resolvessem entrar.

Com a vinda dos imigrantes europeus para os EUA, vieram também seus variados costumes de Halloween. Por causa do rígido controle da religião protestante que caracterizou os primeiros anos da Nova Inglaterra, a comemoração do Halloween nos tempos coloniais era extremamente limitada. Era muito mais comum em Maryland e nas colônias do sul. Com as diferenças de crenças e costumes de diferentes grupos étnicos europeus, misturados ainda com os costumes dos índios americanos, uma nova e específica forma de comemorar o Halloween se iniciava. As primeiras comemorações incluíam eventos para celebrar a colheita, onde os vizinhos partilhavam histórias dos mortos, fazendo previsões uns para os outros, dançando e cantando. Nas festas de Halloween coloniais também se contavam histórias de fantasmas e as pessoas faziam brincadeiras de todos os tipos (pregando peças umas nas outras). A partir da metade do século 19, festividades anuais de outono eram comuns, mas o Halloween ainda não era celebrado em todas as partes do país.

Na segunda metade do século 19, os EUA foram inundados por uma nova onda de imigração. Estes novos imigrantes, especialmente os milhões de irlandeses escapando da fome na Irlanda em 1846, ajudaram a popularizar a comemoração de Halloween nacionalmente. Baseados na tradição irlandesa e inglesa, os americanos começaram a usar fantasias e ir de casa em casa pedindo comida ou dinheiro, prática que se tornou o “trick-or-treat” infantil de hoje. As mulheres jovens acreditavam que, no Halloween, elas poderiam adivinhar o nome ou aparência dos seus futuros maridos fazendo algumas simpatias.

No final dos anos 1800, houve um movimento nos EUA para tornar o Halloween um feriado que fosse mais voltado para a união da comunidade, da vizinhança, ao invés de fantasmas e bruxarias. Na virada do século, as festas para crianças e adultos se tornou a forma mais corriqueira de celebrar a data. Festas com muitas brincadeiras, comidas da estação e roupas alegres. Os pais eram encorajados pelos jornais e pelos líderes comunitários a remover tudo de assustador ou grotesco das festas de Halloween. Por causa desses esforços, o Halloween perdeu grande parte do seu tom superticioso e religioso no início do século 20.

Nos anos 20 e 30, a festa se tornou um centenário feriado focado na comunidade, com desfiles e festas nas cidades como principal diversão. Contrariando os esforços de muitas escolas e comunidades, atos de vandalismo começaram a se tornar uma praga nas celebrações de Halloween em muitos locais. Nos anos 50, líderes comunitários conseguiram minimizar o problema e a festa evoluiu para uma celebração voltada para as crianças. Devido ao grande número de crianças durante o baby boom dos anos 50, as festas passaram dos prédios públicos para as salas de aula ou residências, onde podiam ser mais facilmente acomodadas. Entre 1920 e 1950, as tradições centenárias de trick-or-treating foram trazidas de volda. Trick-or-treating era uma atividade barata para a vizinhança celebrar o Halloween. Teoricamente, as famílias podiam prevenir qualquer brincadeira de mau gosto (tricks) distribuindo doces (treats) para as crianças. Uma nova tradição americana nascia, e ainda continua a crescer. Hoje, os americanos gastam aproximadamente US$ 6 bilhões por ano com o Halloween, fazendo com que seja o segundo maior feriado em vendas para o comércio.

Não é a toa que as lojas estão forradas de abóboras, esqueletos, fantasias e doces, de todos os tamanhos e para todos os bolsos. Os supermercados vendem abóboras enormes, para os tradicionais entalhes e doces, como a torta de abóbora (pumpkin pie) que é tradicional e aparece também no dia de Ação de Graças (Thanksgiving e no Natal).


Estas abóboras simpáticas são baldinhos para as crianças colocarem os doces que vão recebendo.


Já estas aqui são iluminadas por dentro.


Esses monstrinhos todos falam e fazem barulhos “assustadores”.


Até os ursinhos fofinhos entram no clima com chapéu de bruxa.


Sacolinhas para doces com desenhos variados.


Caldeirões para nenhum Harry Potter botar defeito.


Doces em forma de olho, que delícia…urgh


Chocolates Jack-O-Lantern.


Doces em formato de morcego, abóbora, fantasma…


Pirulitos em forma de esqueleto…


Tem máscaras de todos os tipos, principalmente dos famosos do cinema…


…Pânico, Sexta-feira 13 e afins…


…e monstros variados, mais tradicionais.


Vai uma peruca para acompanhar?

Fora os modelitos de terror, muitas fantasias bonitinhas, tipo baile de máscaras, com borboletas, coelhinhas, cleópatras e fantasminhas, pirata, palhaço, coisas mais tradicionais, que a gente de vez em quando ainda vê no Carnaval. Como bem explica o texto sobre a história do Halloween, é uma herança da época menos assustadora da festa. Que se realmente tivesse ido por esse caminho, não faria tanto sucesso.

Vida de dona de casa

Setembro 25th, 2002 by Luciana Misura

Vi um comercial engraçado hoje, juro que não lembro o nome do produto, era alguma coisa de banho. Tem uma mulher estressada, que toma banho e sai se sentindo leve, no estilo comercial de Molico, com roupas brancas e esvoaçantes, tudo flutuando. Ela vai toda feliz beijar o marido e…tum! um brinquedo de criança voa na cara dela e todo o cenário Molico volta ao mundo real. Muito bom. Quando eu assistir de novo presto mais atenção e conto tudo direitinho.

Budweiser e os costumes locais

Setembro 25th, 2002 by Luciana Misura

A Budweiser tem uma propaganda que está passando por aqui que eu achei muito engraçada e que tava dando como exemplo para a minha professora da diferença de costumes entre Brasil e EUA.

Aqui todo mundo passa por você e fala “Hiiiiii, how are you? How are you doing today?” (Oiiii, tudo bem? Como você está?), mesmo que você nunca tenha visto aquela pessoa mais gorda (não na rua, mas no conjunto de prédios que você mora por exemplo, no supermercado e lojas todos os caixas falam). Eu comentei na aula que isso não acontece no Brasil, as pessoas se cumprimentam formalmente, com um “boa tarde” ou afins, mas não muito mais do que isso, a não ser que você realmente esteja puxando papo. As pessoas do seu prédio que você já viu 500 vezes no elevador normalmente falam sobre como o tempo está e coisas do tipo. Mas ninguém que você não conhece ou nunca viu vai chegar pra você dizendo um oooooooooiii entusiasmado, porque isso pra qualquer brasileiro significa: ih, de onde conheço esta pessoa que não tô lembrando…

Voltando a propaganda da Budweiser, um barman está trabalhando, o bar ainda vazio, chega um cara e ele fala o tradicional “Hi, How are you doing today?”. O outro responde “Fine” e senta pra tomar uma cerveja. Chega um outro cara, com chapéu de cowboy, sotaque texano, ele repete a saudação e o caipira começa a falar da vida, contar o que aconteceu no dia e o barman e o outro cara se olham com uma expressão de “que esse caipira maluco tá falando”. Vão chegando os outros amigos, o barman repete a saudação, e quem chega faz a mesma pergunta pra quem já está no bar. E a cada vez, o caipira recomeça a história toda, pensando como estas pessoas desconhecidas estão interessadas na sua vida. Depois de um tempo já estão todos tentando sinalizar para cada um que entra para não fazer novamente a pergunta pro caipira, vendo que ele não vai se tocar que não é para falar nada além de um “fine”.

Vamos dizer que se chega alguém perto de você no Brasil, te cumprimenta e pergunta como está a vida, é capaz de você ficar ali falando com a pessoas por alguns minutos, tentando lembrar de onde conhece. E no mínimo, quando descobrir que nunca viu aquele sujeito antes, vai ficar meio p… porque ficou ali falando por nada. Não acho que chega ao ponto do caipira do filme, mas que todo bom brasileiro fica tentando “descobrir” de onde conhece aquela pessoa, isso fica…

Festa Multilíngue

Setembro 25th, 2002 by Luciana Misura

Deixa eu comentar da festa internacional hoje…


Essa é a nossa sala, um pouco modificada pela arrumação da festa (mais apertada que o normal) e a mesa do portunhol.

Somos 38 estudantes de tudo quanto é canto (como mostrei com a foto do mapa alguns dias atrás) e hoje foi um dia importante porque é quando a professora manda a lista de presença para a coordenação estadual do curso, e baseado no número de pessoas inscritas, eles decidem a verba do programa no próximo ano. A nossa turma tem aulas de segunda a quinta, das 9h30 as 13h, com direito a lanche (a comida também é gratuita), temos biblioteca e computadores à disposição e recebemos um fichário, uma gramática e um livro de pronúncia. Nem um tostão por isso. A turma anterior não tinha os livros gratuitos, temos agora porque esta turma do ano passado era grande e mandaram mais verba para a turma deste ano (normalmente eles esperam que os alunos continuem e que entre mais gente). A turma do ano que vem vai ter provavelmente ainda mais verba. A festa foi para garantir que todos os estudantes comparecessem, porque sempre temos um pouco mais da metade presente, se alternando, e alguns poucos alunos que vão todos os dias mesmo.

Então…cada um levou um prato típico do seu país, doces e salgados. Tivemos uma sessão de bingo (que todos conheciam, é verdadeiramente um jogo internacional - uma praga!) e depois que já estava todo mundo babando, todos apresentaram os seus pratos, comentando o que tinha de típico (ou não) a respeito. Eu levei os meus brigadeiros, que me deram mais trabalho que o previsto, porque o leite condensado daqui é diferente (lógico, como tudo) e não fica com a mesma consistência que o brasileiro, mas como definiu a minha amiga mexicana, isso são coisas que só a gente que conhece bem o prato, sabe dizer. Ela levou tostadas de frango, que tentou fazer menos picante para agradar os diversos paladares da turma, que acabou dividida - eu achei no ponto (se tivesse mais pimenta eu não comia) mas a japonesa provou e começou a chorar.

No final provamos de tudo, eu tive que repetir os maravilhosos pratos que a parte oriental da turma trouxe: macarrão coreano, rolinhos chineses, carne com gengibre chinesa, pasteis coreanos, arroz indiano, bolinhos indianos, salgadinhos de taiwan (que se você conhecer a moça de Taiwan vai saber porque eu não digo que é chinês - tem tantas difereças culturais que isso é coisa para um post sozinho). Rolou até bombom de vodka trazido pela ucraniana e a menina da Estônia trouxe uma receita de doce sueca. A outra brasileira levou um bolo de fubá e no final da festa eu tava traduzindo as receitas brasileiras para uma das polonesas.

Eu gosto muito da aula, mas o menos importante ali pra mim é aprender inglês. A gente aprende tanto de todas as culturas, e invariavelmente todo mundo fala dos seus países e costumes, que é como viajar um pouco para todos esses lugares todos os dias. Eu juro que quando começar a trabalhar vou morrer de saudades dessas aulas…

PS: Tava aqui olhando as fotos de cada mesa, as pessoas acabam sentadas agrupadas por localidade / culturas. Na primeira mesa estavam quase todos os europeus, na segunda, os latinos e mais algumas pessoas que normalmente sentam com a gente - a russa, a tailandesa e a indiana - e as duas ucranianas novas. Na terceira mesa, mais europeus e alguns orientais que não couberam na quarta mesa, que só tinha orientais. Olhando assim pode parecer que tem panelinhas, mas não é verdade, durante as aulas sempre tem alguém diferente na mesa e todo mundo se fala, ainda mais quando é pra falar mal da comida americana e de como é irritante eles não usarem o sistema métrico e escreverem a data ao contrário. :-))

Amanhã vou começar a falar das coisinhas de Halloween e de Natal que já estão inundando as lojas por aqui…depois da festa hoje andamos por algumas lojas e está tudo decorado com abóboras…

Oi pessoal

Setembro 25th, 2002 by Luciana Misura

Nossa, tô olhando aqui nos comentários e quantas surpresas boas :-)) Beijos para os amigos que passaram por aqui e sorry que eu nem tive tempo de avisar do meu casamento e da mudança, foi tudo tão rápido que mal deu tempo de avisar a minha família! Pro pessoal que não me conhece pessoalmente, agradeço os elogios ao conteúdo do blog, a minha idéia é mesmo tentar mostrar um pouco do american way of life que a gente não vê nas telas dos cinemas ou quando vem aqui só a passeio.

Hey Day e os anúncios nos blogs

Setembro 24th, 2002 by Luciana Misura

Eu não me lembro agora onde li, mas saiu em algum lugar uma matéria dizendo que grandes empresas farmacêuticas tinham pago uma grana alta para famosos de Hollywood comentarem sobre seus remédios em clima de bate-papo, como se tivessem familiares que usaram os tais remédios (tudo mentira). Não de remedinhos tipo aspirina e vitamina C, mas de medicamentos caros e restritos, para doenças como câncer e problemas de coração. Aí vi o tema proposto pelo Hey Day #1, que diante de blogs patrocinados e premiações para blogs, perguntou “Caso vire uma tendência, você aceitaria receber dinheiro ou prêmios (de sua lista de desejos do Submarino ou da Amazon, por exemplo) em troca de postar comentários favoráveis ou a divulgação de fansigns de determinada marca ou produto em seu blog?

Eu respondo com um talvez. Colocaria sim, algum comentário a respeito de um produto que eu realmente uso ou gosto, aliás, a maioria das pessoas faz isso gratuitamente, é o famoso boca a boca. Mas não falaria de um produto que nunca usei em um blog porque seria anti-ético. Um blog, diferente de um comercial de TV ou de um anúncio, que as pessoas sabem que são propagandas, se enquadra na categoria acima: é um depoimento muito pessoal, e está inserido em uma conversa (com os leitores), onde são publicadas opiniões, que normalmente pensamos serem verdadeiras. Um anúncio camuflado de opinião? Absolutamente anti-ético, a menos que venha com uma tag de <-- anúncio publicitário -->, o que não é bem a intenção dos anunciantes nestes casos…

E não, o testemunhal tenta parecer verdadeiro mas não é a mesma coisa. Ver um artista na TV falando que o produto X é muito bom e ir na casa dele e realmente ver o produto na prateleira tem efeitos muito diferentes. Meu blog é a minha casa…

Budget Travel sem Brasil

Setembro 24th, 2002 by Luciana Misura

E eu estou assinando uma revista de turismo aqui, chamada Budget Travel (pra quem quer viajar sem gastar muito). Eu já li algumas edições e eles sempre tem reportagens sobre o México, Caribe, mas nunca do Brasil. O máximo sobre o nosso país é na seção que fala de pacotes de viagens baratos, onde eles publicam 1 (um só!) pacote para o Rio, mais precisamente Copacabana.

Eu fico revoltada com essas coisas, até porque o Brasil deveria estar fazendo milhões com turismo e não sei porque o nosso governo não leva isso a sério (com o dólar a 3,5 reais eles deveriam estar anunciando o Brasil em tudo quanto é canto). Cadê o povo que gastou milhões na Costa do Sauípe? Por que eles não tem nenhum mísero anúncio nas revistas e jornais americanos?

Mandei um email para a revista, reclamando dessa falta de atenção dada ao país, e mencionando todos os outros lugares maravilhosos que temos além do Rio, que apesar de ser a minha cidade e lindo de morrer, não anda lá muito amistoso para turistas gringos. Hoje recebi uma resposta dizendo que a minha carta será publicada e que eles adoram o Brasil, e que um dos editores acabou de chegar do Rio e que eles sempre mencionam a cidade. Fico feliz que eles vão publicar a carta, mas já vi que eles não entenderam nada.

Supermercado

Setembro 24th, 2002 by Luciana Misura

Acabei de chegar do supermercado e eu levei a câmera. Tirei fotos de algumas coisas que são diferentes por aqui, até uma mala que trabalha no lugar veio me dizer que eu não podia tirar fotos. Como isso não estava escrito em nenhum lugar, tentei argumentar, falando que eu sou turista e que estava tirando fotos de coisas que não tem no meu país, mas a mala era daquele tipo robô, que fica repetindo a mesma coisa, então não adiantou. Ah, a justificativa era de que o mercado é “propriedade privada”, HAHAHA, como se a Disney World também não fosse. Anyway, não volto mais lá. Primeira e última vez.

Vamos as fotos (eu ainda estou pensando em como colocar todas, porque são muitas e vai ficar inviável de navegar se eu colocar tudo aqui). Multiplique tudo que você está vendo por cem, porque eles tem uma variedade exagerada de qualquer coisa. Obviamente não cabe tudo na foto, então tive que aproximar alguns produtos.


Na prateleira de pães, bagels são comuns.


Sabores da papinha de bebê: “delícias” havaianas e maçã com blueberries.


O leite aqui, só gelado. Nada de caixinhas. Se tirar da geladeira estraga. Ou seja: só comprar se for consumir rapidamente.


Sucos nada naturais. Aqui só tem essas coisas esquisitas e transparentes, que eles chamam de suco. Blargh. Você olha no rótulo e encontra coisas do tipo: 20% juice.



Sopas de todos os tipos (do pó que mistura com água ou uma base líquida para acrescentar outros ingredientes) e sabores.


Papel higiênico em embalagens de 12 e 24 rolos são o normal, as embalagens menores são consideradas caras e pouco práticas (principalmente pro presidente Bush).


À esquerda: misturas para pão (máquina de fazer pão é muito comum por aqui e eles adoram), centro: misturas para rechear carnes e aves e à direita: misturas para empanar. Tem o que você puder imaginar, tudo para não ter trabalho.


À esquerda: óleo em spray, para quando você precisa de pouco óleo ou para borrifar a comida assando, por exemplo, centro: embalagens monstro de óleo, para as clássicas batatas fritas e maioria dos pratos americanos e à direita: embalagens monstro de molhos, picles (que tem um quilo fácil) e frutas em calda. As embalagens gigantes são figurinhas fáceis nos mercados. Você nem vê as pequenas, ninguém compra.

Eles tem uma seção de produtos vegetarianos, que tem desde leite de soja a produtos sem nenhuma gordura animal, como molhos de salada totalmente preparados com ingredientes naturais e sem ovo, leite ou gordura, biscoitos, massas, tudo livre de ingredientes de origem animal.

A seção de frios é impressionante, com a quantidade de bacons (pacotes enormes), hamburguers, patties (tipo um mini-hamburguer para o café da manhã), salsichas, linguiças, cream cheese, queijos em spray. Nos congelados, hash browns (que no Brasil eu conhecia com o nome de batatas rosti e aqui eles comem no café da manhã, junto com ovos e linguiça ou bacon), trilhões de pizzas, waffles, tortas, e tudo que você pensar. Eu adoro uma manteiga que eles tem aqui que não é manteiga, não sei bem o que é, o nome é “I can’t believe it’s not butter!” (não acredito que não é manteiga!), mas o gosto é o mesmo e tem menos colesterol.

Na área de hortifruti eles tem tudo quanto é legume e verdura já limpo e embalado, ou da forma tradicional, em molhos. Eu sou fã das saladas embaladas, não tem nada mais prático. Já cansei de estragar salada em casa nos meus tempos de solteira porque ficava lá na geladeira esperando a minha boa vontade pra lavar tudo.

Eu morro de saudades dos biscoitos brasileiros: aqui eles só tem cookies, o único biscoito é o Oreo, que não chega aos pés do Bono ou Passatempo, que eu amo e não tem nada parecido com os nossos biscoitos simples, Maizena ou Maria. Fui fazer um doce que precisava de biscoito maizena e comprei o biscoito mais normal que eles tinham no mercado, mas mesmo assim não ficou tão bom. E eu tenho pavor dos sandwichs que eles tem de biscoito tipo Club Social com cheddar ou com manteiga de amendoim, ARGH, acho um horror. Nada mais artificial.

E os americanos conseguem estragar qualquer comida saudável que você possa imaginar: eles tem uma gôndola inteirinha só de cereais, deve ter perto de uns 80 tipos. Desses 80 tipos, a maioria tem chocolate, manteiga de amendoim, doces coloridos no meio, toda a sorte de coisas trash que acaba com o benefício de comer cereal. Que nem as saladas aqui, todas vem com queijo fatiado fininho misturado e com aqueles molhos gosmentos a base de queijos e maionese. Aí vem alguém falar na TV que a população está obesa e que eles tem que comer cereais e saladas. O povo come, só que tudo já está acompanhado dos ingredientes junk. Fora os sucos ridículos que eu comentei na foto acima (finalmente encontrei sucos mexicanos por aqui, que são que nem os brasileiros e não preciso mais tomar essas porcarias).

E por fim, a caixa registradora automática, que você passa os seus produtos no leitor e já vai jogando nas sacolas, vê o total na tela e pode inserir notas, moedas, passar cartão de crédito ou débito, assinar na tela mesmo com uma caneta tipo palm e pronto, nota fiscal na mão e até mais.