Passei meses e meses procurando pacotes para a África do Sul e foi dificílimo de encontrar. Sei que a partir do Brasil tem muitos pacotes, mas daqui dos EUA é raridade – os grandes sites de viagens simplesmente ignoram o continente africano. Acabei encontrando em um site de leilão de viagens, o SkyAuction. A operadora do pacote foi a Springbok Atlas Tours, uma empresa sul-africana.
O serviço do SkyAuction foi excelente, tudo muito explicadinho por email e depois recebemos tudo pelo correio – itinerário, telefones de contato em cada lugar do roteiro, dicas do que levar na mala, etc. O serviço da Springbok foi médio – o problema todo foi criado porque o primeiro guia, que foi nos buscar no aeroporto, não nos entregou os vouchers e o itinerário final com horários. Durante a parte Johannesburg – Kruger Park, a empresa Safaris Direct foi a responsável pela viagem e passeios, e não tivemos nenhum problema, pois eles nos informavam todos os horários e detalhes que precisávamos. Quando chegamos em Cape Town, que cada dia tínhamos um passeio e guia diferente, em horários diferentes, é que o negócio se complicou. A pessoa que foi nos buscar, achando que tínhamos os vouchers, não levou uma cópia e não tinha certeza do endereço do nosso hotel. Também não sabíamos que o passeio do dia seguinte era as 9h da manhã, e não à tarde como estava no primeiro itinerário que recebemos na época da reserva. Nada que não fosse resolvido com um telefonema para a Springbok Atlas e a nossa agente, Helen, mandou tudo por fax e resolveu com o hotel a falta do voucher. Mas foi um primeiro dia enrolado.
Os hotéis do pacote foram fraquinhos, com exceção do hotel em Sandton, o Crowne Plaza, que foi legal. O Protea Kruger Gate e o Protea Sea Point ostentam 5 e 4 estrelas não sei como, porque eu daria duas estrelas para o primeiro (o quarto) e três para o segundo (depois que trocaram a gente de quarto, porque eu reclamei), no máximo. As áreas comuns – lobby, restaurante, bar, piscina, são compatíveis com as 5 e 4 estrelas, mas os quartos não.
Esta época do ano é perfeita para fazer esta viagem, setembro e outubro são os meses da primavera, com temperaturas amenas e raramente chove. Os safaris ainda são bons porque continua seco e as árvores e arbustos não estão densos com as folhagens, o que atrapalha para ver os animais no verão. O inverno é a melhor época para safaris justamente porque é bem seco, mas sinceramente eu acho que seria frio demais fazer os safaris em carro aberto no inverno (a temperatura pode chegar a 10 graus, e com o vento, sabe-se lá quanto). O risco de malária é quase nulo no inverno e vai aumentando com as chuvas. Para ir a Cape Town, esta época também é boa, porque as chuvas e dias cinza de inverno já passaram e ainda não está um calorão insuportável, além de ser a época ideal para ver as baleias antes delas voltarem para o pólo sul para o verão.
Quanto a malária: nós tomamos um remédio chamado Malarone, que é uma pílula que deve ser tomada um ou dois dias antes de entrar na área de risco, todos os dias durante a permanência na área e mais 5 dias depois que você sai da área de risco. Não tivemos nenhum efeito colateral com essa pílula.
O que é mais caro e chato nessa viagem é o vôo. Do Brasil é bem mais tranquilo, mas para a gente, daqui de Michigan foram 2 horas até Atlanta, e mais 16 horas e meia até Johannesburgo. De lá até Cape Town são mais 2 horas. Como o câmbio estava 6 Rands para 1 dólar, para jantar em qualquer restaurante era barato, incluindo os vinhos locais. Mas é bom ficar de olho no câmbio se você pretende ir, porque nem faz muito tempo era 12 Rands para 1 dólar.
Para levar na mala, roupas informais – usei tênis a viagem inteira, até mesmo de noite nos restaurantes ninguém ligava. Jeans direto, um casaquinho ou jaqueta jeans por causa do vento e roupas leves, incluindo blusas de manga comprida para os safaris, para evitar as picadas de mosquito e o risco de malária.
Fomos alertados quanto à segurança, mas não é nada que alguém que more no Rio ou São Paulo já não conheça. Tem favelas, tem pedintes, e o melhor a fazer é andar nas vans dos hotéis ou de táxi. E perguntar sempre para o pessoal do hotel quais são as áreas que mesmo durante o dia não são aconselhadas. Coisa que turista não sabe, mas os locais sabem muito bem.
O país lembra o Brasil em muitos aspectos, partes da paisagem, o jeito da cidade, a simpatia das pessoas. Os bichos são diferentes dos nossos, claro, e a experiência de vê-los de perto em um safari é incrível. A comida é boa, comem bastante carne vermelha e carne de caça (crocodilo, antílopes, avestruz, etc), com arroz ou batatas, molhos e saladas, não tive problemas. Frutos do mar são quase tão caros quanto no Brasil. O fuso-horário para a gente foi de 6 horas a mais, para quem está no Brasil acho que são só 3 horas a mais dependendo da época e horário de verão.
É uma viagem fantástica, vale muito a pena!