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Archive for Abril, 2006

Mais fotos

Abril 18th, 2006 by Luciana Misura

Fotos dos dias 5/04, 6/04 (Disney), 7/04, 8/04 e 9/04 adicionadas.

Chegamos!

Abril 18th, 2006 by Luciana Misura

Estamos de volta a nossa casinha, ainda tontos com o fuso horário, vivendo a segunda-feira mais longa de todas - estou me sentindo naquele filme do dia da marmota, que o cara vive o mesmo dia várias vezes, porque saímos do Japão na segunda dia 17 às 3 da tarde e chegamos em Seattle na mesma segunda dia 17 às 11h30. Tudo por causa das 17 horas de diferença (vejam a hora do post, ainda no horário de Tóquio, são 5 da madrugada pra gente do dia 18 de abril) e mais as 10 horas e alguma coisa de vôo e conexão. Passamos a maior confusão do mundo nas últimas 24 horas em Tóquio, depois eu conto a “saga” aqui. Já tenho todos os dias escritos pra publicar todos publicados, só falta o final da saga na segunda-feira antes do embarque pronto, o final da saga está aí; o mais complicado é selecionar as imagens nas mais de 4 mil fotos que tiramos (coloquei fotos nos dias 3/04 e 4/04). Seattle nos recebeu com solzão e céu azul e as minhas primeiras tulipas no jardim :-)

O final da saga

Abril 17th, 2006 by Luciana Misura

Ligamos pro consulado americano em Tóquio às 8h30 da manhã, conforme eles tinham nos instruído. A telefonista insistia em transferir a ligação para a seção de vistos assim que ela ouvia a palavra greencard, sem ouvir o resto da história. Falei pro Gabe ligar dizendo que perdeu o seu passaporte pra cair em alguma pessoa mais inteligente. Ele deixou recado e algum tempo depois uma pessoa ligou e falou pra gente ir até lá que eles queriam ver o meu greencard e passaporte pra resolver se eu precisaria de uma nova carta ou não. Parecia simples, arrumamos as malas e fomos embora, planejando ir pro aeroporto direto do consulado.

Eram 9h30 da manhã, tínhamos que pegar o trem de 12h pro aeroporto pra chegar lá 13h pro check-in (nosso vôo era às 15h15 e o próximo trem só chegaria no aeroporto às 14h, ou seja, super em cima). Explicamos a situação para a mocinha da triagem, uma japonesa que falava inglês super bem e levou as informações direto pro pessoal lá dentro, pediu pra gente sentar que iam chamar meu nome logo e não precisávamos pegar senha. 20 minutos e nada. Às 10h30 meu nome foi chamado e o cara do consulado me diz que não pode fazer nada pra me ajudar porque o meu greencard está vencido e ele precisa da carta da imigração pra ter certeza que ainda é válido (!!!). Ora, se eu tivesse a carta eu não estaria ali em primeiro lugar! Expliquei a situação e ele me disse que a companhia aérea não me deixaria embarcar somente com o greencard expirado e que pra ele saber se eu ainda era imigrante legal ele precisava mandar um papel pro consulado em Seul, Coréia do Sul, porque eles estavam conectados com a Imigração e o consulado no Japão não. Pra isso ele precisaria de 2 dias (!!!!) e a módica taxa de quase 200 dólares. Falei que não, que se fosse assim era mais fácil eu ir e voltar de Takayama e que eles não estavam ajudando. Ele nos dispensou e deu o caso como encerrado.

Voltei até a mocinha da triagem e falei que queria falar com algum superior do carinha que nos atendeu, que o consulado não estava ajudando, etc. Ela voltou lá dentro e nos disse que nos chamariam novamente. Às 11h nos chamaram novamente, pra repetir a mesma história idiota. Falei pro cara que eu só precisava de uma carta do consulado pra embarcar, porque assim que eu chegasse nos EUA a Imigração aqui ia ver no computador que estava tudo OK através do meu número do greencard. Ele disse que não podia fazer isso porque “não tinha como saber se eu tinha mesmo renovado o greencard ou não”. Nem adiantou eu argumentar dizendo que por que eu iria entrar num avião se eu não tivesse renovado, pra ser presa e deportada quando chegasse nos EUA. Sinceramente não sei por que eles falaram pra gente ir até lá, se não podiam fazer nada desde o começo. Finalmente tivemos a idéia (e não sei porque não pensamos nisso antes) de ligar pro hotel em Takayama e pedir pra eles passarem a carta por fax pro consulado.

O cara concordou em dar o número de fax do consulado mas falou que não podíamos ligar de lá pro hotel, que tínhamos que “achar um telefone público” pra isso. Já era meio-dia e estávamos arrancando os cabelos. Gabe achou um telefone de moedas dentro do consulado mesmo (o cara do consulado não mencionou que tinha um ali dentro) e tentava explicar pro pessoal do hotel (que no turno daquela hora não tinha ninguém que falasse inglês) que eles tinham que mandar a carta por fax. Com a ajuda da mocinha da triagem, ela no telefone traduzindo o que a gente falava do inglês pro japonês, conseguimos descrever a carta pro pessoal do hotel e eles mandaram pro consulado. Os babacas receberam a carta e falaram “ah tá, com essa carta você pode embarcar”. Como se eu precisasse deles pra saber disso, que raiva.

A mocinha do consulado falou pra gente correr pra estação e pegar o trem de uma hora pra chegar lá às 14h, e se ofereceu pra ligar pra companhia aérea pra avisar que chegaríamos atrasados pro check-in. Ela pegou o número do aeroporto na internet mas o número estava errado, então saímos de lá correndo sem saber o que ia acontecer. Agradecemos muito a ajuda dela, que foi a única que realmente nos ajudou ali.

Pegamos o trem de uma hora e encontramos com uma japonesa que mora nos EUA e que também estava no consulado com a gente. Ela tinha perdido o greencard no dia anterior e foi no consulado pegar uma carta similar a minha. Ela simplesmente falou que perdeu o greencard, eles olharam o passaporte dela, viram um carimbo que ela tinha entrado nos EUA em agosto do ano passado como residente e deram a carta pra ela!!!!!! E eu que tenho o mesmo carimbo no meu passaporte, eles não queriam ajudar. Se eu soubesse teria falado que tinha perdido o greencard e pronto, não tinha passado metade do estresse.

Chegamos no aeroporto 14h e fomos correndo que nem loucos pro check-in, subindo 5 andares de escadas rolantes com as malas. Ao chegarmos, a atendente que estava checando passaportes pediu pra ver a confirmação de reserva e não tínhamos, porque estava no envelope, mas como era e-ticket era só colocar o nosso nome no terminal self-service pra imprimir o ticket na hora. Ela disse que teria que pegar nossos passaportes por questões de segurança pra checar se a gente tinha reserva mesmo (!!!), isso com as meninas do check-in nos chamando porque o check-in ia fechar. Gabe levou as malas pro balcão e eu fui correndo atrás da mulher com os passaportes. Finalmente ela devolveu nossos passaportes e pegamos os tickets, e a menina nos fala que o vôo estava overbooked e não sabia se teria um assento sobrando pra um de nós, que a gente tinha que ir até o gate 15 imediatamente porque o embarque já tinha começado pra esperar por um assento vago.

Lá fomos nós correndo novamente, chegamos esbaforidos no portão de embarque e demos os nossos tickets pra atendente. Ela vai até o outro balcão calmamente e volta sorrindo com dois passes de embarque: “vocês dois receberam um upgrade para business class”!!!!!! Voamos felizes e contentes na business class de Tóquio para Portland, onde pegamos a conexão para Seattle.

Chegando na imigração aqui nos EUA, eles confirmaram que estava tudo certinho e quiseram saber o que tinha acontecido com a minha carta original. Expliquei a história novamente e ele carimbou meu passaporte “Welcome back home”. Ufa!

Agora ainda estamos resolvendo como vamos fazer pra recuperar a carta original, que ainda está com o hotel em Takayama.

Muita confusão às vésperas do retorno

Abril 16th, 2006 by Luciana Misura

Tomamos café no hotel, um café da manhã americano como manda a tradição: ovos, bacon, lingüiça, batatas, não cheguei nem perto do peixe e arroz da parte japonesa. Engraçado como comida é uma questão de hábito, há alguns anos eu também achava horrível o café da manhã americano, aposto que se eu viesse morar no Japão ia acabar me acostumando com o café da manhã local também.

Aproveitamos a manhã em Takayama para andar mais um pouco pela cidade e visitar a Heritage House, que é uma casa de um comerciante rico que foi preservada e é aberta a visitação. O solzinho tentava aparecer por entre as nuvens, a cidade parecia ainda estar descansando depos da agitação do festival, muitas lojas fechadas, algumas pessoas lavando suas calçadas (sim, desperdiçando água que nem no Brasil, com mangueira ou baldes).

A casa é mesmo muito bacana, tem o teto super alto com janelas por onde entra a luz, e está bem preservada. Tem alguns móveis, que eu estava mesmo curiosa para ver, muitos utensílios em exposição, e eu sempre fico babando nos desenhos lindos das portas. Acho a arquitetura tradicional japonesa um exemplo de como a funcionalidade pode ser elegante e bonita. Estavam servindo chá e biscoitos de arroz no quintal, voltamos ao passado sentados em volta daquelas mesinhas curtindo o momento e tomando chá.

Saímos de lá e fomos andar pelas ruazinhas simpáticas da cidade. Eu que não sou de comprar praticamente nada nas viagens, caí de amores pelas lojinhas de Takayama com seus delicados trabalhos em madeira e porcelana. Mas não arrisco trazer nada que possa quebrar na viagem, então só fiquei olhando as tigelas de chá, tão lindas, e os utensílios de madeira, tão bem-feitos. Comprei uma bolsinha feita com tecido bordado com motivos japoneses, foi o meu deslize. As lojas em si também são lindas, com jardins japoneses entre o salão principal e as salas menores nos fundos. Entramos em várias lojas de antigüidades, objetos e móveis antigos com pinturas delicadas e tudo bem caro.

Voltamos para o hotel só para pegar as malas e embarcar no trem para Nagoya as 13h40, não tem trem direto de Takayama para Tóquio. Tentamos mais uma vez fazer reservas de assento para o trem de Nagoya para Tóquio mas todos os trens da tarde e noite já estavam completamente reservados (tentamos fazer essa reserva 4 vezes por mais de uma semana, com esperança de alguém cancelar como cancelaram a reserva para Takayama, mas nada).

Chegamos a Nagoya às 16h e o próximo trem Hikari para Tóquio só sairia às 16h58, ficamos na fila do carro sem reserva esse tempo todo, éramos os segundos da fila atrás de uma senhora. O trem finalmente chega, um monte de gente que estava no trem começa a sair e a gente esperando todo mundo terminar de sair pra entrar. Nisso um monte de gente que não estava na fila começa a entrar pelos outros carros reservados e passar a nossa frente por dentro do trem. Quando finalmente conseguimos entrar, essas pessoas tinham pego todos os assentos vazios e todo mundo que estava na fila teve que ficar de pé. Até Tóquio são 2h de viagem! Fiquei revoltada, andamos por todos os carros não-reservados e não tinha um lugar vazio.

Resolvi que não ia ficar a viagem toda em pé por causa dos espertinhos e fui olhar o vagão reservado se tinha algum lugar vazio. Dito e feito, só que não podíamos sentar porque não tínhamos reserva. Aí aproveitei um erro que o operador de reservas tinha feito no nosso passe - ele carimbou o passe com a data da reserva e o trem antes de checar no computador se tinha lugar vazio, eles só carimbam depois de reservar o lugar - e mostrei o passe carimbado pro fiscal dizendo que tínhamos perdido os tíquetes de reserva mas que tínhamos o carimbo para comprovar. Como o carimbo não diz os assentos, ele viu os dois assentos vazios no vagão 6 e deixou a gente sentar. Não foi muito honesto da minha parte, mas pelo menos eu não roubei o lugar de ninguém, esses assentos iriam vazios de Nagoya até Tóquio porque as pessoas que não reservaram não apareceram. Mas sim, fico com a consciência pesada do mesmo jeito.

Chegamos no hotel finalmente, e o plano era tomar um banho e ir jantar no Park Hyatt, que tem aquele bar e restarante do filme Lost in Translation. Estávamos nos preparando pra sair quando Gabe foi checar quanto dinheiro ainda tínhamos e se precisávamos trocar mais algum traveler check quando demos por falta do envelope com os traveler checks e outros documentos. Procuramos em tudo, abrimos e desfizemos todas as malas, não encontramos em lugar nenhum. A essa altura eu já estava nervosa porque entre outras coisas, esse envelope continha a carta da imigração extendendo o meu greencard enquanto eles não mandam o novo e que obviamente eu precisava para voltar aos EUA.

Ligamos pro ryokan em Kyoto, Gabe achou que poderia ter esquecido dentro do cofre do quarto. Falamos com uma pessoa de lá e ele disse que sim, tinham encontrado o envelope. Suspiramos aliviados e perguntamos se dava tempo deles mandarem com prioridade máxima pra chegar amanhã e repassamos a ligação pro pessoal do hotel em Tóquio dar o endereço em japonês. Para nossa surpresa, o atendente do hotel em Tóquio nos explicou que não, eles não encontraram envelope nenhum em Kyoto, que a pessoa lá não entendeu nada do que o Gabe falou em inglês e estava só falando yes o tempo todo!

Ligamos pro hotel em Takayama e dessa vez eles realmente tinham encontrado o envelope, mas custaria 500 dólares pra enviar durante a noite e eles não tinham certeza se chegaria antes da gente ir pro aeroporto. Resolvemos telefonar pro consulado americano mas eles falaram pra ligar no dia seguinte de manhã. Nessa confusão toda, já passavam das 22h e estava tarde pra procurar um restaurante, acabamos comendo no hotel mesmo :(













Shirakawa-go, uma vila que parou no tempo

Abril 15th, 2006 by Luciana Misura

Já que vimos as procissões do dia e a noite ontem, resolvemos passar o dia em Shirakawa-go, uma vila de casas históricas que fica a duas horas de ônibus de Takayama.

No caminho da estação, fomos surpreendidos por um grupo com roupas do festival carregando um altar pequeno e parando em frente de cada uma das lojas e chacoalhando o altarzinho animadamente. Tentamos perguntar porque eles estavam fazendo aquilo mas eles não entenderam, foram simpáticos e fizeram o Gabe colocar a camisa do festival e carregar o altarzinho também, haha. Depois descobrimos que somente durante os dois dias do festival esse altar é transportado pela cidade para trazer um bom ano para os moradores, e era isso que eles estavam fazendo. E eles estavam chacoalhando pra “animar” os moradores, como nos explicou a menina do centro de informações da estação.

A viagem de ônibus tem paisagens bem bonitas, as montanhas ainda estavam com bastante neve, a estrada vai margeando um rio e uma represa, inúmeras cachoeiras deságuam nessa represa.

As casas de Shirakawa-go se chamam gasso-zukuri, são feitas de madeira e tem telhados enormes feitos de um tipo de folha larga e bem comprida. Essas casas foram utilizadas para a produção de seda, as famílias viviam no andar térreo e os dois ou três pisos do sótão eram usados para criação do bicho da seda e produção de fios. As casas são patrimônio histórico e cultural mundial, apenas 50 delas ainda estão de pé. Para trocar um telhado destes, 200 pessoas trabalham por dois dias, prendendo as folhas na estrutura de madeira com cordas.

Andamos pela cidade, vendo a neve ainda derretendo nos jardins, os vários laguinhos com carpas enormes espalhados por entre as casas, os detalhes de cada uma. Fizemos o tour na casa Nagase, muito bem preservada. Lindos os desenhos variados nas portas, as maçanetas sutilmente decoradas, entalhes de madeira unindo a parede ao teto. Sentamos ao redor do fogo para tomar chá e esquentar um pouquinho antes de subir as escadas super íngremes para o sótão.

Dezenas de objetos e ferramentas estavam expostos no sótão, desde teares para produzir seda a esquis e sapatos de neve feitos de madeira. O piso do sótão tem espaços entre as ripas de madeira, acho que é para circulação de ar. A escada para o quarto andar estava fechada, acho que por questão de segurança, já que é uma escada dessas que você sobe usando as mãos e pés.

A vila é pequena, bonitinha, mas essa época do ano é ingrata: não tem a beleza dos montes de neve branquinha nem ainda o verde e as flores; somente os jardins secos ainda pelo frio e a lama da neve derretendo por todo lado. E claro, a chuva veio nos visitar novamente.

Paramos para almoçar em restaurante perto do centro de informações da vila, não faço a mínima idéia do nome (aliás, a gente esta colecionando todos os papéis que embalam os pauzinhos - hashis - nos restaurantes, pra depois mostrar pros amigos japoneses nos EUA e eles traduzirem pra gente). Pedi um udon com tempura de camarão que estava delicioso e bem quentinho nesse dia chuvoso e Gabe foi de arroz com porco e curry japonês, que não é picante como o curry indiano. Eles colocaram a gente em uma mesa de turista, com cadeiras, e quando percebemos que eles tinham as mesas tradicionais com tatame, pedimos pra trocar, pra espanto da garçonete que achou que os turistas gringos não iam querer uma mesa com tatame.

Fomos até o museu ao ar livre, que tem várias casas abertas a visitação com fotografias das famílias que viveram nelas. As casas foram transportadas de outras cidades onde seriam destruídas com a criação da represa para essa área e transformadas e museu. Estão muito bem preservadas, principalmente por dentro, pena que não tem os móveis e objetos expostos.

Saímos de lá com a musiquinha nos expulsando novamente, já na hora de pegar o ônibus de volta para Takayama. Shirakawa-go é mais fria ainda que Takayama, vimos a temperatura caindo à medida que o ônibus ia subindo as montanhas, saímos de Takayama de manhã com 12 graus e estava 7 graus em Shirakawa-go; na viagem de volta os termômetros na estrada marcavam 2-3 graus, brrrr.

Quando chegamos a cidade estava deserta, acho que a maioria dos turistas que veio pro festival foi embora durante o dia mesmo. Vários restaurantes estavam fechados ou fechando as 8 da noite. Felizmente o restaurante indicado pela mocinha da recepção do hotel estava aberto: Kirakuri, uma izakaya que estava bem cheia e animada. O menu era mínimo: pratos vegetarianos ou bife Hida, e um prato de peixe que não sabemos muito bem o que vinha junto. Pedimos bife Hida, e estava excelente, pedimos um a mais no final pra dividir.

Um senhor simpático que trabalha no restaurante nos trouxe sua especialidade: omelete e uma omelete doce, eu gostei e ainda comi a do Gabe que não gostou. Ele perguntou onde morávamos e quando falamos perto de Seattle ele arregalou os olhos e começou a falar do time de baseball, onde uma estrela do baseball japonês joga - como todos os japoneses que encontramos aqui, todos eles imediatamente falavam “Mariners” e “Ichiro” toda vez que a gente falava “Seattle”, haha.
















Takayama Matsuri, festival de primavera (mas que frio!)

Abril 14th, 2006 by Luciana Misura

De Kyoto para Takayama, uma cidadezinha no alto das montanhas, pegamos o único trem direto as 8h30 da manhã, que não é shinkansen mas pelo menos não faz muitas paradas (não tem trem bala até Takayama). A paisagem é bonita, o trem vai subindo as montanhas ladeando um rio de água cristalina por boa barte do tempo. Várias cidadezinhas pequenas com algumas poucas casas e plantações aparecem aqui e ali, muitas pontes e túneis, um pouquinho de neve no topo de uma ou outra montanha mais alta.

Chegamos a Takayama meio-dia, deixamos as malas no hotel e fomos procurar os estandartes decorados do festival que acontece hoje e amanhã. Duas vezes por ano, na primavera e no outono, Takayama tem um festival tradicionalíssimo, chamado Matsuri. Na primavera é para pedir uma bom ano para as plantações, no outono é para agradecer a colheita. Somente nesses 4 dias por ano os estandartes são expostos nas ruas, são 11 no total, e todos eles são patrimônio cultural do Japão. Takayama é uma cidade que exportava carpinteiros para o resto do país, e cada um desses estandartes tem lindos trabalhos em madeira.

A cidade é uma gracinha, pequenina e com diversas ruas preservadas com lojas de artesanato e restaurantes com fachadas de madeira. Um rio de águas trasparentes divide a cidade e fornece água para os produtores de saquê locais.

Pouquíssimas pessoas falam inglês e poucas são as lojas e restaurantes que tem o nome em alfabeto romano, para comer a gente escolhia pelas fotos do menu ou pedia alguma coisa que já sabia o nome. Almoçamos em um restaurante lindinho, que é ao mesmo tempo uma loja de antigüidades. Uma turista que já tinha morado no Japão por alguns anos e sabia japonês razoavelmente nos ajudou a decifrar o menu. Gabe pediu bife Hida e eu pedi soba, estava tudo muito bom (e barato, para nossa surpresa).

Passeamos pelas ruas preservadas e fomos conferir os estandartes, que estavam expostos na praça principal e em uma das ruas próximas. São mesmo obras de arte, cada um tem uma história, mas estava tudo em japonês. Aliás, tem um panfleto que o escritório de turismo prepara para o festival que pegamos no centro de informação quando chegamos, mas o panfleto em inglês tem um terço da informação do panfleto em japonês - e como descobrimos depois, o panfleto em inglês não tem os horários de quase nada enquanto o panfleto em japonês tem horários e rotas da procissão e outros eventos. Admiramos cada um dos estandartes e quando estávamos no final da rua fomos surpreendidos pela procissão que estava começando logo ali na nossa frente. Centenas de moradores da cidade em suas roupas tradicionais da festa levavam um altar decorado, seguidos por grupos tocando instrumentos diversos e com uma coreografia própria para cada instrumento. Quando a procissão passou, voltamos para a praça principal para assistir a apresentação das marionetes - alguns dos estandartes tem marionetes no topo, e um deles contava uma história. Não conseguimos acompanhar, claro, observamos os movimentos do boneco por um tempo e resolvemos continuar explorando a cidade.

Voltamos para o hotel morrendo de frio, a temperatura por aqui é bem diferente de Tóquio e Kyoto, estava por volta de 5 graus e caindo. Comprei uma luva baratinha no caminho, colocamos roupas mais quentinhas para assistir ao desfile dos estandardes iluminados por lanternas que começava as 18h30. Nos posicionamos na calçada de uma das ruas por onde a procissão ia passar e aguardamos - em meia hora o lugar estava lotado e turistas menos educados simplesmente ficavam em pé na rua em frente das pessoas que chegaram cedo para pegar um bom lugar. Revoltante. Os organizadores da procissão não fizeram nada e ficou por isso mesmo, acabou que ficava um por cima do outro pra tirar foto enquanto os estandartes passavam.

Cada um era iluminado por lanternas com inscrições diferentes, que novamente não sei o que eram porque só tinha explicação em japonês. Crianças no topo acenavam para a multidão ou tocavam flautas e alguns dos estandartes tem uma música própria. Todos são puxados por um grupo de homens em suas roupas de festival, e vão parando em certos pontos do caminho para descansar. Assim que os onze passaram corremos para achar um restaurante, porque os meus pés estavam congelando. A procissão continuou até o local onde cada carro é guardado pelo resto do ano, esses locais são espalhados pela cidade.

Jantamos em um restaurante pequenininho e simpático, que tinha um menu cheio de fotos, para a nossa felicidade. As opções eram praticamente as mesmas do restaurante do almoço, então optamos pelo tonkatsu com molhos diferentes, o do Gabe com molho de vinagre e o meu com molho com radicchio. Pedi o saquê local e a garçonete achou que era pro Gabe, e colocou o copo de saquê cheio de gelo e com um limão no topo na frente dele. Parecia um copo de água, e ele bebeu com gosto - levou o maior susto, haha. Nunca tinha visto servirem saquê assim, por isso nem pensamos que seria qualquer coisa diferente de água, foi engraçado.























Tem mais fotos originais no Flickr.

O castelo samurai de Himeji

Abril 13th, 2006 by Luciana Misura

Pegamos o trem bala para Himeji, uma cidade costeira a oeste de Kyoto, famosa pelo seu castelo de mesmo nome, um dos últimos (e o maior) dos 12 castelos feudais ainda existentes no Japão e o perfeito exemplo de castelo samurai. A viagem de shinkansen leva apenas 45 minutos, e da estação já se vê o castelo por entre os prédios.

A cidade é moderna, com ruas mais largas e prédios mais altos do que Nara por exemplo. Fomos andando até o castelo, lindo, que domina a paisagem.

Esse castelo é basicamente um forte, o interior da torre principal tem objetivo puramente militar, com suas plataformas para armas e salas secretas para os guerreiros. São 6 andares e o porão, a gente entra pelo porão e vai subindo as escadas super íngremes. Sapatos são deixados na entrada, como em todos os templos que visitamos. Todos os andares por dentro são de madeira e tem diversos racks para armas e buracos na parede para os atiradores. Os andares vão diminuindo de tamanho até o topo, que tem um pequeno altar e uma vista completa da cidade até o mar e as montanhas ao redor.

Na parte oeste da muralha externa estão as torres onde vivia a princesa e as demais mulheres que trabalhavam para ela. Essa era a única parte decorada do castelo, mas não sobrou nenhuma decoração nas paredes (de papel pintado em painéis laqueados) ou móveis, infelizmente.

Os jardins do castelo são lindíssimos, centenas de cerejeiras em flor por todos os lados, e agora que as pétalas estão começando a cair, o chão estava coberto de flores em certos pontos. Outro detalhe interessante do castelo são os brasões no telhado, a maioria das telhas tem o brasão de flor ou borboleta das famílias que inicialmente construíram o castelo, mas cada vez que uma nova família consertava uma parte, usava seu brasão nas novas telhas. Contei mais de 10 tipos de brasões diferentes enquanto andávamos pelo castelo.

Quando andamos por todos os jardins, fizemos a volta por fora das muralhas, mas começou a chover e resolvemos encerrar o dia e voltar para Kyoto. Jantamos em um restaurante que tem o tonkatsu, que foi o prato preferido do Gabe até agora, ele pediu o porco e eu pedi camarão. Estava gostoso, mas não tão bom quanto o restaurante de Tóquio.












Nara e seus 1300 anos de história

Abril 12th, 2006 by Luciana Misura

Passamos o dia na ex-capital japonesa dos tempos da rota da seda, Nara. A cidade fará 1300 anos em 2010, a maioria dos templos ali é bem mais antiga do que o descobrimento do Brasil. Algumas das mais antigas construções de madeira do mundo estão aqui.

A cidade é moderna mas mantém um ar de cidade pequena, as ruas são estreitas, algumas lojas com fachadas tradicionais de madeira exibem o artesanato local. A maioria dos templos e museus estão no parque Nara, que tem centenas de cervos andando livremente pelo local e comendo na mão dos turistas.

Fomos andando da estação até o templo Kofukuji, fundado em 669. Alguns dos prédios são originais mas infelizmente não conseguimos descobrir quais, e eles estavam reconstruindo vários deles. A pagoda, que foi destruída e reconstruída cinco vezes, é de 1426!

Caminhando pelo parque chegamos ao templo Todaiji, construído em 752 para abrigar o gigantesco buda de bronze da cidade. O templo onde fica o buda foi reconstruído com metade do tamanho do original, e ainda assim a construção atual de 1709 é a maior construção de madeira do mundo. Para vocês terem uma idéia do tamanho do buda, 5 pessoas cabem na palma da mão da estátua. É absolutamente impressionante, tanto o templo quanto a estátua, e as outras estátuas de madeira nas laterais também são fantásticas, com seus centenas de detalhes. Infelizmente eles estavam preparando o templo para um festival e montaram esses andaimes de metal bem na frente do prédio principal…

Continuando a caminhada pelo parque, subimos uma colina até Nigatsu-do e Sangatsu-do, subtemplos que tem uma vista bacana da cidade. O templo foi inundado por estudantes enquanto estávamos lá; aliás, Nara estava lotada de excursões de escolas.

No caminho para o templo Kasuga vimos muitas lojinhas com artesanato local e kimonos lindos, eu bem que queria comprar um mas não vou pagar 100 dólares por um kimono bonito que nunca vou usar. Os preços dos kimonos variam bastante, mas os bonitos cheios de detalhes e desenhos que a gente vê em fotos promocionais são de 100 para cima. Vi kimonos de 100 a mais de mil dólares nas lojas de Tóquio, pra vocês terem noção do preço.

O templo Kasuga foi construído em 710, mas seguindo uma tradição xintoísta de pureza e renovação, era demolido e reconstruído igualzinho de 20 em 20 anos até 1863, quando o templo atual foi preservado. Esse templo tem mais de 3 mil lanternas de pedra (em volta do templo e nas ruas que levam a ele) e bronze (dentro do templo, penduradas). Deve ser um espetáculo e tanto ver todas as lanternas acesas, eles acendem duas vezes por ano, em fevereiro e agosto.

Saímos do templo com uma música tocando anunciando o fechamento do parque em breve, voltamos a Kyoto para o jantar. Experimentamos okonomiyaki dessa vez, que é uma panqueca recheada com vegetais diversos e uma ou mais carnes a sua escolha (eu pedi bife e camarão, o Gabe comeu de porco). Eles fazem a panqueca em uma chapa quente e trazem pra mesa que tem uma outra chapa aquecida para manter a temperatura. Okonomiyaki é uma comida barata e popular, a gente vê muito em barraquinhas de rua.
















Templos até debaixo d’água (da chuva)

Abril 11th, 2006 by Luciana Misura

A chuva não deu trégua e como não vamos ficar enfurnados no hotel, continuamos a programação de guarda-chuva em punho. Começamos o dia pegando o trem para o sul de Kyoto, uma cidadezinha chamada Inaue, até o templo Fushimi.

O templo fica pertíssimo da estação, você literalmente atravessa a rua e já está no primeiro arco vermelho da entrada. Esse templo é famoso pelos seus milhares de arcos vermelhos, literalmente um túnel de arcos que cobre uma trilha pela floresta que vai subindo o morro (quem viu o filme Memoirs of a Geisha vai lembrar dos arcos). Não subimos nem a metade do caminho, a trilha é enorme (vejam a foto do mapa da trilha, com os arcos subindo o morro)), passa por lagos, templos menores e deve ter uma vista legal lá de cima em um dia de céu azul.

De volta a Kyoto, fomos ao templo Daitokuji, que tem um lindo jardim zen, Daisen-in. Infelizmente não pode tirar fotos no jardim. É um jardim de pedrinhas, já viram esses jardins japoneses de areia que um monte de gente tem em casa ou no trabalho? Então, é que nem um desses em larga escala. São 4 partes, duas de pedrinhas pequenas e combinando pedras maiores, pequenas árvores e arbustos com as pedrinhas pequenas. Tem várias interpretações do jardim, dizendo o que cada área representa, mas ninguém chegou a um acordo sobre o que ele significa - cada um tem a sua visão. Foi no templo Daitokuji que a cerimônia do chá foi aprimorada e se tornou uma arte.

Último templo do dia, fechamos com o templo de ouro, literalmente. Kinkakuji tem o seu exterior revestido de ouro, fica as margens de um lago bem no meio de um jardim japonês lindíssimo. Esse templo foi construído para ser a residência de um poderoso shogun que virou monge aos 37 anos mas que continuou exercendo sua influência na política local. Caminhamos pelo jardim (o interior do templo não é aberto a visitação) e tomamos chá em uma casa de chá do jardim. Eles serviram o tradicional matcha, que é o chá servido na cerimônia do chá e um bolinho de açúcar. Odiei o chá, e olha que eu amo chá, parecia uma vitamina de folhas amargas. O bolinho de açúcar salvou o dia…

Voltamos para a estação Kyoto e escolhemos um restaurante mais bacaninha, um italiano-japonês chamado The Kitchen Salvatore Cuomo. Os pratos, italianos, eram feitos com ingredientes japoneses. Pedimos o menu preço fixo, com entrada, pizza, massa, prato principal, sobremesa e café. Tudo delicioso, do pão italiano quentinho com azeite, a pizza super fininha e com molho de tomate maravilhoso na quantidade certa (que diferença comer uma pizza boa depois das pizzas americanas massudas e pingando molho de tomate), fettucine com aspargos, molho de tomate e lagostim, peixe japonês enrolado em prosciutto com uma flor local e um bolinho levíssimo com chocolate e gelatto de baunilha para completar. Saímos de lá com sorriso de orelha a orelha…













Miyako Odori, uma tradição deslumbrante

Abril 10th, 2006 by Luciana Misura

Acordamos com o barulho da chuva, infelizmente. Fomos novamente para a estação Kyoto comprar o nosso café da manhã: pães franceses deliciosos. Abastecidos, pegamos o ônibus para Gion, rumo ao teatro Kaburenjo para assistir ao Miyako Odori, que é a apresentação de dança da primavera que as geishas fazem todos os anos. A apresentação de meio dia já estava lotada e a próxima, às 14h, só tinha ingressos não-reservados disponíveis. Compramos esses mesmos, e fomos passear pelas ruazinhas simpáticas de Gion para fazer hora. Não tinha muito o que ver, estava quase tudo fechado nessa segunda-feira chuvosa. Voltamos ao teatro e esperamos lá mesmo.

Os nossos ingressos não-reservaos eram tatame, ou seja, você senta no tatame, que fica em uma plataforma atrás dos assentos reservados. Não era confortável mas pelo menos dava pra ver razoavelmente bem.

Não sei nem como descrever o espetáculo, foi lindo demais, um ballet japonês maravilhoso. A música foi fantástica, uma dúzia de senhoras tocava o shamisen (tipo um violão ou banjo japonês) e uma outra dúzia de mulheres no lado oposto tocava tambores, flauta, e todas cantavam. As maikos dançavam lindamente e batendo o pé no chão marcavam certos trechos da música. As geikos dançavam as partes solo, os personagens principais; os atos representavam a primavera, outono, inverno e uma parte acredito que tenha sido baseada em alguma história japonesa de um pescador que é levado ao fundo do mar. Os cenários lindos, a iluminação perfeita, folhas caindo no outono e neve caindo no inverno, a água em movimento no lago. Fiz três videos com o meu celular, são de baixa qualidade mas dá para ter uma idéia de como era a dança e ouvir um pouco da música (que fica um pouco distorcida). Veja o vídeo com a dança de outono das maikos (formato mp4, 8 MB), precisa de Real Player ou Quicktime para assistir. Amei, foi definitivamente um dos pontos altos da viagem. Gabe também adorou, ficou totalmente intrigado pela música, ficou cantando a melodia o resto do dia.

De lá fomos para o castelo Nijo, famoso pelo seu piso “rouxinol” - você vai andando e o piso de madeira faz um barulho que parece um monte de pássaros piando - que foi construído como medida de segurança, um alarme anti-intrusos à moda antiga. O interior do castelo tem salas amplas, no centro, tudo em madeira e portas de correr separando as salas do corredor, que circula o castelo. As paredes das salas são todas pintadas com desenhos de árvores e animais, infelizmente não pode tirar fotos dentro do castelo. Os jardins são lindos, muitas cerejeiras em flor, lagos e pedras. Um cisne passeava silenciosamente nas águas do fosso interno.

Quando o castelo fechou, às 17h, ao som de “Old Lang Syne”, pegamos o ônibus até uma rua com calçadas cobertas e muitas lojas e cafés. Paramos em um café para relaxar e esperar a reabertura dos jardins do castelo às 18h, com iluminação especial das cerejeiras em flor. Detalhe importante de Kyoto: usar o metrô é bobagem, os ônibus são a melhor opção, pois tem pontos na maioria dos lugares turísticos. Tudo muito organizado, tem os números e horários de cada ônibus no ponto e um mapinha da cidade tem os números das linhas para cada ponto turístico. Sem falar nos pontos de ônibus mais moderninhos, que tem uma tabela mostrando o número do ônibus e se ele está chegando no ponto, uma bolinha que vai mudando conforme o ônibus se aproxima.

O castelo estava mesmo fantástico iluminado, os caminhos ladeados por centenas de lanternas e as luzes mais fortes estrategicamente apontadas para as construções principais e claro, as cerejeiras. Lindo. Ficamos lá um bom tempo, curtindo a atmosfera mágica criada pelas lanternas e flores, as torres brancas do muro do castelo ao fundo.

Com o jornalzinho de Kyoto para turistas em mãos, escolhemos um restaurante na área e seguindo o mapa, encontramos a rua onde o restaurante supostamente estaria localizado. Andamos a rua inteira duas vezes, perguntando pro pessoal que trabalha nas lojas onde ficaria o tal restaurante. Cada pessoa que a gente perguntava apontava pra uma direção diferente. É que o sistema de endereços japonês é tão complicado que até mesmo os locais tem dificuldade de encontrar um endereço específico. Até que finalmente um cozinheiro de uma lanchonete que estava fechando foi andando com a gente até uma ruazinha mínima que levava a uma outra rua menor ainda atrás da rua principal e que nunca teríamos encontrado, e vi a placa do restaurante (em japonês apenas, decorei os símbolos pra poder ir procurando placa por placa).

O restaurante, Sarara, pequenininho, uma gracinha, valeu muito a pena. Sentamos no balcão (só tinha duas mesinhas e o balcão) e um dos cozinheiros-garçons falava inglês razoavelmente (e tinha menu em inglês, com muitas fotos, ufa). Pedi sushi, que estava ótimo, fresquíssimo, e Gabe pediu três pratinhos (frango com molho missô, bife com molho de vinagre e uma pimenta japonesa que não lembro o nome e saladinha e porco cozido na sopa missô com molho de mostarda). Tudo muito bom, e batemos o maior papo com o cozinheiro, a dona do lugar (que só falava em japonês e o cozinheiro traduzia) e a outra moça que trabalhava na cozinha. No final das contas eles nos trouxeram bolinho de morango, porque era aniversário da dona, e eu pedi pra ele me ensinar como se diz “feliz aniversário” em japonês. A dona ficou toda boba e me deu uma sobremesa de graça, uma gelatina com sorvete que eu não gostei mas comi tudinho por educação. Na saída, eles nos levaram até a rua e a dona me abraçou e falou pra voltar lá outras vezes :)



















Tem mais fotos originais no Flickr.

Kyoto, cidade das geishas

Abril 9th, 2006 by Luciana Misura

Acordamos às 8h15, quase perdendo o café da manhã, chegamos lá 5 minutos antes de acabar e a nossa mesa estava pronta nos esperando. O menu: sopa missô, salmão, picles de vegetais, a gelatina estranha novamente, arroz e inhame e abóbora cozidos e um bolinho com gergelim que eu comi mas não sei o que era. Os picles e a gelatina eu deixei no prato mesmo. o Gabe só tomou a sopa e comeu arroz. Dificuldade maior: ficar sentadinha no chão durante o café da manhã inteiro, eu agüentei até os 10 minutos finais…

Com o tempo nublado, pegamos o metrô até o templo Heian. É um templo mais novo, bem grande, e o destaque é o jardim japonês cheio de cerejeiras em flor em volta. Estava lotadíssimo, domingo com cerejeiras em flor = todos os japoneses da cidade indo aos templos e depois fazendo seus picnics. Muitas mulheres de kimono, uma graça. Fomos andando pelo jardim maravilhoso, com cerejeiras de flores brancas e cor de rosa, vários lagos com carpas, caminho de pedras atravessando o lago. Uma ponte de madeira coberta atravessa o lago maior, e era o ponto preferido para fotos. Um casal recém-casado posava para fotos na beira do lago e tinha uma multidão de gente ao redor tirando fotos deles, a cada vez que a noiva se mexia eram oooohhhs pra todo lado.

De lá fomos andando até o parque Maruyama, que estava igualmente entupido de gente, barraquinhas de comida variadas e todo mundo fazendo picnic. Experimentei um polvo grelhado que estava péssimo e acabei comprando frango frito japonês depois. Gabe comeu um filé de porco empanado e sanduíche de frango. Comida sem graça e cara, não compro mais nada nessas barraquinhas. Andamos até o templo Yasaka, logo ali do lado e que estava tendo apresentações de música e dança. Uma senhora dançou lindamente e depois duas senhoras tocaram harpas japonesas e cantaram, mas não ficamos até o final.

Continuamos andando por Gion, o distrito famoso das geishas, que ainda preserva suas ruas estreitas e casas de madeira. No caminho para uma das pagodas, demos de cara com três maikos (aprendizes de geiko, como as geishas de Kyoto preferem ser chamadas). Lindas, pareciam bonequinhas de porcelana, foram até um pequeno templo, mas não queriam ser fotografadas (uma turista apontou a câmera para uma delas e elas cobriam o rosto com as mãos e viraram de costas para a câmera).

Fomos andando pelas ruazinhas estreitas que a esse ponto já tinham se transformado em um rio de gente (vimos mais algumas maikos no caminho) até o templo Kyomizu. Esse templo tem mais de mil anos e fica no topo de uma colina, dá para ver a cidade toda lá de cima. A estrutura do templo, toda de pilares de madeira, não tem nenhum prego: é tudo de encaixe. O tempo melhorou bastante e o sol apareceu, as cerejeiras emolduravam o templo perfeitamente. Os japoneses faziam fila para beber a água da nascente do templo, os restaurantes ao redor todos cheios, as lojas de souvenir lotadas.

Voltamos para a estação Kyoto ao anoitecer e fomos para a área de restaurantes no 11 andar. Filas enormes na porta de cada restaurante, comemos no restaurante do alho: todos os pratos tem “níveis” de alho diferentes, e como nós dois somos fãs de alho, resolvemos experimentar. Cada um dos gyozas (os pastéis) tinha um dente de alho assado inteiro. Meu macarrão com camarão tinha alho até dizer chega (nível 2) e o bife do Gabe também estava bom (nível 1). Não conseguimos descobrir se as sobremesas tinham alho ou não porque ninguém falava inglês, então resolvemos não arriscar e passamos no restaurante italiano pra comprar uns docinhos. Tiramos fotos da estação iluminada, o reflexo da torre Kyoto no prédio espelhado, e caminhamos de volta para o ryokan.


















Sayonara Tóquio!

Abril 8th, 2006 by Luciana Misura

Saímos do hotel meio-dia e fomos procurar uma lavanderia dessas de moedinha antes de embarcarmos para Kyoto. Viajar nos trens japoneses requer pouca bagagem, porque não tem praticamente espaço para malas grandes nos trens e você pode ter que encarar escadas e mais escadas dependendo da estação. Outra opção é despachar as malas usando as transportadoras locais, só tem que se planejar por causa dos horários de entrega - normalmente pro dia seguinte, então você tem que levar uma muda de roupa pra usar até receber a mala.

Nós viemos com duas malas, uma média e uma pequena, planejando lavar algumas roupas no meio da estadia. Nosso hotel, que tinha folhetinhos em inglês para tudo, nos deu um folhetinho com o mapa da lavanderia, explicação de como usar as máquinas e os preços. A lavanderia era mínima, tudo em japonês (ainda bem que tínhamos o folhetinho), mas pelo menos em pouco mais de uma hora estava tudo limpo e seco. Voltamos pro hotel, despachamos as malas (custou 35 dólares por mala de Tóquio para Kyoto, eles entregam direto no hotel no dia seguinte de manhã) e fomos para a estação Tóquio pegar o shinkansen (trem bala) para Kyoto.

O trem estava bem cheio, daqui para frente vamos passar a fazer reservas para os próximos trechos da viagem. Eles dividem o trem em vagões reservados e não-reservados, e cada categoria tem também vagões para fumantes e não fumantes. No trem de Tóquio para Kyoto são 4 vagões não-reservados para não-fumantes e um para fumantes, o resto do trem é todo reservado. Cada vagão comporta 100 pessoas, tivemos que correr uns 3 vagões para achar lugares. Como temos o passe de trem (JR Pass), reservas são gratuitas (sem o passe a passagem com reserva custa mais caro). O tempo estava nublado então não conseguimos ver o Monte Fuji, que pena. Compramos umas coisinhas para comer no trem mesmo, eles tem um carrinho que passa pelos vagões com sanduíches e bebidas.

Chegamos em Kyoto quase 18h, pegamos o trem das 15h20. A estação de Kyoto é enorme e super moderna, tem centenas de lojas e restaurantes, só achei que é muito aberta e o vento lá dentro é bem friozinho. O nosso ryokan, hotel tradicional japonês, fica pertinho da estação, fomos andando mesmo. Ryokans existem há alguns séculos, os quartos tem tatame, dorme-se em um futon, usa-se kimono de algodão e o sapato fica perto da porta. A maioria não tem chuveiro no quarto e toma-se banho no estilo japonês, mas como todo mundo tem seus limites, do meu chuveiro não abro mão e escolhemos um ryokan com banheiro e chuveiro no quarto.

Ryokans são pequenos e como descobri, é difícil reservar um em Kyoto. Mesmo com mais de dois meses de antecedência, as minhas 5 opções de ryokan estavam lotadas e acabamos ficando nesse por sugestão do site de reservas. Foi OK, o lugar é simples, a localização é prática, mas eu não ficaria lá de novo não. Não tem charme nenhum porque é um ryokan novo - apenas uma imitação do passado.

A maioria dos ryokans inclui jantar e café da manhã, mas só optamos por um jantar e um café da manhã, porque não queríamos ficar presos aos horários deles (jantar entre 17h30-18h30 e café da manhã entre 7h30-8h30). Assim que chegamos deixamos as bolsas no quarto e fomos jantar, foi uma refeição tradicional japonesa, servida por duas moças de kimono. Muita comida, 1/3 do que foi servido eu nunca tinha visto antes e não sei nem o que era. Mas experimentamos quase tudo, gostei bastante do sashimi, da sopa com legumes e ovo, do omelete e do tempura, só não toquei uma gelatina salgada esquisita dentro de um molho que parecia clara de ovo crua. Gabe é mais chato para comer e não gostou de muita coisa, ele ficou feliz que não vai precisar jantar no ryokan todos os dias…amanhã é que vai ser mais complicado: café da manhã japonês! Arroz e peixe as 7 da manhã, topa? Boa noite!







Tem mais fotos originais no Flickr.

A caminho de Kyoto

Abril 8th, 2006 by Luciana Misura

Estamos saindo do hotel agora a caminho de Kyoto. Vamos ficar em um ryokan, que é um tipo de pousada tradicional japonesa, portanto não sei se vamos ter acesso a internet. Senão só volto a escrever aqui quando chegarmos a Takayama na sexta dia 14 ou quando voltarmos a Tóquio dia 16. Até mais!

Nikko, os italianos e os bêbados

Abril 7th, 2006 by Luciana Misura

Hoje fomos a Nikko, uma cidade ao norte de Tóquio que é patrimônio histórico da UNESCO com seus templos espetaculares. Levamos quase 3h para chegar lá porque perdemos o primeiro trem e tivemos que esperar uma boa meia hora pelo próximo e depois mais meia hora para a conexão.

A cidade é pequena e estava super vazia, pegamos um táxi até o templo Toshogu, que é um dos cartões postais da cidade. Esse templo foi construído em 1634, empregando 15 mil artesões por dois anos - trabalho que é visto nos mínimos detalhes entalhados na madeira e em pinturas que adornam cada metro quadrado desse templo e dos prédios do complexo. Em volta, cedros japoneses altíssimos garantem o clima sereno e privativo. No topo, o mausoléu com as cinzas do shogun Tokugawa Ieyasu, líder da dinastia que governou o Japão por 250 anos.

Passamos a tarde inteira explorando todos os prédios do complexo e voltamos para a estação caminhando e parando nas lojinhas de souvenirs locais. No trem de volta para Tóquio encontramos 4 italianos super simpáticos e fomos batendo papo até a cidade. As duas mulheres são agentes de viagens e vieram ao Japão com os maridos, que não queriam vir de jeito nenhum. Os dois queriam passar férias na praia, “como todos os italianos” segundo elas. Eles perguntaram se não queríamos ir a Shibuya também e lá fomos nós, andamos bastante procurando um restaurante pra jantar mas eles não gostavam de nada, acabaram resolvendo que iam comer no McDonald’s (eles comem no McDonald’s direto porque não gostam de praticamente nada da culinária japonesa) e a gente foi procurar um restaurante japonês mesmo. Trocamos emails, fotos e ciao!

Achamos um restaurantezinho de yakitoris, o menu inteirinho era no espeto. Pedi cogumelos com pasta de camarão, polvo e camarões, o Gabe foi de frango com manjericão, carne com cebola e frango com wasabi. Gostosinho, tudo bem fresco. Não conseguimos saber o nome do restaurante com certeza, porque estava tudo escrito em japonês, acho que era Tatumi. Na saída, vários japoneses bêbados sendo carregados pelos amigos nas ruas de Shibuya, não sei se é só porque é sexta-feira ou se é sempre assim em Shibuya :-)














Tem mais fotos originais no Flickr.

It’s a small world after all

Abril 6th, 2006 by Luciana Misura

Fez um dia lindo de céu azul e fomos até a Disneyland Tokyo. Passamos o dia inteirinho lá, só saímos às 22h com o parque fechando.

Foi bem legal mas eu achei a Disney Tóquio muito menos japonesa do que eu esperava, a Disney Paris é muito mais francesa em comparação. Mas não deixa de ser engraçado ver os personagens que a gente conhece falando e cantando as músicas todas em japonês (Small world em japonês é fantástica). A empolgação da criançada é a mesma em qualquer lugar do mundo, principalmente durante as paradas, vendo seus personagens favoritos “em carne e osso”. E parecia que todos os adolescentes japoneses no parque estavam usando orelhas de Mickey e Minnie ou algum dos chapéus engraçados.

Foi a primeira vez do Gabe na Disney, ele nunca tinha ido a nenhum dos parques, e apesar dele não ter virado fã como eu, pelo menos perdeu a aversão a Disney que ele tinha. Como expliquei para ele, pra mim a Disney é um lugar mágico, parece que entrei em um mundo de histórias e tudo me traz uma sensação boa, acho que é muito relacionado as memórias que eu tenho de infância.

As atrações são as mesmas do parque na Flórida, a fila para a Space Mountain é gigante em qualquer país do mundo, tem a parada de luzes de noite…bom, não tem muito o que falar sobre a Disney, as fotos vão mostrar tudo depois!

Videozinhos das paradas diurna (10 MB, formato MP4) e noturna (5 MB, formato MP4) feitos com o celular. Tem que ter Real Player ou Quicktime instalados para assistir.


















Tem mais fotos originais no Flickr.