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Archive for Agosto, 2008

Caminhando pela cura

Agosto 29th, 2008 by Luciana Misura

Não basta trabalhar, tem que participar: eu estou inscrita na caminhada Light the Night, organizada pela Leukemia & Lymphoma Society (onde eu trabalho) que arrecada fundos para combater leucemia e linfoma.

O dinheiro das doações é usado para um monte de projetos: custear pesquisa pela cura desses tipos de câncer, material educativo para pacientes e suas famílias, grupos de suporte e um programa que ajuda pacientes com dificuldades financeiras a pagarem pelos seus tratamentos. Todos os anos essa caminhada se repete e os funcionários formam um time para participar também, assim a gente pode trabalhar mais diretamente para angariar fundos para a causa e para passar pelo mesmo processo que os nossos doadores. Comecei hoje e já está sendo interessante. Se você receber um email meu pedindo uma doação não é spam! ;-)

E para colocar uma cara nessas doenças assustadoras: a história de Mackenzie, essa garotinha linda que teve leucemia aos 3 anos de idade e hoje está a caminho da cura - graças em parte ao trabalho da LLS. Se você quiser fazer uma doação, é só clicar aqui. Qualquer quantia vale, cada dólar nos habilita a ajudar famílias como a de Mackenzie.

E antes que alguém pergunte, não fui eu que fiz esse site da caminhada Light the Night, ele está na lista dos sites que ainda precisam passar por uma reformulação, assim com o próprio site da LLS.

Mudança na campanha de McCain? Só na aparência

Agosto 29th, 2008 by Luciana Misura

O candidato do presidente Bush, John McCain, anunciou hoje pela manhã que escolheu Sarah Palin, atual governadora do Alaska, como sua vice-presidente. É a primeira vez que uma mulher é candidata a vice-presidência no partido Republicano (os Democratas já tiveram uma mulher candidata a vice-presidente no passado). A organização de campanha de McCain está tentando convencer os eleitores que Sarah Palin significa mudança (que é a base da campanha de Obama) e também tentando fazer com que os eleitores de Hillary Clinton desgostosos com a sua derrota para Obama vejam em Palin a sua candidata.

Tudo muito bonitinho, mas só para inglês ver. Sarah Palin é uma conservadora como seu partido: defende o ensino de creacionismo nas escolas ao lado da teoria da evolução, é contra o direito de aborto, contra o casamento gay, defende o porte de armas (ela é membro da NRA e caça), é a favor das políticas econômicas implementadas pela administração Bush e é a favor de explorar petróleo no Refúgio da Vida Selvagem do Alaska. Ela tem 5 filhos e já foi Miss Alaska. Só um “pouquinho” diferente de Hillary Clinton…

Obama é o candidato oficial Democrata

Agosto 27th, 2008 by Luciana Misura

Acabou hoje a Convenção Democrata em Denver e Obama foi confirmado como o candidato oficial do partido. O ex-presidente Clinton pediu a nomeação de Obama, interrompendo o processo de votação dos delegados e finalmente tornando Obama o primeiro candidato negro à presidência (de um dos partidos que tem alguma chance de vencer). Conheço pouco do candidato a vice-presidente Biden, só li que ele votou muito a favor de leis que beneficiam minorias, principalmente mulheres e gays, o que é muito mais do que se pode falar do candidado Republicano…agora é torcer e colaborar com a campanha para que Obama seja eleito, dando fim ao reinado Bush que não vai deixar nenhuma saudade. Vale mencionar o discurso da esposa de Obama, Michelle, ontem, que foi à altura dos discursos sempre inspirados do marido.

Para as mulheres: Epila

Agosto 27th, 2008 by Luciana Misura

Será que é verdade? Epila é um removedor portátil de pêlos que usa a tecnologia laser já conhecida em clínicas, com uma diferença absurda de preço: custa 199 dólares, muito menos do que uma sessão em qualquer clínica. As credenciais são boas, e eles devolvem o dinheiro em 60 dias se você não estiver satisfeito com os resultados. Estou pensando seriamente em experimentar!

O que eu achei dos produtos

Agosto 26th, 2008 by Luciana Misura

Depois da discussão que rolou aqui no blog sobre quais produtos levar pro Brasil, vou contar o que a gente achou. Eu levei um pacotão de fraldas e lencinhos suficientes pra primeira semana, e também as papinhas preferidas da Julia pros primeiros dias de adaptação e a fórmula que ela toma de vez em quando.

Quando as fraldas e lencinhos acabaram, compramos um pacote de fraldas Pampers (que é a marca que usamos aqui) e lencinhos Huggies (que era o que tinha na loja, a gente usa o Pampers Sensitive aqui). Compramos papinhas Nestlé, que eram as únicas sendo vendidas.

Achamos que as fraldas não vestem tão bem comparando com as fraldas daqui, elas são muito mais cavadas e com menos “cobertura” (eu tinha que ter tirado uma foto da Julia vestindo uma pra mostrar a diferença) e acabaram acontecendo alguns vazamentos. Os lencinhos são mais finos e tem menos produto para limpar o bebê, então você acaba tendo que usar mais. E infelizmente logo depois que começamos a usar essas fraldas e lencinhos ela ficou assada, coitadinha. Achamos os lencinhos Pampers em outra loja (os comuns, não os Sensitive) e mudamos, e usamos muito creme de assadura até melhorar. Ao que parece ela não se adaptou aos lencinhos da Huggies, mas isso poderia ter acontecido com os da Huggies aqui também, não tenho como saber. Os preços no Brasil são uma exploração, com o que eu paguei em um pacote de 30 e poucas fraldas eu compro aqui um de 90 e tantas…Em uma escala de 0 a 10, nota 7 para as fraldas, nota 4 pros lencinhos Huggies e 6 pros lencinhos Pampers.

Quanto as papinhas, ela comeu as que levamos daqui e depois a minha mãe fez comidinha para ela, mas ela não comeu quase nada nas duas semanas que estivemos lá. Não sabemos se foi porque ela ainda estava em adaptação ou tão interessada nas novidades que não queria parar pra comer. A única coisa que ela gostou bastante foi abóbora refogadinha com frango desfiado. O feijão e arroz não teve jeito de convencê-la a comer até agora. Ela provou muitas outras coisas novas que gostou, mas ficou só beliscando: pão de queijo, churrasco, bolo, queijo quente, sorvete de flocos, leite Ninho, danoninho, Ninho Soleil, vários tipos de pães…pena que não era verão para ela provar as frutas da estação que eu adoro. No final compramos as papinhas Nestlé e ela adorou o Strogonofinho, e comeu muito bem as papinhas de Carne com Legumes e Galinha com Legumes, mas são caras comparando com as que eu compro aqui (papinha orgânica Earth’s Best, $1.15 e o Strogonofinho que é o mesmo tamanho, quase 7 reais). Mas em termos de sabor, a Julia gostou tanto dessas papinhas Nestlé quanto as da Earth’s Best.

Ela dormiu em um bercinho desses portáteis que uma prima emprestou, tomou banho em uma banheira que a minha mãe comprou mas chorou tanto que eu dei banho no chuveiro o resto dos dias, comeu em um cadeirão que minha mãe comprou e a cadeirinha pro carro e o carrinho pra passear nós levamos.

Enfim, da próxima vez vou levar lencinhos pra durar a viagem toda só para não ter que trocar para um outro tipo diferente do que ela está acostumada, já que não fazem tanto volume assim na mala; e o tanto de fraldas que couberem novamente.

Chegamos, ufa!

Agosto 25th, 2008 by Luciana Misura

Viagem longa de avião já é super cansativa, com criança pequena então…! Até que a volta foi melhor e Julia dormiu mais, mas chegamos em casa e capotamos, só saímos da cama para jantar em um restaurante japa para comemorar o meu aniversário e pronto. Hoje estou aqui às voltas com os emails do trabalho e tentando colocar as fotos em dia.

Julia e a areia

Agosto 19th, 2008 by Luciana Misura

Fomos visitar a tia-avó Helena e aproveitamos para levar a Julia na praia novamente. Como estava mais quente dessa vez, fomos com o objetivo dela caminhar na areia. Primeiro ela ficou imóvel olhando para a areia, resolveu dar uns passinhos e a areia entrou na sandália pelos lados - aí ela começou a chorar. Pediu o colo do pai, ficou um tempo olhando o mar e tentamos de novo, sem a sandália. Chorou, veio pedir colo para mim, mas fiquei só consolando até que ela tomou coragem para andar e pronto, em um minuto já estava andando para todo lado sem nem se ligar na areia mais. Deixei ela andar sozinha, mas logicamente na areia fofa é difícil dela se eqüilibrar e caiu com a mão aberta na areia - nem ligou, levantou, ficou olhando para a mão tentando decidir se colocava na boca ou não e eu limpei antes dela resolver provar. ;-) Agora sim ela é uma menina do Rio, se não gostasse de praia não ia ter jeito! Pena que não deu para ela entrar na água dessa vez, fica para uma visita futura.

Andando no calçadão, curtindo a brisa Testando a areia
Não gostou e pediu colo! Tentando de novo, achando horrível
Pedindo colo para mim Começando a se soltar
Já andando pra todo lado, sem se incomodar Pegada do pai e da Julia
Não queria mais ir embora Já estava gostando da brincadeira

Festa de aniversário da Julia

Agosto 16th, 2008 by Luciana Misura

A festinha de 1 ano da Julia foi no salão de festas do condomínio dos meus pais, e a gente que decorou com o tema de festa junina (por isso não ficou muito bom, haha). Chamamos um churrasqueiro que fez um churrasco delicioso, compramos o bolo e os docinhos e com a presença em massa da família e amigos passamos uma tarde (super quente!) muito legal (e muito corrida para dar atenção a todo mundo).

Já no começo da festa estávamos suando, surpresos com a temperatura de mais de 30 graus em pleno inverno (tudo bem que o inverno do Rio é uma piada, mas não estávamos contando que ia passar dos 30 e estávamos derretendo). Como fez esse tempo bom, todo mundo vindo do Rio (leia-se quase todo mundo) pegou um engarrafamento monstruoso na ponte Rio-Niterói, atrasando a festa em quase 2 horas (nesse ponto ainda bem que não foi em casa de festa, senão a gente não ia ter tido tempo pra nada).

Julia foi passando de colo em colo na maior tranqüilidade. Comeu um pouco de churrasco (adorou o pão com alho), bateu palma, conheceu alguns amiguinhos novos e toda a família que ela ainda não tinha visto. Foi simpática até o final, quando ficou com fome e chorou até jantar, e depois voltou a sua tranqüilidade habitual. Acho que todo mundo curtiu conhecê-la e bater um papo comendo churrasco, então vou considerar que a festa foi boa, apesar de um monte de coisas não terem saído do jeito que eu queria. Incluindo as fotos, que o meu irmão (não) tirou, e acabamos ficando sem foto com um monte de gente…mas tudo bem, tem muitos anos de festa pela frente para a gente acertar esses detalhes.

O bolo, que estava muito booooom Gabe já suando no começo da festa
Julia mostrando que está fazendo um aninho com os primos Ela aprendeu a bater palminha no dia anterior
Com o amiguinho Davi Apagando a velinha!
Meio desconfiada dessa gente toda cantando parabéns Cortando o bolo, hummm
Com a minha mãe e tias Com os primos Otto e Juliana
A gente que colocou todas essas bandeirinhas penduradas... Quase todos os primos reunidos, agora muitos com suas esposas e maridos na foto

Julia vendo o mar pela primeira vez

Agosto 12th, 2008 by Luciana Misura

Estava fazendo um dia bonito e resolvemos levar a Julia para ver o mar pela primeira vez. Fomos até a praia de Piratininga, que tem um pôr-do-sol bonito e chegamos bem a tempo de ver as cores lindas do final do dia. Julia ficou olhando o mar espantada, não quis ir na areia e chorou quando o Gabe colocou a mão dela na água. Tentaremos de novo outro dia, mais cedo!


Na casa dos avós

Agosto 11th, 2008 by Luciana Misura

Chegamos ontem ao Rio, a viagem foi cansativa mas correu tudo bem. Julia dormiu no carseat a maior parte do tempo, o que foi ótimo, e estava de bom humor quando acordou. Chegou na casa dos avós e brincou bastante, tirou suas sonequinhas, só estranhou na hora de tomar banho, mas de resto dormiu direitinho no bercinho emprestado. O tempo está meio nublado e chuvoso desde ontem, agora que começou a sair um solzinho, espero que melhore para o resto da semana. Por enquanto Julia está curtindo os avós dentro de casa mesmo e nós estamos descansando assistindo as Olímpiadas. Meu irmão chega hoje a noite de viagem e aí teremos toda a família reunida de novo.

Olimpíadas?

Agosto 8th, 2008 by Luciana Misura

Quer ver uma coisa que sempre me irrita aqui nos EUA? A cobertura das Olimpíadas! Vocês acham que eles passaram a abertura hoje de manhã? Nada disso. Aqui na terra do tio Sam a gente só vai ver a cerimônia de abertura às 7 da noite, depois que todo mundo já viu no resto do mundo. Foi a mesma coisa nos jogos passados: era tudo reprisado, não passavam praticamente nada ao vivo, a gente só via as competições muito tempo depois de ficar sabendo o resultado pela internet. Ainda bem que vou poder ver o resto no Brasil…

Arrumando as malas

Agosto 4th, 2008 by Luciana Misura

Fazendo lista de tudo que tem que levar pro Brasil…para as mães de plantão, o que eu não posso esquecer de levar pra Julia?

A minha história de amamentação

Agosto 1st, 2008 by Luciana Misura

Desde que eu me entendo por gente queria ter filhos, na minha cabeça amamentar sempre foi natural, o caminho lógico. Mas eu cresci ouvindo a minha mãe falar que não teve leite suficiente e quando adolescente, vi uma das minhas tias passar pela mesma dificuldade; então eu ficava sempre com medo que isso fosse acontecer comigo também.

Depois de muitas dificuldades, finalmente eu estava grávida e tudo corria bem, comecei a ler e pesquisar sobre amamentação, para me armar ao máximo com informações e quem sabe evitar possíveis problemas. Meus guias foram o The Breastfeeding Book, do Dr. Sears e sua esposa Martha, que até hoje uso como referência, e os sites da La Leche League, que é uma organização internacional que há muitos anos oferece informação e suporte a mães que escolhem amamentar (eles tem reuniões para grávidas, mães e bebês) e as Amigas do Peito, uma organização brasileira com o mesmo fim. Tanto o livro quanto o site da LLL são um pouco radicais (vou falar mais sobre isso depois) mas os conselhos são nota 10.

Julia nasceu, eu precisei de algumas horas para me recuperar e então começamos a nossa jornada juntas - ela foi para o peito pela primeira vez para começar a tomar o colostro, tão importante para recém-nascidos. E eu que tive medo por tanto tempo e me preparei para o pior fiquei surpresa que ela começou a mamar tranqüilamente, não senti dor nenhuma, e dormiu ali nos meus braços logo depois. Imaginei que fosse sorte de principiante, mas fiquei feliz que tínhamos começado bem.

Ela dormia e acordava de 2 em 2 horas, e quando acordava chorando, lá ia para o peito. Mamava um pouco e caía no sono de novo. Passamos assim o primeiro dia e noite. Na tarde do dia seguinte, a enfermeira que veio ver se estávamos bem disse que o cocô da Julia já era de transição - o que significava que o colostro estava dando lugar ao leite. E foi mesmo, meu leite chegou em menos de dois dias. Muitas vezes o leite pode demorar até uma semana para chegar, e nesse meio tempo muitas mães se vêem em uma posição difícil com hospitais e familiares pressionando para dar mamadeira com fórmula, mas existem alternativas que profissionais da área podem sugerir. Não sei no Brasil mas aqui nos EUA temos consultoras de lactação, que são profissionais que trabalham em hospitais para justamente ajudar as mães a contornarem esses problemas e amamentarem seus bebês. Uma consultora vinha me ver todo dia e eu tirava qualquer dúvida com ela, foi ótimo.

No terceiro dia depois do parto comecei a me sentir mal. Muito mal. Os dias seguintes foram muito difíceis, um dia eu vou fazer um post para contar essa história toda, mas o diagnóstico foi uma depressão pós-parto muito severa. Os médicos todos (nessa altura já tinha o obstetra, psicóloga, assistente social, psiquiatra e pediatra na jogada) me pressionaram para parar de amamentar, porque uma parte fundamental do tratamento são no mínimo 6 horas de sono, e sono picado em pedaços para alimentar um bebê não conta. Mas para mim, que estava me sentindo completamente desconectada do mundo e principalmente da minha filha, a amamentação era a única ligação que nós tínhamos, e me agarrei a ela com unhas e dentes. No dia que tivemos a primeira consulta com a pediatra, apenas 4 dias após o parto, Julia já estava ganhando peso. Ela elogiou muito e fiquei feliz que em meio a todos os problemas alguma coisa estava dando certo.

No final da primeira semana montamos um esquema em que o Gabe e meus pais davam uma ou duas mamadeiras para a Julia durante a noite, assim eu podia acordar menos vezes e dormir um bloco de horas seguidas que os médicos aceitaram como eficaz. Fiquei com medo da mamadeira boicotar a amamentação e do meu leite diminuir e secar, mas a Julia passava da mamadeira pro peito com facilidade e felizmente a quantidade de mamadas durante o dia manteve a minha produção de leite estável. Eu também passei a tirar leite com uma bombinha elétrica e guardar na geladeira, assim eles podiam dar a mamadeira para ela com o meu leite e eu aumentava um pouco a demanda durante o dia para compensar as mamadas perdidas da noite, assim a minha produção não sofria tanto.

Mesmo nos dias que eu não queria fazer nada a rotina era amamentar a minha filha. Ela sempre foi super devagar, levava mais de uma hora para mamar (mamava alguns minutos, dormia, eu a acordava, ela mamava mais um pouco, repetia a seqüência) e mamava de 2 em 2 horas, então realmente ela passava mais tempo comigo mamando do que qualquer outra coisa. Daí para frente eu fui me tratando e melhorando, Julia foi crescendo e engordando, e a vida foi entrando nos eixos.

Quando voltei a trabalhar 5 meses depois, eu levava a bombinha para o trabalho e tirava leite duas vezes durante o expediente para manter a demanda (ter a quantidade de leite adequada depende quase que totalmente de manter a demanda, se o bebê não mama a mensagem para o cérebro é que o corpo não precisa produzir tanto, e aí produção cai). A Microsoft têm “Mother’s Rooms” que são salas com uma fechadura com senha que só as mães tem, e lá dentro tem tudo o que você precisa para tirar o leite e armazenar durante o dia até a hora de levar para casa.

Depois que saí da Microsoft e passei a trabalhar de casa, ficou mais fácil, e amamento a Julia durante o dia tranqüilamente. Ela vai fazer um ano em alguns dias e até hoje só teve 3 resfriados - benefício dos anticorpos presentes no leite materno. Algumas pessoas me perguntam quando vou parar de amamentar, e a resposta que tenho agora é que eu ainda não sei. A Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação durante os 2 primeiros anos, então se a Julia quiser mamar até lá e eu tiver leite o suficiente para isso, vamos continuar. Para mim e para ela, a amamentação significou união e saúde. Tem motivo para parar?

Algumas coisas que eu acho importantes lembrar: existem situações que impedem as mães de amamentar. O marido, família e amigos devem apoiar a mãe na sua decisão. Ajudá-la a resolver o problema, se for possível, mas reconhecer que não adianta forçar uma mulher que está sofrendo e não quer amamentar e causar problemas emocionais maiores por isso. Eu acho abominável a tática da culpa. Na minha opinião, uma pessoa bem informada e que tenha recursos para resolver os problemas vai amamentar com sucesso. Mas tem muitos livros e sites por aí que ficam aterrorizando as mães de tal forma que elas acham que falharam como mães se não amamentaram seus filhos (o livro que eu li e o site da LLL são um pouco chatos nesse aspecto). Todas as mulheres deveriam ter a chance de amamentar - com acesso a informação e suporte emocional e médico. Mas ser mãe é muito mais do que amamentar ou não.

Aqui nos EUA ainda entra a pressão social - amamentar em público é tabu. Volta e meia a gente vê uma notícia ou ouve falar de uma mulher que estava amamentando em um restaurante ou outro estabelecimento que foi convidada a se retirar. As pessoas se sentem incomodadas. Muitas colegas americanas que amamentaram ouviam comentários terríveis de familiares. Nenhuma delas amamentou por mais de 6 meses, a maioria parou com 3 ou 4 meses por causa da pressão social. É triste. Eu particularmente sempre me preocupei em não me expor enquanto amamentava porque não queria ter que ouvir nenhum absurdo, então sempre usei uma capa chamada Bebe au Lait quando amamentava em lugares públicos. Mas isso foi uma escolha minha, e nenhuma mulher deveria ser obrigada a parar de amamentar porque alguém está incomodado em ver um bebê mamando.

Enfim, eu não sei o que teria sido de mim ou da minha relação com a Julia se não fosse a amamentação. Mais do que saúde, a ligação emocional foi fundamental. Conversando com algumas amigas que tentaram amamentar e não tiveram a mesma sorte, o que percebi foi que normalmente elas vinham de famílias que tinham tido sucesso na amamentação e portanto não pensaram que fossem ter nenhum problema, então hoje sei que acesso a informação é fundamental nesse processo. Se você está grávida e quer amamentar, aconselho então a se informar bastante - assim se alguma coisa der errada você já sabe qual é o problema - e se der tudo certo, melhor ainda!

UPDATE: Acessórios para mamães que amamentam: Lily Padz, ótimos protetores de silicone e My Breast Friend, uma almofada para posicionar o bebê corretamente (apesar que eu usei pouco porque sempre preferi segurar a Julia sem travesseiro nenhum mesmo).