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Archive for January, 2011

Um dia a gente ainda muda pra Miami

January 31st, 2011 by Luciana Misura

Estava tão bom no final de semana, sol e 20 e tantos graus, aí essa semana volta o frio chato e previsão de neve. Neve aqui não tem a MENOR graça, porque não acumula no chão (quando acumula mal cobre a grama) e causa mil problemas porque a cidade e seus habitantes não sabem o que fazer com a neve, já que o evento é raro. Espero que a previsão mude, principalmente porque temos um vôo sexta-feira de manhã que certamente vai atrasar horrores no caso da previsão se concretizar.

Mudanças no Oriente Médio?

January 31st, 2011 by Luciana Misura

Primeiro foi a Tunísia, e agora o Egito. Será que o povo na rua vai realmente conseguir mudar os rumos destes países? Na Tunísia a mudança já foi mais rápida, vamos ver como serão as eleições. No Egito ainda estão tentando tapar o sol com a peneira…Espero que ambois países consigam finalmente sair desses regimes retrógrados.

A nossa New Orleans no Viaje na Viagem

January 27th, 2011 by Luciana Misura

A nossa viagem a New Orleans foi linkada hoje pelo Ricardo Freire lá do Viaje na Viagem. Fiquei super feliz pelo link vindo do melhor blog de viagens do Brasil, obrigada Riq!

Tudo sobre New Orleans

January 22nd, 2011 by Luciana Misura

Publiquei os relatos com muitas fotos e vídeos da nossa viagem a New Orleans. Foi rapidinho mas valeu muitíssimo a pena.

De molho

January 18th, 2011 by Luciana Misura

Chegamos ontem de New Orleans e Julia veio de lá febril, piorou de noite e hoje a febre ficou indo e voltando o dia todo…passei o dia com ela em casa e acho que amanhã vai ser igual, deve ser uma virose chatinha. A viagem foi ótima, apesar de alguns percalços com o hotel (tivemos que mudar de hotel!), mas adorei a cidade, tão diferente de todas as outras nos EUA.

New Orleans: Resumo de viagem

January 18th, 2011 by Luciana Misura

Balanço da viagem: New Orleans é uma cidade única nos EUA, e está para o resto do país assim como a Bahia pro resto do Brasil. A arquitetura, a comida, a música, é tudo tão diferente do que a gente vê nas outras cidades americanas, vale muito a pena visitar. Gostamos muito tanto da cidade (French Quarter, downtown, Garden District) quanto dos arredores (as fazendas e o pântano); não fique só na cidade. Ficamos 2 dias inteiros e metade de um dia, então foi bem rapidinho. 4 dias inteiros dariam pra ver as atrações principais com calma.

A música é um capítulo a parte, você anda pelo French Quarter e as bandas de jazz e bluegrass/country tocando na rua são muito bacanas, e o Preservation Hall é um autêntico clube de jazz pequenininho onde você se sente íntimo dos músicos. Pra quem gosta de frutos do mar a comida local é imperdível, o gumbo, etouffé, jambalaya e afins me lembraram muito as comidas baianas (bobó, vatapá, etc). Quero voltar um dia pra ver o Mardi Gras e os pântanos cheios de jacarés (a data do Mardi Gras varia como a do nosso carnaval brasileiro) ;-)

Planejamento: usei o guia DK Top 10 New Orleans, o Viaje na Viagem, o site Frommer’s e essa lista 25 razões pra visitar New Orleans com crianças.

Usei como sempre o Google Maps pra marcar todos os pontos de interesse da viagem, e o meu mapa com tudo já marcadinho está aqui. Acessava o mapa pelo iPhone através da app My Maps, que foi a mesma que usei na viagem pra San Francisco e Londres.

Chegada: Infelizmente não tem vôo direto de Austin pra New Orleans e são 8h30 de viagem de carro, então tivemos que fazer um vôo chatinho com conexão em Houston pela Continental. São 2h de vôo apenas, que viram umas boas 5 horas contando o tempo do check-in, espera entre os vôos, desembarque, malas, etc.

Transporte: Pegamos táxi do aeroporto pro hotel, o preço é tabelado $33 pra dois adultos do aeroporto pro French Quarter/downtown, não cobraram a Julia. Os táxis todos que vi eram bem caidinhos, uns carros super velhos, acho que não tinha visto ainda táxis tão velhos assim em outras cidades americanadas que visitamos. Ficando no French Quarter um carro é desnecessário e dá pra ir a pé pra todo lado. Quem fica em downtown (dependendo da parte), ou perto do Convention Center, vai precisar pegar um táxi ou o bondinho de vez em quando.

Passeios: Um carro alugado por um dia seria perfeito pra fazer os passeios nas plantations (fazendas de açúcar) sem ter que aturar os horários inflexíveis de um tour, a sinalização e estrada são boas. Nós usamos a Old River Road Plantation Tour, que foi razoável (o restaurante incluído foi péssimo) e a Cajun Pride Swamp Tour pro passeio no pântano, que foi legal mas no inverno os jacarés estão hibernando então é difícil ver um. Plantations bacanas: Oak Alley, Laura, Evergreen, Nottoway (você pode se hospedar nela). Não deixe de visitar a Laura plantation, que é a única fazenda creole dessas todas.

Se você for ao Mardi Gras World, eles tem um shuttle gratuito que leva e traz os turistas a partir da Canal Street, é só ligar pra lá e reservar.

Se for ao Audubon Zoo, que é o muitíssimo bem recomendado zoo da cidade, pode pegar o streetcar da St Charles Street (bondinho verde, custa $1.25) até o Audubon Park e caminhar pelo parque até o zoo.

Hotel: reservamos o Omni Royal Orleans, um 4 estrelas em prédio histórico no French Quarter pelo Priceline, e tivemos uma decepção enorme porque nos colocaram em um quarto barulhento e pequeno que dividia a parede com o elevador. Com a cama roll away que tínhamos pedido antecipadamente, não dava pra passar do quarto pro banheiro. O barulho dos cabos e freios do elevador subindo e descendo era insuportável, não conseguimos dormir, mas o hotel se recusou a nos trocar de quarto e depois de muita confusão conseguimos que eles nos deixassem fazer o check out antecipado. Acabamos usando nossos pontos e fomos para o J. W. Marriott New Orleans, que assim como o Omni é 4 estrelas (mas muito melhor) mas fica na Canal Street. Adoramos o J.W. Marriott: bonito, espaçoso e principalmente silencioso ;-) Fica em downtown mas é só atravessar a rua (Canal Street) e você está no French Quarter.

O nosso quarto do Omni Royal Orleans:

O nosso quarto no J. W. Marriott New Orleans:

Logística para crianças: a cidade (principalmente a área do French Quarter) é uma das menos práticas pra quem viaja com crianças pequenas que já encontrei nos EUA: a maioria dos lugares não deixa entrar pra usar o banheiro e não tem os trocadores padrão encontrados no resto das cidades americanas. É bom usar o hotel ou procurar as redes de fast food pras crianças usarem os banheiros ou pra você usar os trocadores, que são escassos.

Top 5 New Orleans:
- Andar pelo French Quarter e ir parando pra ouvir as bandas tocando na rua
- Jazz no Preservation Hall
- sair da cidade e passear nas fazendas e pântanos
- experimentar a comida cajun
- visitar o Mardi Gras World e ver os bastidores do carnaval

Não curtimos:
- muitas lixeiras pelas ruas e calçadas com um cheirinho não muito agradável, se no inverno é assim, não sei como será no verão
- os bêbados e cartazes de mulher pelada dos clubes de strip da Bourbon Street
- dificuldade de achar banheiros pra Julia
- o Omni Royal Orleans e toda a confusão que passamos com eles
- ficar presos aos horários do plantation tour, como queríamos estar passeando por conta própria!

Relato dia-a-dia:
1o dia: A New Orleans das fazendas e pântanos
2o dia: A New Orleans do French Quarter e do Jazz
3o dia: A New Orleans do Mardi Gras

A New Orleans do Mardi Gras

January 17th, 2011 by Luciana Misura

Acordamos com um dia lindo de sol e céu azul, mas até a arrumarmos tudo e terminarmos o check-out, umas nuvens já tinham aparecido no céu. Tudo bem, pelo menos estava melhor do que ontem e novamente a chuva não veio. Fomos andando pelo French Quarter novamente, passamos pela galeria do Blue Dog do artista local George Rodrigue (vi esse cachorro por todo lado), dessa vez rumo ao Croissant D’Or, que a Patrícia e o Stefan tinham indicado pra tomar um café com croissants deliciosos. O que me convenceu de verdade: eles tinham a Galette des Rois, que é uma tradição francesa do dia de Reis que eu queria experimentar. Os croissants estavam gostosinhos (de maçã e de presunto e queijo, Gabe comeu uma quiche) e eu adorei a galette, com massa folhada e recheio de frangipane (uma pasta de amêndoas). Passamos numa loja de souvenirs na rua Royal (que realmente tem as melhores lojinhas do French Quarter) pra comprar pralinés, o doce típico da cidade. De lá pegamos um táxi rumo ao Mardi Gras World.






O Mardi Gras World é a versão gringa de um barracão de escola de samba. Aqui eles criam os carros alegóricos que desfilam no Mardi Gras, só que eles não são afiliados com nenhum bloco (krewe), e sim uma empresa que é comissionada por diversos blocos pra fazer os carros. Existem outras empresas na cidade como eles, mas segundo a guia, eles são os maiores e fazem carros alegóricos para quase todos os grandes blocos de New Orleans. Os grandes blocos tem em torno de 20 carros, sendo que entre 3-5 deles são os mesmos todos os anos (representam os blocos) e os demais mudam (representam o tema escolhido pelo bloco aquele ano). Os desfiles acontecem durante 3 semanas antes da terça-feira gorda (Mardi Gras). O ingresso é um colar de contas típico do carnaval, cada pessoa ganha um.

A visita começa com todo mundo se fantasiando e tirando fotos com o boneco do rei do Carnaval (super rápido), depois assistimos um filminho contando a história do Mardi Gras em New Orleans e quando acenderam as luzes, nos ofereceram o King cake, bolo de reis, que é uma tradição durante o carnaval daqui e tem a mesma origem da galette francesa do dia de reis. Dentro do bolo eles escondem um bonequinho de um bebê representando Jesus, e você só vai saber se achou o bonequinho quando comer o bolo. E não é que o Gabe achou o tal boneco!? Eles deram de brinde um outro colar de contas do Mardi Gras pra gente. Depois do bolo, começou a explicação de como são feitos os carros, os desenhos iniciais, e depois entramos no barracão propriamente dito, cheio de alegorias e carros em vários estados de acabamento, com algumas pessoas trabalhando (muitos estavam em horário de almoço, mas vimos alguns funcionários em ação). Eles tem muitas alegorias guardadas de outros carnavais, muitas vezes são reutilizadas, e a guia explicava como eles transformaram várias alegorias que a gente viu – um fazendeiro em soldado, uma Clark Kent em Elvis Costello, entre outros. Quando termina o tour guiado, você pode andar pelo barracão o quanto quiser, e fomos olhando os carros que estavam lá de perto, bem legal.










O Mardi Gras World fica na beira do rio Mississipi, e aproveitamos pra tirar umas fotos enquanto os navios passavam por baixo da ponte:

Na volta pegamos o shuttle gratuito que eles tem que vai do barracão até a Canal Street (não precisava ter ido de táxi).

Pegamos as nossas malas no hotel e de lá um táxi pro aeroporto. Dava pra ter passado num restaurante e almoçado, mas o pessoal do hotel nos aterrorizou com a hora que tínhamos que sair e seguimos a orientação deles; mas em 15 minutos estávamos no aeroporto sem nada pra fazer. Comemos no aeroporto mesmo, que não tinha muitas opções, e fizemos um vôo tranquilo pra casa com a Julia dormindo (ela começou a ficar doente, com uma febrinha). Adoramos a viagem, deu a maior vontade de voltar pro Mardi Gras!

Relato dia-a-dia:
1o dia: A New Orleans das fazendas e pântanos
2o dia: A New Orleans do French Quarter e do Jazz
3o dia: A New Orleans do Mardi Gras
New Orleans: Resumo de viagem

A New Orleans do French Quarter e do Jazz

January 16th, 2011 by Luciana Misura

Acordamos tarde depois de dormir por duas noites, nos arrumamos rapidinho e saímos para andar pelo French Quarter rumo ao Café du Monde, para experimentar o mais famoso beignet de New Orleans. O dia estava nublado mas pelo menos não estava chovendo como a previsão do tempo tinha indicado.

Fomos andando da Canal Street (onde fica o hotel) pela Chartres Street até lá (super pertinho). Estava lotado como sempre, mas a Patrícia tinha comentado que no tour do French Quarter que eles fizeram ontem, o guia avisou que a fila pra pegar uma mesa anda mais rápido que a fila pra comprar os beignets pra viagem, então eu fiquei na fila pra pegar uma mesa e o Gabe na outra – não deu outra, eu sentei rapidinho, e ele saiu da outra fila. Uma banda animada tocava jazz bem na calçada do café, então a espera na fila foi agradável :-) Logo depois a Patrícia e o Stefan chegaram pra comer os beignets com a gente. Sinceramente não achei nada demais! Me lembrou um bolinho de chuva brasileiro, só que com uma quantidade absurda de açúcar finíssimo por cima (parece um talco), comi um e já foi mais do que suficiente. Julia que gostou bastante, mas ela é uma formiguinha mesmo…






Fomos passeando pelo French Quarter depois do café, passamos pela Jackson Square que é a praça que fica em frente a Catedral, vimos um pouco do trabalho dos artistas na rua, entramos na Catedral (católica por sinal, e estava rolando uma missa, com direito a coral e órgão, lotada, bem interessante mas não podia fotografar ou filmar, Gabe tirou uma foto com o celular rapidinho) e continuamos andando e parando pra ouvir as bandas tocando na rua. Julia adorou as bandas na rua e também as charretes que levam os turistas em um tour do French Quarter (que aliás a gente devia ter feito com ela, mas bobeamos).




Resolvemos fazer o passeio de streetcar (bondinho) até o Garden District, pegamos o St Charles streetcar (bondinho verde) e demos sorte porque o leitor dos tickets estava quebrado e todo mundo entrou de graça (mas custa só $1.25 por pessoa). O passeio é bem legal, o bonde vai passando pelas mansões históricas do Garden District, Tulane e Loyola Universities, e continua até Carrollton, onde fica o ponto final e todo mundo tem que sair.

Pegamos o bonde de volta e descemos no Garden District pra explorar as ruas à pé. O bairro é bem bonito, cheio de carvalhos enormes e as casas históricas realmente lindas, vale a pena o passeio. Detalhe: muitas árvores cheias de colares de contas pendurados, que eles jogam durante o Mardi Gras. Andamos até o famoso restaurante Commander’s Palace que fica em frente ao Cemitério Lafayette No 1. Demos uma olhada no menu do Commander’s Palace mas achamos meio caro e ninguém ainda estava com tanta fome assim pra justificar, então seguimos em frente. O Cemitério estava fechado (fecham aos domingos!) e tinha um grupo no portão de entrada com um guia explicando tudo sobre os cemitérios locais – pra quem mora no Brasil a aparência desses cemitérios não são fora do comum, mas aqui nos EUA com seus cemitérios gramados, os cemitérios de New Orleans são atração turística. Um detalhe: as tumbas são todas acima do solo, porque a cidade está abaixo do nível do mar e os lençóis d’água são muito perto da superfície, então eles não podem cavar uma cova por aqui.










Pegamos o bondinho de volta, descemos na Canal Street e fomos andando pela famosa Bourbon Street, que é a rua das noitadas, cheia de bares, casas de strip-tease, restaurantes e lojas de souvenirs. Acabamos entrando no Galatoire’s, um dos restaurantes mais antigos da cidade, que ainda exige que os homens vistam um paletó e tem alguns disponíveis pra emprestar (Gabe e Stefan tiveram que vestir, surreal!). O restaurante é bem bonito com seu salão histórico, mas demorou muuuuuuito e achei a comida OK, nada demais. Gabe comeu um Frango Creole e eu comi um Omelete com Caranguejo e Aspargos com a idéia de dividir com a Julia (a maioria dos pratos principais achei que ela não ia qurerer comer) e acabou que nem o omelete ela comeu e eu não experimentei um prato mais autêntico…enfim. Saímos do restaurante, continuamos andando até o Preservation Hall, que é o clube de jazz mais autêntico da cidade e segundo tudo que li, também o melhor lugar pra ir assistir um show com crianças, já que eles não são um bar e não tem idade mínima por causa disso (os bares nos EUA não permitem menores de 21 anos de um modo geral). O primeiro show estava marcado pras 8 da noite, e combinamos com a Patricia e o Stefan de voltar e encontrar com eles lá. O Preservation Hall é essa casinha de madeira da última foto, super discreto.


Continuamos passeando pelo French Quarter, vimos algumas lojas de voodoo, que parecem lojas de material de candomblé que já vi no Centro do Rio (e não deixam fotografar). Passamos na frente de uma casa que a lenda garante ser mal-assombrada, a LaLaurie Mansion – a história é que a socialite Delphine LaLaurie torturava escravos e quando foi descoberta, a população queria vingança e ela fugiu para a França, mas a casa seria assombrada pelos espíritos dos escravos torturados. Algumas casas do French Quarter começavam a colocar decorações para o Mardi Gras, usando as cores tradicionais: verde, roxo e amarelo em luzes, faixas, fitas e máscaras.

Acabamos tendo que voltar pro hotel porque a Julia teve um acidente e molhou a roupa, tive que lavar e secar o casaco na lavanderia do hotel, demos jantar pra ela enquanto esperávamos. Só chegamos no Preservation Hall umas 9 da noite. Esperamos na fila uns 15-20 minutos e entramos: pequenininho e lotado, mas vale muito a pena! Ficamos lá atrás em pé mesmo, curtindo o show até a Julia não aguentar mais e pedir pra ir embora (o que não levou muito tempo, considerando a hora e que ela estava cansada). Vale lembrar que no Preservation Hall eles não vendem comida ou bebida, mas pode trazer bebida de fora (e no verão deve ser MUITO quente lá dentro, porque o lugar é micro e todo fechado). Mas nós amamos, foi o ponto alto da viagem.



Quando saímos, ela dormiu no carrinho e nós fomos jantar. Andamos até o Felix’s, que é um restaurante simples e autêntico de comida local. O forte deles são as ostras, mas como não comemos ostras, pedimos outros pratos tradicionais cajun. Comemos um Blackened Alligator (jacaré) de entrada (parece frango, igual ao crocodilo que experimentamos na África do Sul), eu comi um Po’Boy de camarão delicioso que vinha com uma Étouffée, mas achei meio enjoativa e quase não comi. Gabe foi de Red Beans and Rice, e gostou bastante. Voltamos pro hotel acabados, nem arrumamos nada pra fazer check-out no dia seguinte.

Relato dia-a-dia:
1o dia: A New Orleans das fazendas e pântanos
2o dia: A New Orleans do French Quarter e do Jazz
3o dia: A New Orleans do Mardi Gras
New Orleans: Resumo de viagem

A New Orleans das fazendas e pântanos

January 15th, 2011 by Luciana Misura

Acordamos cedo no nosso primeiro dia na cidade, depois de uma noite péssima no quarto barulhento (depois vou contar o problema com o hotel). Estava um dia lindo de sol e céu azul. Nos arrumamos rapidinho, pegamos um café-da-manhã para viagem no restaurante Rib Room no primeiro piso do hotel e levamos para o micro-ônibus do tour que nos levaria para um passeio pelas históricas fazendas de açúcar nos arredores de New Orleans. Fizemos o tour pela empresa Old River Road Tours. O motorista-guia era um senhor simpático que ia falando da história da cidade enquanto parava nos demais hotéis pegando o resto dos passageiros do tour. Pegamos uma das muitas estradas suspensas (o pântano embaixo), cruzamos o rio Mississipi e daí a estrada antiga (Old River Road) que liga New Orleans a Baton Rouge (capital do estado) e que era a estrada das fazendas: literalmente centenas de fazendas de açúcar e algodão dominavam a área nos idos de 1800.

Poucas fazendas foram preservadas, e nesse tour visitamos duas bem distintas: Oak Alley Plantation e Laura Plantation. A Oak Alley foi construída em estilo neoclássico, que era a moda na época (1830s) entre as famílias ricas locais. A Laura Plantation é em estilo creole, foi construída em 1805. Creoles eram os descendentes dos franceses e espanhóis que habitavam New Orleans muito antes da compra dessa área pelos EUA. Essas fazendas de açúcar onde o trabalho escravo era usado são chamadas de antebellum farms, que significa “antes da guerra”, no caso a guerra de secessão, vencida pelo norte dos EUA e que libertou os escravos.


A Oak Alley Plantation impressiona pelos carvalhos (oaks) de 300 anos que formam um “caminho” (alley) entre a casa e o rio Mississipi. Quando a fazenda foi comprada e a casa construída, esses carvalhos já tinham nada menos que 100 anos de idade. A casa é bem bacana mas infelizmente eles não permitem fotos lá dentro (tirei uma na sala de estar sem saber, antes deles avisarem). A nossa guia foi explicando a história da fazenda, dos donos, da casa, e dos futuros donos que criaram uma fundação para manter a fazenda aberta a visitas depois que eles morreram. Os móveis e objetos não são originais (tem 1 ou 2 móveis originais), mas a decoração é de época e os costumes que a guia ia explicando eram bem interessantes, como o “abanador” em cima da mesa de jantar, que era operado por um escravo por horas a fio, a prataria que era posta à mesa de forma invertida pra mostrar o brasão da família gravado atrás, gelo era comprado e colocado em cima da mesa pra refrescar os hóspedes e uma armadilha de vidro que ficava na mesa de jantar para capturar insetos (afinal, essa região é de pântano e super quente no verão). O tour levou uma hora, e tivemos pouco tempo pra andar pelos jardins, infelizmente (por isso não gosto de tours!).






Da Oak Alley fomos para a Laura plantation, de estilo creole, completamente diferente. Além da casa principal, 6 casas de escravos ainda estão de pé, e outras estruturas da fazenda em diversos estados de conservação podem ser vistas pelo terreno. Assim como a Oak Alley os móveis e a decoração são de época mas não são os originais. Interessante que a família creole dessa fazenda era dominada pelas mulheres, e a fazenda passava para o filho que fosse mais competente, independente de ser homem ou mulher. No caso dessa família, foram 3 gerações de mulheres que gerenciaram a plantação – a lei dos creoles dava as mulheres os mesmos direitos de propriedade que os homens, diferente das famílias de origem anglo-saxã, onde o filho homem mais velho era automaticamente o herdeiro do negócio. A senhora chamada Laura que dá o nome a fazenda viveu até seus 101 anos e seus diários foram publicados em um livro: Memories of the Old Plantation Home: A Creole Family Album. Na verdade ela nunca chegou a gerenciar a fazenda, pois decidiu adotar o estilo americano de vida – casou com um americano e foi morar no norte dos EUA, traumatizada pela brutalidade da vida na fazenda e o tratamento dos escravos.








Outras plantations interessantes ficam nessa região, mas não faziam parte do nosso tour, o pessoal no nosso ônibus mencionou duas: Evergreen (que vocês podem ver na primeira foto mas a gente não entrou) e Nottoway. Depois do tour na Laura plantation, o guia nos deixou num restaurante (ruim, ruim) e de lá uma van nos pegou pro passeio no pântano, com a Cajun Pride tour.

Felizmente a temperatura estava agradável e não estava ventando pro passeio no barco, infelizmente nessa época do ano os jacarés estão hibernando e só vimos um, que por sinal só estava na beira do rio porque tinha morrido alguns dias antes. Não tinha mais ninguém no barco então foi um passeio particular, fomos fazendo perguntas sobre o lugar e o guia ia mostrando os pássaros e árvores típicos, foi bem bacana mesmo sem os jacarés. No final, pra nossa surpresa, ele tinha um filhote de um ano e meio com ele, que vocês vêem nas fotos. Ele cuida de 4 filhotes de diferentes idades pra mostrar pros turistas, e quando eles ficam maiores, voltam pro pântano. Ele contou das vezes que foi mordido por filhotes e por um jacaré adulto, durante um tour, enquanto estava jogando comida pra eles (o jacaré levou um pedaço do dedo, o que ele disse que foi a maior sorte, podia ter sido a mão inteira). Uma senhora simpática foi a nossa motorista da van de volta pro French Quarter, nos contando dos bichos dos pântanos, história da cidade e do carnaval local, o Mardi Gras.









Uma curiosidade é esse gatinho da última foto com a Julia e o Gabe, ele é o gatinho desse famoso vídeo aqui:

Chegamos no hotel lá pelas 5 PM e pedimos novamente pra mudar de quarto, eles negaram e passei a próxima hora no telefone com o Priceline, até finalmente discutir com o gerente do hotel a situação e fazer com que eles concordassem da gente fazer o check out naquele momento. Arrumamos as nossas coisas e saímos de mala e cuia pela rua procurando um restaurante pra poder sentar e ligar pra outros hotéis com calma. Fomos pro Palace Café na Canal Street e depois de uma pesquisa rápida por alguns sites acabei ligando pra Marriott e reservando um hotel usando os nossos pontos, o Courtyard ali pertinho.

Enquanto a gente estava no Palace Café resolvendo a confusão, a Patrícia e o Stefan, que estavam visitando a cidade também, foram até lá encontrar com a gente. A Patrícia mora em Houston atualmente e lia o blog há anos, e quando vimos que a gente estava indo pra New Orleans ao mesmo tempo, trocamos telefones. Eles são super simpáticos e Julia adorou conhecer os tios! A comida estava boa mas eu estava ainda estressada com a história do hotel e nem comi direito. Tomei um Hurricane, que é o famoso drink local. A Patrícia e o Stefan acabaram nos ajudando a levar as coisas pro novo hotel, e ficaram esperando com a gente enquanto trocávamos o Courtyard pelo J.W. Marriott na outra esquina, porque o Courtyard não tinha um quarto que coubesse uma cama extra pra Julia. E lá fomos nós pro J.W. Marriott, que fica na Canal Street mesmo, e por lá finalmente ficamos, ufa! Fomos dormir exaustos, e combinamos de encontrar a Patrícia e o Stefan no dia seguinte, no French Quarter. Amanhã é dia de ver a parte mais antiga e famosa da cidade, espero que a chuva prevista não apareça.

Relato dia-a-dia:
1o dia: A New Orleans das fazendas e pântanos
2o dia: A New Orleans do French Quarter e do Jazz
3o dia: A New Orleans do Mardi Gras
New Orleans: Resumo de viagem

Tristeza e revolta

January 14th, 2011 by Luciana Misura

E já são 524 pessoas mortas por causa das chuvas na região serrana do Rio. As fotos da destruição são impressionantes.

Mas maior que a tristeza é a revolta, por ver que todos os anos a história se repete. Quando é que esses governos todos vão parar de falar e fazer alguma coisa? O Brasil só vai ser um país sério quando aprender com os erros e resolver esses problemas básicos. 524 mortos é número de guerra, de massacre, não pode ser por causa de chuva. O furacão categoria 5 Wilma que devastou Cancún no México fez muito menos vítimas (22!). É uma vergonha.

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A Juliana escreveu nos comentários:

Aqui na Australia 3/4 do Estado de Queensland, que e o segundo maior Estado em area, ficaram em baixo de metros de agua (cerca de 9 metros nas regioes mais afetadas). O desastre incluiu uma massa gigantesca de agua (flash flooding) que atingiu uma das cidades e elevou os niveis de agua em 9 metros dentro de menos de 24 horas. Total numero de mortos: 18!!! Como eh possivel um numero como 524 pessoas mortas na regiao serrana do Rio???

Exato. É por isso que a situação no Rio é revoltante. Em país desenvolvido, como a Austrália, uma enchente muito pior mata 18 pessoas. É como um terremoto no Japão e o terremoto no Haiti.