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Archive for the ‘(anti)guerra’ Category

Ainda continuam com essa palhaçada

Junho 17th, 2003 by Luciana Misura

Incrível, mas os noticiários por aqui AINDA continuam se comportando da pior maneira possível com o assunto Guerra no Iraque. Eu juro que fico impressionada, achei que depois da palhaçada que foi essa guerra e de não terem obviamente encontrado o que eles diziam procurar, a imprensa nesse país teria um pouco de vergonha na cara. Mas as reportagens continuam apoiando o presidente, acho que os meios de comunicação já decidiram que querem reeleger o caubói, só pode ser. Por mais que existam uns poucos artigos que tenham alguma crítica à guerra, eles sempre fecham as matérias falando o lado positivo, fica sempre um clima de “falam mal mas no fim tá tudo certo”. Juro que tento não ler mais, para não me irritar, mas qualquer site de notícias continua com a guerra na primeira página.

Onde estão as armas mesmo?

Abril 30th, 2003 by Luciana Misura

A Valéria deu a dica que na Time tem uma matéria falando que a guerra acabou e ninguém achou nenhuma Arma de Destruição em Massa (WMD em inglês). O Pentágono então sai com essa:

The Pentagon (..) offered $200,000 bounties for any weapons of mass destruction (WMD) uncovered. Local officers were authorized to make payments of $2,500 on the spot. “The White House is screaming, ‘Find me some WMD,’” says a State Department official, adding that the task is one of many suddenly facing the department. Members of the Administration must feel a new bond with Blix, since they are now the ones arguing that these things take time. Traduzindo: O Pentágono ofereceu 200 mil dólares de recompensa por qualquer arma de destruição em massa que for encontrada. Os oficiais estão autorizados a fazer pagamentos de 2.500 dólares no local. “A Casa Branca está desesperada pedindo “Encontre alguma Arma de Destruição em Massa”, diz um oficial do Departamento de Estado. Membros da Administração devem estar se sentindo solidários com Hans Blix (o líder dos inspetores da ONU), agora que eles estão na posição de dizer que estas coisas levam tempo.”

Ohhh, que descoberta fantástica. Dois comentários:

1) Todo mundo sabia que essa guerra não era por conta de armas de destruição em massa, agora isso só se confirmou. O pessoal da ONU (os inspetores) devem estar rindo dos americanos.

2) Achei que os americanos fossem “plantar” umas armas pra não passar por essa situação ridícula, e se não plantaram antes, agora com essa recompensa modesta de 200 mil dólares, vai aparecer um monte de armas. É uma palhaçada mesmo.

Brasileiros no Iraque

Março 28th, 2003 by Luciana Misura

A Folha de S. Paulo está publicando os relatos de dois jornalistas brasileiros que estão em Bagdá cobrindo a guerra. No Diário de Bagdá eles falam dos acontecimentos e de curiosidades sobre a vida e cultura local. Pelo que eles escrevem e pela forma como fazem, tinha tudo para ser um blog.

E o prédio da imprensa foi destruído em um ataque, mas que “precisão cirúrgica” foi essa? Estão querendo tirar a imprensa da jogada ou foi só um acidente, o que pior de assumir, que eles erram ou que querem os jornalistas fora para mostrar só o que interessa?

Detalhe do título da cobertura da Folha, que não está chamando de Guerra no Iraque ou nada parecido: é Ataque do Império mesmo.

Problema com o Peaceblos

Março 28th, 2003 by Luciana Misura

Gente, o Peaceblogs teve um “problema” com o banco de dados e alguns sites que tinham sido cadastrados foram perdidos. Dêem uma olhadinha por lá e confiram se os seus sites estão na lista ou se cadastrem novamente.

Eles colocaram “problema” entre aspas, será que hackearam?

Sem saber o que acontece

Março 27th, 2003 by Luciana Misura

A guerra acontecendo e eu me sinto sem saber em que notícias acreditar. As emissoras daqui só fazem propaganda, não davam informações confiáveis antes da “invsão” começar, agora então nem pensar. Só tem aquelas notícias de que tudo está indo muito bem, que os EUA estão ganhando a parada, que os iraquianos se rendem, que nenhum americano morreu e que os helicópteros “caíram”. Sei…

No outro lado também não dá para acreditar, obviamente o bigodudo lá do Iraque também não vai dizer que está se dando mal, então fica realmente difícil saber o que REALMENTE está acontecendo.

Alguns blogs e sites “independentes” estão conseguindo passar informações mais plausíveis, como:

Salam Pax, com o seu Where is Raed?, morador de Bagdá escrevendo em inglês o que tem acontecido na cidade (saíram matérias sobre ele na BBC e na CNN já. o site virou referência);

No War Blog, que vai pescando notícias relevantes e fazendo bons comentários;

Back to Iraq, um jornalista independente pago via Pay Pal pelos internautas para escrever sobre a guerra diretamente do Iraque;

Blog da BBC, os jornalistas enviados pela BBC fazem seus comentários neste blog;

Kevin Sites, o jornalista enviado pela CNN estava dando a sua visão da guerra mas a CNN já mandou o cara calar a boca;

Truth out, um site “independente” de notícias;

Iraq Body Count lista o número de mortos nesta guerra fazendo um sumário de acordo com as notícias publicadas em diversos jornais;

Iraq Watch da Znet com ótimos artigos relacionados a guerra;

Os “aliados” e “inimigos” usam as mesmas táticas, como fica claro na entrevista da CNN.

Peguei esses links no Toplinks, no site da Leda e o Karel (sem blog) me mandou por email, obrigada.

Depois das bombas

Março 21st, 2003 by Luciana Misura

E como a gente que mora aqui nos EUA está cansada de saber, sempre rolam manifestações anti-guerra que são solenemente ignoradas pela mídia. Por isso que os blogs são bacanas, mostram o que esses mercenários das redes de TV estão fingindo que não vêem. Vão lá no blog da Fernanda ver a manifestação em Davis, na Califórnia. A Adriana também viu um protesto em Chicago.

Não interessa se a cidade é grande ou pequena, todas as cidades por aqui já tiveram algum tipo de mobilização. Cartazes NO WAR e PEACE nos jardins das casas são frequentes, e volta e meia tem uma vigília ou passeata. Mas isso a mídia aqui não divulga - e quando divulga, sempre com números infinitamente menores e na maioria das vezes tentando desmoralizar os protestos, e por consequência, os meios de comunicação no mundo também não ficam sabendo. E fica todo mundo acreditando que a população aqui apoia essa guerra maluca, o que está longe de ser verdade. Só quando surgem coisas como o Peaceblogs é que você vê quantas bandeirinhas americanas que tem por lá, e que tem muita gente bastante insatisfeita com os rumos que esse governo está tomando.

Update: matéria no Globo sobre as manifestações nos EUA.

E começou a guerra ridícula

Março 20th, 2003 by Luciana Misura

E começou a guerra ridícula do “bem contra o mal”. Acho que esse pessoal anda lendo muita história em quadrinhos, esqueceram de contar pra eles que aquilo é ficção. Só espero que a ONU tenha uma resposta adequada para essa rebeldia dos americanos, que adoram falar que o Iraque não cumpriu as determinações da entidade. Esse pessoal nunca teve mãe pra falar que um erro não justifica o outro?

Espero que isso tudo acabe rápido e que o pessoal da segurança por aqui tenha a consciência de que meio mundo árabe deve estar preparando uma resposta terrorista. O presidente vai se meter no país dos outros, sem ser chamado e de quebra ainda arruma problema para “dentro de casa”. Quem vê até pensa que ele não tem mais o que fazer. Mas a economia americana que enfrenta a pior recessão dos últimos anos mostra que não é bem assim. Ah ta, desculpa, não podia contar que a guerra era pra tirar a atenção da incompetência pra resolver os problemas internos?

Para quem me pergunta como está o clima por aqui: não mudou nada, os americanos são muito confiantes que essa guerra vai ser travada lá longe, como todas as outras. Não acreditam que o Iraque tenha poder suficiente para atacar militarmente, e isso eu também acho. Mas não estão contando com os terroristas. A maioria acha que não tem a ver os grupos terroristas (que estavam no Afeganistão) com o Iraque. Claro, esqueceram que o fraco desse pessoal é História e Geografia? Só espero que qualquer coisa que estejam tramando, a segurança descubra a tempo. Eu vou ficar de olho nos níveis de alerta.

Cadê o Free Speech?

Março 5th, 2003 by Luciana Misura

A Anna me mandou a notícia mais absurda que li recentemente: Advogado preso por usar uma camiseta pela Paz. Foi no estado de New York, e o cara é advogado para sorte dele, porque poderia ter sido qualquer um. Ele estava dentro de um shopping, comprou por lá mesmo uma camiseta dizendo “Give Peace a Chance” (Dê uma chance a Paz) e enquanto lanchava com o filho na praça de alimentação, foi abordado por seguranças do local que o mandaram tirar a camiseta. Ele não concordou e foi preso por trespassing (ofensa) porque ficou em um local desrespeitando as regras estabelecidas.

Logicamente ele foi solto logo depois, e deveria processar o shopping, já que a “lei” do shopping viola o direito de liberdade de expressão garantido na constituição americana e um dos maiores orgulhos do povo por aqui. Contei pro meu marido e ele a princípio achou que fosse brincadeira, depois ficou chocadíssimo. É que o free speech (liberdade de expressão) é realmente um dos pilares desse país, e uma situação dessa é um absurdo tão grande como se estivessem dizendo pros brasileiros que comer arroz-com-feijão foi proibido. Na visão local, esse tipo de situação desrespeita a imagem que eles tem do próprio país, que eles acreditam tão justo e abala a confiança que eles tem no governo. O que no final das contas, pode ser bom despertar esse tipo de sentimento.

Rooting out evil

Fevereiro 20th, 2003 by Luciana Misura

É engraçado mas representa o que o mundo anda comentando: Rooting out evil.

A mensagem deles: “Junte-se a nós para contestar os países perigosos que produzem ou escondem armas de destruição em massa. Rooting out evil (algo como Arrancando a raiz do mal) vai enviar um time de inspetores de armas para os EUA para inspecionar as armas químicas, biológicas e nucleares produzidas e escondidas durante o mandato de Bush. Selecionamos os EUA como nossa prioridade de acordo com o critério utilizado pela administração Bush. De acordo com estes critérios, os países mais perigosos são aqueles que tem líderes que: 1) tem grandes estoques de armas químicas, biológicas e nucleares; 2) ignoram as regras e julgamentos da ONU; 3) se recusam a assinar e honrar tratados e alianças internacionais e 4) chegaram ao poder através de meios ilegítimos ou duvidosos. A administração atual dos EUA preenche todos os itens deste critério.”

Lição de “patriotismo”

Fevereiro 19th, 2003 by Luciana Misura

Depois ninguém entende porque os americanos são tão nacionalistas: o problema começa na escola. Você começa a ler, pensa que os professores estão tentando promover um debate sem ser parciais, mas depois os mesmos professores começam a desfiar um festival de absurdos. Coitados dos estudantes, se não tem pais para esclarecer as coisas em casa; e se os pais não passaram pela mesma lavagem cerebral quando estavam na escola. Ao invés de ensinar que a guerra é a última solução, ensinam que os valores americanos são tão importantes que devem ser defendidos a qualquer custo, mesmo em uma guerra. Com professores como esses, quem precisa de mídia escondendo as manifestações pela paz?

Mas o maior problema, e isso nós brasileiros não entendemos porque não temos uma situação histórica como a deles, é que grande parte da população confia de que tudo o que o governo faz, é na melhor das intenções. Até mesmo o pessoal que é contra a guerra pensa assim. São raríssimos - só conheço uma pessoa - os americanos que desconfiam totalmente do governo, que pensam que eles não estão mesmo nem aí pra nada, só querem dinheiro e pronto. Parece inocente? De boas intenções o inferno está cheio? Concordo, mas isso porque sou brasileira, e vivi a vida toda em um país onde o governo nunca serviu ao povo, e sim aos seus próprios interesses. Desde pequena ouvia o meu avô falar que político é tudo ladrão e que isso nunca ia mudar, que nem os meus netos veriam um governo que se preocupasse com os interesses do povo. Então, para nós, brasileiros, essa confiança no governo e suas boas intenções é quase uma piada.

Só que aqui, bem ou mal, um país de mais de 250 milhões de pessoas, os serviços públicos existem, a grande maioria das pessoas tem casa para morar, comida na mesa, escola para os filhos, coisas que no Brasil são um sonho para mais de 50 milhões de pessoas que vivem na miséria. As pessoas aqui aprenderam a confiar nas boas intenções do governo porque tem resultados para justificar, e então essa pregação das escolas e da mídia encontra ouvintes que estão preparados para aceitar a história. E é claro, todos os deslizes da política externa, que são os motivos do sentimento que vem crescendo no mundo contra este país, são deixados de lado. Um aluno perguntou ao professor “por que eles nos odeiam” (referindo-se ao Iraque), e ao invés da resposta ser todas as políticas externas absurdas dos últimos sei lá quantos anos, é a ladainha simplista “o ditador governante malvado que tem lá fez lavagem cerebral neles”. Ah sim, e ele fez no mundo todo também?

Mas isso as crianças e adolescentes não vão saber.

O mundo pede “No War”

Fevereiro 15th, 2003 by Luciana Misura

E hoje foi o dia dos protestos globais contra a guerra, você participou?

Aqui em Detroit estava um frio desgraçado, estávamos a caminho do local combinado para o protesto ouvindo o rádio e o locutor anunciou que a temperatura era de -5 graus negativos mas com o vendaval absurdo, a sensação térmica era de -21 graus! E a gente indo para rua, eu já pensando que não ia ter ninguém que aguentasse o frio, mas 2 mil pessoas desafiaram o vento cortante e estavam na rua, com cartazes “No War”. Não durou muito tempo, em uma hora já estava todo mundo dentro do centro de convenções que era o destino final, fazendo batucada e cantando com os cartazes em punho. Em todas as grandes cidades americanas os protestos se repetiram, com 350 mil pessoas segundo os organizadores (100 mil segundo a polícia) em New York apesar da briga na justiça para a realização do evento. Engraçado que em nenhuma matéria foi mencionado o número de pessoas, li tudo na CNN e eles só falam em “centenas” ou “milhares”, mas não dizem quantas. Bem estranho, estão escondendo alguma coisa?

Mas pelo menos fizemos a nossa parte, juntamente com milhões de pessoas pelo mundo que saíram as ruas hoje. No meio da confusão de gente, ainda encontramos a Kelyndra com as crianças, que apesar da pouca idade estavam segurando um cartaz também. As melhores frases que vi nos cartazes: “Se ser americano é fazer guerra e atacar inocentes, estou fora dessa”; “Pare: doença do cowboy maluco”; “Dinheiro para empregos, não para guerra” e até um cara fantasiado de morte, com foice e tudo. Espero sinceramente que isso tudo sirva para alguma coisa.




Marcha pela Paz

Fevereiro 14th, 2003 by Luciana Misura

Amanhã é dia de Marcha contra a Guerra em mais de 600 cidades nos EUA e no Mundo (incluindo Rio e Sampa, entre outras). No site United for Peace tem a lista das cidades que estão se mobilizando, participe!

Noticiários bestas

Dezembro 12th, 2002 by Luciana Misura

Juro que não tenho paciência nenhuma de acompanhar as notícias aqui dos EUA. TODOS os noticiários só falam da guerra o tempo inteiro. ARGH. Não tenho saco para essa palhaçada toda, essa briguinha infantil, parece coisa de irmãos, aquelas picuinhas que não são baseadas em argumentos sérios, é mais por implicância do que qualquer outra coisa. Bem que eu tentei, entro todos os dias na CNN, na ABC, em um monte de outros sites, mas é só disso que eles falam.

Será a guerra?

Novembro 9th, 2002 by Luciana Misura

Ih, acho que agora vai ter guerra mesmo…a ONU entrou na jogada e deu um ultimato ao Iraque, agora só se o cara de quepe lá no Oriente Médio for muito esperto para sair dessa. Confiram os acontecimentos nos próximos capítulos nos noticiários internacionais. E torçam para o Playstation 2 do tio da Casa Branca chegar a tempo…

Protesto contra a Guerra no Iraque

Setembro 2nd, 2002 by Luciana Misura

Guerra contra o Iraque quase lá, eu pergunto para algumas pessoas por aqui o que eles acham e o irmão do Gabe (com adesivos anti-guerra espalhados pelos vidros do carro) me diz que vão fazer um protesto contra o possível ataque na semana que vem (o protesto, não o ataque). Quero ir.