Um ano depois…
September 26th, 2005 by Luciana MisuraColoquei o relato e fotos dos dois dias finais da nossa viagem à África do Sul. Um dia com as baleias em Hermanus e um passeio as vinícolas de Cape Town.
Coloquei o relato e fotos dos dois dias finais da nossa viagem à África do Sul. Um dia com as baleias em Hermanus e um passeio as vinícolas de Cape Town.
1o dia: Chegando em Johannesburgo
2o dia: Lion Park e Kruger Park e O fantástico Kruger Park
3o dia: Segundo dia de safari
4o dia: Último safari
5o dia: Cape Town
6o dia: Cape Peninsula
7o dia: Hermanus: um dia com as baleias
8o dia: Vinícolas de Cape Town
Dicas de viagem
Para quem não viu: ontem coloquei as fotos do último safari e o primeiro dia em Cape Town, e hoje coloquei as fotos do passeio em Cape Peninsula. Ainda faltam dois dias de fotos…ah, e tem mais um monte de fotos no Fotolog. Normalmente eu não coloco fotos por lá que estão aqui e vice-versa. E isso porque nem coloquei as fotos da festa de Halloween lá do trabalho por aqui ainda.
Passei meses e meses procurando pacotes para a África do Sul e foi dificílimo de encontrar. Sei que a partir do Brasil tem muitos pacotes, mas daqui dos EUA é raridade – os grandes sites de viagens simplesmente ignoram o continente africano. Acabei encontrando em um site de leilão de viagens, o SkyAuction. A operadora do pacote foi a Springbok Atlas Tours, uma empresa sul-africana.
O serviço do SkyAuction foi excelente, tudo muito explicadinho por email e depois recebemos tudo pelo correio – itinerário, telefones de contato em cada lugar do roteiro, dicas do que levar na mala, etc. O serviço da Springbok foi médio – o problema todo foi criado porque o primeiro guia, que foi nos buscar no aeroporto, não nos entregou os vouchers e o itinerário final com horários. Durante a parte Johannesburg – Kruger Park, a empresa Safaris Direct foi a responsável pela viagem e passeios, e não tivemos nenhum problema, pois eles nos informavam todos os horários e detalhes que precisávamos. Quando chegamos em Cape Town, que cada dia tínhamos um passeio e guia diferente, em horários diferentes, é que o negócio se complicou. A pessoa que foi nos buscar, achando que tínhamos os vouchers, não levou uma cópia e não tinha certeza do endereço do nosso hotel. Também não sabíamos que o passeio do dia seguinte era as 9h da manhã, e não à tarde como estava no primeiro itinerário que recebemos na época da reserva. Nada que não fosse resolvido com um telefonema para a Springbok Atlas e a nossa agente, Helen, mandou tudo por fax e resolveu com o hotel a falta do voucher. Mas foi um primeiro dia enrolado.
Compramos vários passeios depois que chegamos diretamente com a Springbok Atlas: um dia na Cape Peninsula (em grupo com ônibus, mas o grupo eram 6 pessoas só); um dia em Hermanus com motorista-guia particular (que foi ótimo) e meio dia nas vinícolas com motorista-guia particular (pra gente foi a melhor opção disparada, porque não queríamos dirigir na mão inglesa e não queríamos ficar presos a horários de passeios em grupo).
Os hotéis do pacote foram fraquinhos, com exceção do hotel em Sandton, o Crowne Plaza, que foi legal. O Protea Kruger Gate e o Protea Sea Point ostentam 5 e 4 estrelas não sei como, porque eu daria duas estrelas para o primeiro (o quarto) e três para o segundo (depois que trocaram a gente de quarto, porque eu reclamei), no máximo. As áreas comuns – lobby, restaurante, bar, piscina, são compatíveis com as 5 e 4 estrelas, mas os quartos não (não que os quartos sejam ruins, veja bem, mas se você vai esperando um 5 estrelas e o quarto é equivalente a hotéis 2-3 estrelas que você conhece, a impressão não é boa).
Esta época do ano é perfeita para fazer esta viagem, setembro e outubro são os meses da primavera, com temperaturas amenas e raramente chove. Os safaris ainda são bons porque continua seco e as árvores e arbustos não estão densos com as folhagens, o que atrapalha para ver os animais no verão. O inverno é a melhor época para safaris justamente porque é bem seco, mas sinceramente eu acho que seria frio demais fazer os safaris em carro aberto no inverno (a temperatura pode chegar a 10 graus, e com o vento, sabe-se lá quanto). O risco de malária é quase nulo no inverno e vai aumentando com as chuvas. Para ir a Cape Town, esta época também é boa, porque as chuvas e dias cinza de inverno já passaram e ainda não está um calorão insuportável, além de ser a época ideal para ver as baleias antes delas voltarem para o pólo sul para o verão.
Quanto a malária: nós tomamos um remédio chamado Malarone, que é uma pílula que deve ser tomada um ou dois dias antes de entrar na área de risco, todos os dias durante a permanência na área e mais 5 dias depois que você sai da área de risco. Não tivemos nenhum efeito colateral com essa pílula.
O que é mais caro e chato nessa viagem é o vôo. Do Brasil é bem mais tranquilo, mas para a gente, daqui de Michigan foram 2 horas até Atlanta, e mais 16 horas e meia até Johannesburgo. De lá até Cape Town são mais 2 horas. Como o câmbio estava 6 Rands para 1 dólar, para jantar em qualquer restaurante era barato, incluindo os vinhos locais. Mas é bom ficar de olho no câmbio se você pretende ir, porque nem faz muito tempo era 12 Rands para 1 dólar.
Para levar na mala, roupas informais – usei tênis a viagem inteira, até mesmo de noite nos restaurantes ninguém ligava. Jeans direto, um casaquinho ou jaqueta jeans por causa do vento e roupas leves, incluindo blusas de manga comprida para os safaris, para evitar as picadas de mosquito e o risco de malária.
Fomos alertados quanto à segurança, mas não é nada que alguém que more no Rio ou São Paulo já não conheça. Tem favelas, tem pedintes, e o melhor a fazer é andar nas vans dos hotéis ou de táxi. E perguntar sempre para o pessoal do hotel quais são as áreas que mesmo durante o dia não são aconselhadas. Coisa que turista não sabe, mas os locais sabem muito bem.
O país lembra o Brasil em muitos aspectos, partes da paisagem, o jeito da cidade, a simpatia das pessoas. Os bichos são diferentes dos nossos, claro, e a experiência de vê-los de perto em um safari é incrível. A comida é boa, comem bastante carne vermelha e carne de caça (crocodilo, antílopes, avestruz, etc), com arroz ou batatas, molhos e saladas, não tive problemas. Frutos do mar são quase tão caros quanto no Brasil. O fuso-horário para a gente foi de 6 horas a mais, para quem está no Brasil acho que são só 3 horas a mais dependendo da época e horário de verão.
É uma viagem fantástica, vale muito a pena!
Cansados mas felizes, adoramos a viagem. Estou aqui às voltas com as 4 mil fotos que tiramos esses dias, acabei de postar o primeiro dia no Lion Park (18-10) , o primeiro (19-10), o segundo dia (20-10) e terceiro dia (21-10) no Kruger, e o primeiro dia (22-10) em Cape Town. Vou colocando tudo na ordem, então os posts vão aparecer aí embaixo na página. E tem algumas fotos no Fotolog também.
No nosso último dia na África do Sul, fizemos um passeio pelas vinícolas do Cabo, uma área muito bonita que preserva a arquitetura Cape Dutch e vitoriano, e tem cidadezinhas lindas entre as montanhas e as plantações de uva. Começamos por Paarl, depois Franschhoek, onde paramos na maravilhosa Boschendal, e finalmente Stellenbosch, que é a cidade que produz os vinhos locais mais famosos e tem uma universidade bem conceituada. Pra fazer esse passeio contratamos novamente um motorista-guia através da nossa agência local, que na nossa opinião foi mesmo o melhor método de andar por aqui (porque não queríamos dirigir na mão inglesa).
Boschendal é uma vinícola e fazenda que foi muitíssimo bem preservada e hoje é um museu. O interior ainda tem a pintura e os móveis tradicionais das fazendas prósperas da época, o jardim de rosas é de cair o queixo e tem várias casas menores onde moravam as pessoas que trabalhavam na fazenda, uma horta e um galinheiro. Como o Gabe não bebe e eu achei muito cedo pra tomar vinho (e também porque eu não bebo quando vou encarar horas e horas no avião), pulamos as vinícolas que ofereciam o wine tasting que é famoso na região. Uma da tarde estávamos a caminho do aeroporto, já com saudades do pouquinho que vimos da maravilhosa África do Sul.
Logo de manhã cedo partimos rumo a Hermanus, que é considerada a melhor cidade do mundo para ver baleias (da praia mesmo, sem barco). Esta área é onde as baleias da Antártida vem para ter os seus filhotes na primavera, antes de voltar para as águas geladas do pólo sul. Outra atração é o mergulho para ver os tubarões brancos, aquele onde você fica dentro de uma gaiola submersa com os tubarões brancos ao redor. Nem eu nem Gabe achamos a idéia muito atrativa, hehe. Um dos rapazes que estava no nosso ônibus no passeio para Cape Peninsula fez esse mergulho enquanto estávamos na praia observando as baleias, ele foi rodeado por 5 tubarões brancos e adorou a experiência.
Hermanus fica a 70 km leste de Cape Town, é uma cidade pequena e simpática, a “praia” (tem trechos de areia mas a maior parte em frente ao centro é pedra mesmo) é bem grande e tem bancos e mais bancos para acomodar o pessoal que fica de olho no mar o tempo todo. Infelizmente o tempo não estava muito bom, nublado e friozinho, mas as baleias não demoraram muito a aparecer. Uma, duas, três, quatro…não sei quantas vimos, volta e meia aparecia a cauda dando tchauzinho pra platéia na praia e mais ao longe algumas baleias arriscavam saltos espetaculares. Interrompemos o show quando bateu a fome, almoçamos em um restaurante ótimo em frente a praia que infelizmente não anotei o nome, mas fica bem em frente a essa placa da baleia.
A temperatura subiu durante o dia e o sol ameaçava sair, mas o vento não deu muita trégua. Eu já estava ficando com dor de ouvido só por causa do vento…Lá pelas 5 da tarde partimos para Cape Town pela estrada a beira-mar, que passa por várias cidades costeiras bonitinhas. A paisagem é lindíssima. Vimos dois Blue Cranes, que são o pássaro símbolo da África do Sul em uma fazenda na estrada. Também vimos muitas proteas, essas flores diferentes que são protegidas pelas autoridades e que fazem parte da paisagem tão especial dessa região. Encerramos o dia em Lion’s Rump, no mirante que fica lá em cima, apreciando o pôr-do-sol na pontinha do continente – os locais, bem preparados, faziam um pic-nic que estava com uma cara ótima.
De lá para o hotel e depois jantar africano no Khaya-Nyama, um restaurante bem bacaninha (e um pouco cafoninha na sua decoração theme park) no centro de Cape Town. Comemos carpaccio de crocodilo, kudu, avestruz e springbok de entrada e o prato principal foi filet de avestruz pra mim e filet de kudu para o Gabe, com acompanhamentos tradicionais que eu não faço a menor idéia dos nomes, mas sei que tinha feijão, arroz, milho e outras coisinhas gostosas. O filet de avestruz parece um filet de carne de boi mesmo, vermelho, mas não tem nenhuma gordura e o gosto é bem específico mesmo.
Passamos o dia na Cape Península, começamos descendo a costa oeste até o Cabo da Boa Esperança e depois subimos de volta pela costa leste. Vimos focas, baleias, pinguins, avestruzes, alguns springboks e babuínos pelo caminho. O dia estava perfeito, temperatura em torno de 26 graus, céu azul e uma brisa que soprava constantemente – acabamos com o rosto queimado de sol.