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Punta Cana, resumo de viagem

June 7th, 2011 by Luciana Misura

Ano passado comecei a ler sobre Punta Cana no Viaje na Viagem, depois de algumas pessoas conhecidas terem comentado que foram pra lá e adoraram. Uma praia lindona, resorts bacanas e com bom preço, não muito longe dos EUA, bati o martelo em dezembro e marquei a viagem. Não precisa nem fazer muita pesquisa pra ir pra Punta Cana, a parte mais difícil da viagem é escolher o hotel, porque tem muitas boas opções. A minha sogra ficou apavorada porque a República Dominicana divide a ilha de Hispaniola com o Haiti, e rolaram vários rumores de uma epidemia de cólera no início do ano que não se concretizou. Então no domingo 29 de maio embarcamos para uma semana de praia nesse paraíso tropical.

Voando pra lá – de Austin não tem vôo direto pra Punta Cana, tínhamos poucas opções e a mais rápida era o vôo da US Airways com conexão em Charlotte, Carolina do Norte. De Charlotte para Punta Cana (PUJ) são apenas 3h30 de vôo. Mesmo assim o preço da passagem foi alto e o serviço fraco de sempre da US Airways. Tem vôos diretos de Miami, Nova York, e algumas outras cidades da costa leste. Vistos não são necessários e você compra o visto na entrada por $10 dólares por pessoa e pronto. O aeroporto de Punta Cana é uma atração à parte, com telhados de sapê, tudo novinho e bem cuidado, com jardins lindos e músicos tocando já na chegada. O aeroporto não é fechado e não tem ar condicionado, mas não passamos calor, estava sempre soprando um ventinho gostoso. Você desce do avião direto na pista, e vai andando até o portão da imigração. Os aeroportos brasileiros podem ficar com inveja desse aeroporto simples, bonito e funcional.

Clima – em maio começa a temporada chuvosa, mas eu tinha lido que a chuva era do tipo pancadas fortes de verão no Brasil e que não atrapalhariam a praia. A previsão para a nossa semana por lá era de chuva todos os dias. Na realidade só pegamos chuva 1 dia (na sexta). Começou a chover torrencialmente por volta de 13h30 e não parou até de noite. No dia seguinte o tempo já estava bom para praia novamente e só choveu de novo lá pelas 9 da noite. A maioria dos dias variava de nublado a céu azul a nublado de novo.

Comunicação – eles falam espanhol, topam um portunhol básico e pouco inglês. Eu não tive problemas com o meu portunhol mas o Gabe teve dificuldade porque o inglês do pessoal é mesmo bastante limitado e mesmo ele falando português razoavelmente, não consegue entender espanhol.

Praia – a praia de Bávaro é mesmo muito linda. Água turquesa transparente e morna, areia branquinha com tonalidades rosadas e coqueiros até onde a vista alcança. É aquela imagem de praia perfeita que a gente vê em revistas de viagem. Infelizmente não demos sorte e pegamos muitas (MUITAS!) algas na praia. Já tinha lido reviews no Trip Advisor falando das algas e ainda não sei exatamente se é uma época do ano que tem as danadas das algas ou se é apenas relacionado a correntes marinhas, mas eram muitas mesmo. Certamente atrapalhou a gente a curtir ainda mais essa praia maravilhosa. Alguns dias pegamos menos algas, em outros mais. No dia da chuva misteriosamente tinha menos algas na praia. O hotel tem um grupo de funcionários limpando a areia algumas vezes por dia, tirando as algas que ficam acumuladas na beirada, mas na água não tem jeito. Achei a temperatura da água perfeita, melhor que Cancun, Playa del Carmen, Aruba, a gente achava a piscina fria em comparação. A gente só ficava na praia mesmo, fomos pra piscina duas vezes e olhe lá.






Hotel – Escolhemos o Barceló Bávaro Palace Deluxe que é o novo hotel do complexo Barceló e realmente lindo, na praia de Bávaro que é o filet mignon do lugar. Os quartos são modernos, bonitos, espaçosos, ficamos na categoria Junior Suite Deluxe Ocean Front View Club Premium, que é de frente pro mar, tem uma banheira de hidromassagem na varanda privativa e funciona no sistema VIP deles (Club Premium). O nosso quarto tinha duas camas, dois sofás grandes, uma mesa de trabalho com cadeira, TV de LCD, banheiro com 2 pias e um chuveiro enorme. Os serviços do Club Premium que usamos mais foram o check-in e check-out separados (sem fila) e o serviço de quarto (tomamos café da manhã no quarto quase todos os dias e almoçamos no quarto no dia da chuvarada). Os jardins e áreas comuns são muito bonitos e bem cuidados, tudo de muito bom gosto (com exceção do lobby principal que é meio exagerado).





A piscina é espetacular, enorme, e tem duas piscinas para crianças: uma pequena perto da piscina gigante dos adultos, com alguns brinquedinhos, e um “water park” que é uma piscina enorme cheia de escorregas, toboáguas, cachoeiras e afins só pra crianças, que fica em uma área separada da piscina principal e mais afastada da praia. A piscina principal tem duas áreas de hidromassagem, espreguiçadeiras submersas com mesinhas, bar molhado, chafarizes diversos, uma parte para quem quer nadar (lap pool) e uma área de treinamento pra mergulho. Não usamos as muitas quadras de tênis, o campo de golfe, vôlei de praia. Pegamos um dos caiaques pra 3 (incluso) para um passeio na praia em um dia de mar calmíssimo e sem vento e o Gabe queria ter testado o windsurf mas não se animou de fazer a aula (a aula é paga a parte, pra quem sabe usar é de graça). Tem uma área perto da piscina já na areia da praia que eles dão umas aulas de dança no meio da tarde, num esquema meio Porto Seguro com concurso de mulheres (hóspedes) dançando de forma sugestiva. Mas não dura muito tempo e não atrapalha quem não quer nada com isso.









O Kids Club é bem fraco, Julia não deu a menor bola e não quis ficar por lá. Não vi um playground tradicional, só o aquático. No site do hotel dizem que tem programação pra crianças mas ninguém soube nos informar que programação era essa. Mesma coisa em relação ao Teatro. Tem um teatro enorme, e toda noite tinha algum show rolando, mas ao perguntarmos ao concierge qual era a programação ele não tinha uma lista da semana por exemplo e não sabia o que ia ser apresentado naquela noite. Eles ainda tem que dar uma melhorada nessa parte de organização. Não entramos no cassino e nem na discoteca. Tem um spa bacana e tínhamos direito a uma sessão de hidroterapia cada um, mas não posso fazer por causa da gravidez e eles não tinham absolutamente nada pra grávidas no spa (e também diziam que eu não poderia fazer nenhum tratamento grávida, não sei por que, aqui nos EUA tem muitos tratamentos de rosto e corpo que são OK para grávidas). Gabe fez a tal hidroterapia e achou OK, mas disse que não pagaria pra fazer não. O fitness center fica no mesmo prédio que o spa e me pareceu bem completinho e moderno (mas só vi da porta, não fui testar).


Um sistema de som na beira da praia toca música instrumental 24 horas por dia. No começo não me incomodou mas no final da semana eu já estava pedindo pra alguém desligar a música pelamordedeus. O problema é que alguém programou as músicas (um número razoável) mas elas se repetem todos os dias. Então você passa 7 dias ouvindo as mesmas músicas quando está na praia. No nosso caso, com o quarto de frente (no 3o andar) eu ouvia a música baixinha lá longe mesmo na hora de ir dormir.

Comida – a maioria dos hotéis funciona no sistema all-inclusive, com todas as refeições e bebidas incluídas. A gente nunca tinha ficado em hotel all-inclusive antes, eu estava curiosa pra experimentar mas nunca quis ficar “presa” a um hotel porque a gente gosta de alugar carro e passear. Como Punta Cana é um destino pra ficar na praia fazendo nada mesmo (a maioria dos passeios interessantes é de barco), foi um bom destino pra testar a modalidade. Achei conveniente mas sinceramente achei a qualidade da comida muito fraca, e não pretendemos ficar nesse esquema novamente (a não ser que a gente ache all-inclusives com comida maravilhosa, mas parece que não é o forte da categoria).

O Barceló Bávaro Palace Deluxe tem 3 buffets (2 interligados perto da piscina e um mais afastado, só para adultos, que estava fechado durante a nossa estadia), um bar no estilo Sport Bar americano aberto 24h (com TVs mostrando vários esportes e sanduíches, hamburguer, etc) e 7 restaurantes a la carte: steakhouse (Santa Fe), francês (La Comedie), japonês (Kyoto), espanhol (La Fuente), mexicano (Mexico Lindo), italiano (La Dolce Vita) e frutos do mar (Coral). Os buffets abrem pro café da manhã, almoço e jantar e pode entrar com qualquer roupa ou roupa de banho por baixo (menos com toalha) e os restaurantes a la carte só abrem pro jantar e tem restrições de vestuário: homens só podem entrar de calça comprida e não podem usar sandálias. O Gabe esqueceu de levar uma calça comprida e acabou comprando uma numa loja do hotel na primeira noite pra poder entrar nos restaurantes o resto dos dias.

A comida dos buffets era fraquinha, mas a variedade era bem grande. Muitas carnes e peixes, estação de massas, várias saladas e muitas sobremesas, incluindo frutas tropicais e sorvetes. Vi camarão poucas vezes e frango também era escasso. A qualidade da comida me decepcionou um pouco, já comi em muitos restaurantes a quilo no Brasil mil vezes melhores. As sobremesas também eram bem fracas, todas muito parecidas – uma massinha, um creminho e uma fruta, o gosto era quase igual. E o sorvete com certeza foi o pior sorvete que já provei na vida! O sorvete da máquina ainda dava para encarar, mas o sorvete de massa que eles serviam no hotel inteiro era bem ruim (vale dizer que eu sou uma pessoa que não liga muito pra sobremesa, o meu negócio é sorvete). Alguém fala pra administração desse hotel que qualquer sorvete Kibon dá de mil a zero no que eles estão servindo por favor (não vou nem falar de marcas melhores, porque Kibon já seria uma evolução monumental). Pra quem não toma refrigerante ou bebida alcóolica o negócio fica complicado: só tem suco de laranja, abacaxi e às vezes limonada. Tem restaurante que só serve suco de laranja e pronto.

Os restaurantes a la carte também são fracos. O japonês foi o melhor (o teppanyaki, porque eles NÃO sabem fazer sushi, pedi uns rolinhos com camarão de entrada e com certeza entraram pra lista de piores sushis que já comi), seguido pelo mexicano, francês e steakhouse. O espanhol foi bem ruim e o italiano foi uma piada – a gente devia ter pedido massas que era menos provável que eles fizessem tão feio. Mas caí na bobagem de pedir um risoto de lagosta (HAHAHAHAHA um montinho de arroz microscópico com um caldo não identificado e uns micro pedaços de lagosta em volta) e o Gabe arriscou e se deu mal com um prato de vitela que não era vitela nem aqui nem na China. Não fomos no restaurante de frutos do mar porque o Gabe não gosta muito mesmo e eu já tinha lido várias reviews que era o pior de todos os a la carte, não dá nem pra imaginar.

Buffet:


Mexicano:


Japonês:



Steakhouse (a fome era tanta que quando lembrei de tirar a foto da comida era tarde):

Italiano:

Espanhol (ou “o dia que a Julia se rebelou e deu o maior trabalho no jantar”, nem conseguimos tirar fotos do restaurante):

Francês:



Serviço – no buffet eles são rápidos pra tirar os pratos, se você bobear e levantar pra pegar alguma coisa sem acabar de comer o que colocou no prato, corre o risco de voltar pra mesa vazia. Nos restaurantes o serviço é demorado, varia de um pro outro. Na hora de fazer o pedido, tem que pedir tudo de uma vez: entrada, prato principal e sobremesa. Mesmo assim chegamos a esperar quase 30 minutos depois que tiraram os nossos pratos até a chegada das sobremesas algumas vezes. O serviço de quarto também foi irregular, alguns dias o café-da-manhã chegou em 20 minutos, em outros dias levou uma hora (o mesmo pedido). Nenhuma vez eles acertaram de mandar água quente pra gente tomar chá (eu sempre dizia pra NÃO trazer café e mandar água quente pra chá, e eles sempre mandavam a garrafa de café de todo jeito). O almoço que pedimos no quarto foi ridículo: levou 1h40 minutos pra chegar. Eu liguei pro atendimento do Club Premium pra reclamar e não me deram nenhuma resposta, só que era “inadmissível”, mas ficou por aí. A arrumação do quarto era a mais consistente e eficiente, sempre no mesmo horário, tudo direitinho. E eles arrumam 2 vezes por dia, uma durante a manhã ou tarde, e uma segunda passada a noite, normalmente quando estávamos jantando. E a gente sempre dava gorjetas, primeiro em dólar e depois que o que trouxemos acabou, em pesos dominicanos, então não dá nem pra culpar falta de gorjetas por atendimento ruim.

Shopping – o hotel tem uma área de lojas que vendem souvenirs, roupas de marcas americanas e européias, agência de viagem, fotógrafo, duty free. A “farmácia” é uma piada, não conte com ela. Um casal com duas meninas que conhecemos não encontrou fraldas pra comprar, então pra quem vai com crianças é bom levar tudo de casa. Os preços são um pouco mais altos que os preços nos EUA, mas nada muito fora do normal.

Passeios – não fizemos nenhum. Não achei nada muito adequado para a idade da Julia, a maioria era de barco pra fazer snorkeling, ou lanchas de velocidade, ou por muitas horas. Crianças maiores que já nadam e podem fazer snorkeling com certeza tem mais opções do que os pequenos. O hotel é gigantesco e não dá pra fazer nada andando, e achamos desnecessário alugar um carro pra ir ao centrinho, do qual ouvimos falar mal.

Frequência – tinha gente de tudo quanto é lugar. Muitos europeus, sul-americanos, americanos, canadenses, literalmente tinha gente de tudo que é canto. Julia ficou amiga de uma menina argentina, uma chilena e 4 portuguesinhas, e brincou um pouco com um menino italiano e duas francesas também. Não encontramos crianças americanas, curiosamente. Vimos pouquíssimos brasileiros, 3 casais apenas. Bem diferente de Aruba e Cancun por exemplo, onde a maioria absoluta dos turistas vem dos EUA.