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Archive for February, 2003

Inglês de cozinha

February 26th, 2003 by Luciana Misura

Um pouquinho de vocabulário do dia-a-dia e diferenças domésticas. Estávamos reformando a nossa cozinha e trocamos o piso, countertop, faucet, cabinets, range, moldings and backsplash. Na ordem: bancada (em volta da pia, normalmente no Brasil é de mármore = marble, granito = granite ou aço inox = stainless steel), torneira, armários, fogão*, molduras (em volta das portas e o rodapé) e não temos uma palavra para backsplash, que é uma parte da parede atrás do fogão e da bancada/ pia revestida de azulejos, assim se espirrar alguma coisa é mais fácil de limpar. No Brasil não faz sentido porque normalmente as cozinhas e banheiros são totalmente revestidos com azulejos, mas aqui não, só essa área.

Sobre range = fogão: muita gente falaria stove, está certo também e as pessoas usam por aqui, mas quando a gente foi nas lojas para comprar o nosso, todos os vendedores falavam range e nos sites dos fabricantes idem (não me pergunte por quê!). Aqui é muito comum as pessoas terem a parte de cima do fogão e o forno separados, a parte de cima é instalada em cima da bancada (é chamada cooktop) e o forno (oven) fica separado em algum outro lugar da cozinha. Então range ou stove são como os nossos fogões tradicionais. Ah, e um sinônimo mais conhecido para cabinets = cupboards. Na hora que você vai comprar, alugar ou reformar uma casa, acaba se deparando com essas palavras que não estão muito presentes nas lições tradicionais dos cursos de inglês.

The Truth x cigarro

February 25th, 2003 by Luciana Misura

Um grupo de jovens chamado The Truth anda fazendo barulho por aqui. Com anúncios diretos e agressivos em TV e revistas, apoio de celebridades e um site bacana, eles querem mostrar a verdade sobre os males causados pelo cigarro. Mas não pense que eles são anti-fumantes, pelo contrário. A filosofia deles: Our philosophy isn’t anti-smoker or pro-nonsmoker. It’s not even so much about smoking. It’s about an industry manipulating their products, facts, and advertising to secure replacements for the 1200 customers they “lose” every day. You know, because they die. (Nossa filosofia não é anti-fumantes ou pro-não fumantes. Não é nem muito sobre fumar. É sobre uma indústria que manipula seus produtos, fatos e propaganda para garantir substitutos para 1200 consumidores que eles “perdem” por dia. Porque eles morrem, você sabe.)

Esse tom continua nos comerciais, como o que vi ainda pouco na TV. Uma mulher abre uma cortina, com a frase “Truth behind the curtain” (Verdade atrás da cortina). E explica: Este é um livro escrito pelo Presidente de uma companhia de cigarro para responder as perguntas mais complexas de seus executivos. Foi escrito em 1996. Por exemplo…Por que mesmo com todos os problemas descobertos relativos a saúde, você continua no negócio de cigarros? E a resposta oficial é: Nós acreditamos que podemos continuar o nosso negócio com sucesso. Então…440 mil pessoas morrem todos os anos, e isso é um sucesso.

E tem muitos, muitos outros anúncios, e eles tem dinheiro à moda americana: por determinação da Justiça, as indústrias de cigarro devem destinar todos os anos uma quantia de dinheiro – que não é pouca – para doar a entidades que alertam para os males do fumo, em reparação aos danos causados. Ou seja, estão custeando a turma do The Truth, que faz anúncios para combater os não-existentes anúncios de cigarro, que já foram todos proibidos faz tempo. Como eles mesmos dizem no site, “a indústria do cigarro é feita por velhos, nós somos jovens, vamos estar sempre à frente de modo mais inovador e original”.

Mais neve!

February 24th, 2003 by Luciana Misura

nevando de novo…êêêê!

E essas fotos tirei ontem, após a nevasca de sábado. Foi menos do que a metereologia previu (como sempre), mas como semana passada a gente já não tinha neve nenhuma no chão, pensar que essa neve toda aí caiu em algumas horas é impressionante. O trajeto fotografado é o da nossa casa até a casa da tia do Gabe, Royal Oak – Southfield (que era o bairro que a gente morava antes da mudança). Para vocês acompanharem, “dirigindo em Michigan”: o nosso jardim (fotos 1 e 2), a nossa rua (fotos 3, 4 e 6), nossa casa (foto 5), 12 mile road (foto 7), Woodward Ave (fotos 8 e 9), i-696 – que é uma das muitas vias expressas aqui (foto 10 e 11), Telegraph Rd e outras ruazinhas menores e residenciais (fotos 12, 13 e 14) até a rua da tia dele (foto 15), a casa dela (foto 16) e o jardim (fotos 17 e 18).









Muita neve

February 23rd, 2003 by Luciana Misura




Está nevando sem parar desde as 18h de ontem, e forte. A previsão do tempo diz que a neve vai se acumular em 2 inches por hora (2 inches = 5 centímetros), e as condições são de uma blizzard (nevasca). A gente saiu de casa bem na hora que estava começando, e eu aproveitei para dirigir e treinar um pouco na neve. Até que não fui mal, só deslizei um pouco em uma curva, mas deu para controlar bem o carro. Como aqui não tem frentista nos postos de gasolina, o Gabe é condenado a encher o tanque do meu carro para todo o sempre, a não ser que eu esteja dirigindo sozinha e na reserva, o que aconteceu uma vez até agora. Mas eu não escapei de limpar a neve dos vidros e raspar o gelo do pára-brisa, fiquei uns minutinhos fazendo isso e meus dedos já estavam congelando (perdi minhas luvas, já é o segundo par neste inverno!).

Fomos ao shopping (que a palavra em inglês é mall, “shopping” é o presente do verbo “comprar” em inglês e só os brasileiros chamam “mall” de “shopping”) e acreditem se quiser, não achei nenhum par de luvas – aliás achei sim, mas não tinha do meu tamanho e as que tinham eram vermelhas ou rosa-choque, aí não comprei. Quando saímos de lá meu carro já estava com uma camada grossa de neve por cima e o estacionamento um mar branco. Cheguei em casa e fui me jogar na neve e fazer bola de neve para a minha revanche – Gabe já tinha me “batizado” no Natal e hoje eu me vinguei, aquele bolo de neve que está na foto foi solenemente arremessado nele, que estava com câmera e tudo. Ah, e antes que me perguntem, as luvas que estou usando na foto são do Gabe, velhonas e furadas, que a gente usa quando vai limpar a neve da calçada. São tão grossas e fofas que não dá para usar no dia-a-dia, é impossível pegar uma chave de carro na bolsa por exemplo, você perde o tato completamente.

Work permit

February 23rd, 2003 by Luciana Misura

Ontem finalmente peguei meu work permit (permissão de trabalho) no departamento de Imigração! Nem acredito, agora posso arrumar um emprego, depois de 7 meses (completados hoje!) aqui nos EUA fazendo nada. Já estava de saco cheio de ficar em casa e não via a hora dessa permissão chegar. O negócio é que como o processo do greencard leva um ano (sim, burocracia pouca…), eles liberam essa permissão de trabalho para que o imigrante possa trabalhar enquanto espera. Só que leva 3 meses para liberarem esse documento, que peguei hoje em 15 minutos, só tendo apresentado a carta que recebi deles – nem olharam o meu passaporte ou pediram nenhuma identificação. Adianta essa burocracia toda? Se fosse outra pessoa que tivesse levado a minha carta lá, ia ter um documento no meu nome e ninguém ia perceber. Ridículo. Mas taí o dito cujo, que eu esperei tão ansiosamente. Agora é caçar um emprego!

Nike mostra tudo e Smirnoff tem blind date

February 22nd, 2003 by Luciana Misura

Mais comerciais legais e engraçados: o da Nike, “More Go“, para a linha de footwear é surpreendente. Primeiro que não parece que é uma propaganda, da primeira vez que vi estava zapeando e achei que era um jogo de futebol sendo transmitido de verdade, e aí aparece o cara louco correndo pelado pelo campo, você leva um susto, vê a polícia atrás, a galera do estádio se levantando, rindo, o louco fugindo e depois reaparecendo, e a filmagem é de uma transmissão de futebol e não de uma propaganda. Tem toda a cara de ter sido filmado na Inglaterra, e o cara, um hooligan doido fazendo das suas. E ele “veste” apenas um par de tênis Nike e um cachecol (sim, porque todo mundo no estádio está encasacado, um frio de rachar). Tudo a ver com a imagem da Nike, de ousadia, irreverência, achei muito legal. Obviamente provocou um monte de reações, ainda mais aqui nesse país puritano que são os EUA, vários pais revoltados reclamando, falando que era uma baixaria, etc. Mas eu nunca vi passar essa propaganda durante o dia, pelo contrário, as vezes que assiti era tarde da noite.

O outro comercial é da Smirnoff, “Blind Date“, para a Smirnoff Ice, que mostra uma mulher bonita em uma bar esperando pelo seu blind date (comum por aqui ao que parece, e acredito que com a internet tenha se popularizado pelo mundo). Chega um cara bonito, ela pergunta o nome dele, esperando que seja o cara por quem ela está esperando, mas não é. Aí chega um carro muito cafona, um cara ridículo e bem brega dirigindo, estilão cowboy misturado com anos 70, e na placa do carro tem o nome dele, que é justamente o nome que a mulher tinha mencionado. O bonitão, percebendo que a moça se deu mal, se apresenta pro cowboy como sendo a moça, e a salva da roubada. Foi uma saída inusitada e bem legal.

Qual é a música?

February 21st, 2003 by Luciana Misura

Ouviu uma música em um comercial, gostou e não sabe o nome ou quem canta? Então dê uma olhada no What’s that Tune? e Songtitle. Mas só tem propagandas que passam no Reino Unido e nos EUA, respectivamente.

LEGO Maníaco

February 21st, 2003 by Luciana Misura

Mais um site de aficcionado por LEGO, esse é tanto que de hobby virou emprego: Eric Harshbarger. Ele constrói mosaicos e esculturas em Legos para empresas, que encomendam de tudo, para usar em stands e exposições ou mesmo decorar o escritório de uma maneira diferente. Tem cada mosaico maravilhoso e no site ele coloca as fotos do planjamento e construção, e tem até assistentes para ajudá-lo com as obras.

Para facilitar seu trabalho, Eric criou um programinha chamado Pixelego, que mapeia fotos de acordo com o tamanho das peças e as cores disponíveis. Até pouco tempo atrás o programa estava disponível para download, mas vai ver a concorrência aumentou muito e ele tirou do ar ;-) Mas ainda tem uma página onde dá para construir os modelos virtuais, antes de se aventurar com as pecinhas plásticas. Ele tem mais de 350 mil peças!

Instant Messenger

February 20th, 2003 by Luciana Misura

Aviso para quem fala comigo via icq, aim, yahoo, etc, recebi um email de um colega dizendo que estava tentando falar comigo via icq mas eu não recebi nenhuma mensagem! E isso aconteceu com o meu marido na semana passada, estavamos falando e um pedação do que escrevemos não foi enviado. Eu uso o Trillian, e vi no blog do Cristiano outro dia que estava dando problema com novas versões de icq, acho que vou trocar de programa; até lá, quem estiver com problema me mande email!

Enganações do inglês: Garden

February 20th, 2003 by Luciana Misura

Mais uma para a série:

As maiores enganações dos cursos de inglês, palavra 2: garden.

Não fiquem com essa cara de espanto, garden não é o que a maioria pensa. Normalmente nós aprendemos essa palavrinha na escola, naquelas aulas de inglês ainda no primário, e inevitavelmente garden = jardim. Não! Jardim pode ser garden, mas não necessariamente, e nunca, nunca mesmo é quintal. Quintal é back yard e você pode ter um garden no seu back yard. A questão aqui é a seguinte: a palavra garden é usada no dia-a-dia para descrever horta, e em uso menos comum (bem atípico) um canteiro de flores. Então você pode ter um garden dentro do yard, mas nunca só um garden. Aquele gramadinho típico das casas americanas que você vê em filme, é front yard, não chame de garden ou você estará mais uma vez dando o seu atestado falo-inglês-de-livro. Acostume-se de uma vez com jardim = yard e garden = horta e você terá menos problemas.

Novamente: essas palavras e os significados que estou mencionando não estão errados, se você procurar no dicionário, vai encontrar que garden pode ser jardim tanto quanto yard e vai achar supermarket também (a palavra 1 do post passado). O que estou falando é do uso da língua no dia-a-dia, se você quer falar do jeito que os “locais” falam, não pode viver usando o dicionário – pense que é a mesma coisa em português, um americano aprendendo a nossa língua poderia falar que vai fazer compras na “mercearia” (viu no dicionário que mercearia é uma loja que vende gêneros alimentícios, tá certo). As pessoas poderiam entender (algumas nem entenderiam), mas que ia soar estranho, ninguém pode negar.