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Archive for the ‘Washington DC’ Category

Céu azul na despedida de Washington DC

Janeiro 19th, 2004 by Luciana Misura

Quando vi o céu de manhã nem acreditei: no nosso último dia na cidade, um solzão e céu azul nos esperavam. Claro, o frio também. Quem mora em lugar frio sabe que os dias mais bonitos de sol e céu azul no inverno são sempre os mais frios. Desta vez não foi diferente, e um vendaval (literalmente) nos empurrou pela cidade.

Agora sim o Washington Monument numa foto digna. O gramado do The Mall, com o Capitol ao fundo ladeado pelos museus Smithsonian - esta área quase toda é um aterro.
O templo romano é o Jefferson Memorial, emoldurado pelo rio Potomac já cheio de pedaços de gelo. Do outro lado do rio, Rosslyn e Arlington, Virginia. Ao Norte, a Casa Branca e seu jardim se destacam. Ao fundo, Silver Spring, Maryland.
O Lincoln Memorial, para mim o mais bonito de todos. Esta construção em primeiro plano será mais um memorial, desta vez sobre a Segunda Guerra Mundial.

Aproveitamos para ir até o topo do Washington Monument, de onde se tem a melhor vista da cidade, como vocês podem ver pelas fotos. Minha única reclamação: o vidro das janelas estava super embaçado e sujo, para fazer essas fotos ficarem decentes foi um trabalhão enorme. Mas tudo bem, vale a pena, e vocês podem ver como a cidade é baixa, com prédios neoclássicos, um aterro enorme onde fica o The Mall, o rio Potomac e suas pontes. Não acham que é uma cidade americana com uma alma européia?

O vento estava de gelar até os ossos, conseguia entrar até por baixo desse casacão. O prédio da Biblioteca do Congresso, lindo, pena que não pudemos entrar.

Saímos de lá com muita má vontade, porque isso significava encarar novamente o vento. Para vocês verem que não estava brincadeira, olhem essa foto minha com o cachecol enrolado na cara e o capuz do casaco por cima do chapéu, que era para não entrar nenhum ventinho pelo pescoço e orelhas mesmo. De lá fomos até Capitol Hill, um morrinho onde ficam o Capitol, a Biblioteca do Congresso e a Suprema Corte. Estava tudo fechado e só demos a volta em torno do prédio da Biblioteca e voltamos correndo para o quentinho do metrô.

Uma ruazinha charmosa em Capitol Hill - Washington tem também a sua Montmartre Da janela do restaurante America, na Union Station, vê-se o Capitol.
Dentro da Union Station, para ficar com torcicolo: o teto é fantástico. A parte shopping center da Union Station, tudo com muito charme.

Decididos a não colocar mais o pezinho do lado de fora, fomos para a Union Station, que é uma estação de trem e metrô construída em 1907 e que tem nada menos do que 32 quilos de ouro espalhados na decoração do teto. O lugar foi restaurado há alguns anos e virou uma mistura de estação e shopping center, com restaurantes, cinemas, mercado e muitas lojas. Aproveitamos e almoçamos por lá mesmo, antes de pegar a estrada.

O rio Potomac, congelando. Avistando a cidade ao longe, anunciada pelo obelisco.

E sem encarar novamente o vento e frio, voltamos dali mesmo para o hotel, para pegar o carro e voltar para casa. A viagem de volta foi bem melhor, já que durante o dia pudemos apreciar a paisagem que mal notamos durante a noite quando chegamos. E consegui tirar a foto do local na estrada onde se avista a cidade pela primeira vez. Não tão bela quanto teria sido a foto que eu e Gabe só temos na nossa memória: o obelisco iluminado à noite e ao seu lado uma lua minguante gigantesca, parecendo o sorriso do gato da Alice - era um sorriso de boas-vindas.

Casa Branca e arredores

Janeiro 18th, 2004 by Luciana Misura

Fomos novamente para downtown, desta vez para a área antiga, perto da Casa Branca. Estava frio e chuviscando, então só éramos nós dois na rua, tudo deserto.

Saímos do metrô e fomos andando até o Octagon, que é uma casa histórica. Esta casa era apenas a residência de inverno da família Tayloe, que morava o resto do ano na sua plantação de tabaco na Virgínia. O Sr. Tayloe, amigo de políticos e presidentes, ofereceu sua casa como residência oficial para o presidente James Madison quando a Casa Branca foi incendiada pelos ingleses, na guerra de 1812. A casa tem três andares e está relativamente conservada, pela Fundação de Arquitetura local. Só eu e Gabe e mais um turista que chegou depois fizemos o tour: no porão ficava a cozinha, a adega, um quarto e um salão onde dormiam os escravos da família e outros empregados da casa. Uma escada de serviço ligava o porão a todos os andares da casa, e é acessível por uma porta camuflada na parede em cada andar. No térreo, o hall de entrada, o salão de jantar e o salão de estar, onde a família dava muitas festas e recebia outros aristocratas e políticos da época. No segundo e terceiro andar, os quartos, 7 no total, e o escritório. Uma pequena parte da mobília original ainda está na casa, e algumas pinturas demonstram como eram alguns dos cômodos mobiliados e decorados. No quintal, uma casa de gelo, um estábulo, um galinheiro e um depósito de carvão completavam o complexo. Hoje em dia só restou a casa de gelo, mas está fechada. Infelizmente não se pode fotografar o interior da casa…

De lá andamos até a Casa Branca, circulamos o jardim enorme e fomos até o Visitor Center para ver fotos do interior, já que depois de 11 de setembro as visitas só podem ser agendadas com meses de antecedência, enviando carta com o pedido para algum político aprovar. Claro que não ficamos por lá muito tempo, para ver foto eu não preciso viajar, então resolvemos deixar o metrô de lado e andar até o National Building Museum.


O National Building Museum é dedicado a construções, incluindo técnicas e ferramentas. Mas o motivo da nossa visita foi o prédio do museu em si, que é incrível, com as suas 8 pilastras de mármore que são grandiosas. O espaço e a iluminação são lindos, e estavam sendo muito bem aproveitados por um grupo de aeromodelistas testava seus aviões no local, para a alegria das crianças que estavam por lá.

Nos dirigimos então a National Gallery of Art, mais precisamente para o prédio Leste, que abriga o acervo de arte moderna - e é um prédio perfeito para isso, uma construção moderna lindíssima, de concreto e vidro com diversos níveis e passarelas se cruzando no vão principal. Uma exposição especial de Picasso e um acervo com grandes nomes da pintura moderna, como Miró, Matisse, Braque, Kandinsky, completam esta fabulosa galeria. Com o museu fechando, lá fomos nós para o Lincoln Memorial.

O Lincoln Memorial, com sua arquitetura de templo grego, fica no extremo oeste do The Mall, de frente para o Capitol e o obelisco. O prédio é imponente e a noite, iluminado, fica ainda mais fantástico. A estátua gigante de Lincoln sentado, olhando para os visitantes, é de arrepiar. Nas paredes, discursos importantes do presidente que é lembrado por iniciar o processo que libertou os escravos nos EUA.


Resolvemos ir embora, pegamos um táxi e no caminho para o restaurante resolvemos ainda parar no Jefferson Memorial, pertinho do Lincoln Memorial. Construído à semelhança do Pantheon de Roma, este memorial fica no extremo sul do The Mall, de frente para o obelisco e a Casa Branca. Uma estátua do presidente Jefferson em bronze e discursos importantes, mais um centro de visitantes no subsolo com a história da vida do presidente completam este monumento, que fica às margens do rio Potomac.

Vencidos pelo cansaço e fome, encerramos o nosso dia em um restaurante italiano no centro antigo, o Tosca. Felizmente fizemos reserva porque o lugar fez jus a fama e estava lotado. Valeu a pena, a comida é excelente: comi um carpaccio com molho de trufas negras e um carneiro ao alho ótimos, e de sobremesa um bolinho de chocolate que me lembrou petit gatêau. Para completar, um café espresso Illy, igual ao que eu tomava quando morava em Sampa. Nem preciso dizer que cheguei no hotel e apaguei…

Conhecendo a capital

Janeiro 17th, 2004 by Luciana Misura

Chegamos a Washington DC quase 4h da manhã de sábado, depois de nos perdermos pelas ruas de Arlington procurando o hotel. Claro que fomos dormir acabados e acordamos tarde na manhã seguinte, só saímos meio-dia. Deixamos o carro no hotel e fomos para o metrô, que atende bem a área turística da cidade - a maioria dos museus e monumentos fica em downtown.

A estação do metrô Court House. Todas as estações tem esta mesma arquitetura. O Washington Monument, um obelisco de 170 metros, oferece uma vista panorâmica da cidade
O Capitol, na extremidade leste do gramado. O Museu de História Natural, uma das muitas construções neoclássicas da cidade.

Nem o frio nem o dia nublado espantou os turistas, que andavam em grupos pelo The Mall, que é um aterro onde ficam os museus e monumentos mais famosos. Um gramado em forma de cruz: na ponta oeste, o Lincoln Memorial, que parece um templo grego de mármore com a estátua enorme do presidente; no centro, o Washington Monument, que é o obelisco; na ponta oposta (leste) o Capitol (o congresso). Na extremidade norte, a Casa Branca, e ao sul, o Jefferson Memorial. Nas laterais do gramado, os museus da Fundação Smithsonian, todos gratuitos: Museu de História Americana, de História Natural, National Gallery of Art. Do lado oposto, o prédio da Fundação, o Museu Aeroespacial, o novíssimo Museu do Índio Americano (que inclui todos os povos indígenas das Américas, e não só norte-americanos, a ser inaugurado este ano) e o Jardim Botânico (uma estufa).

Entrada do Museu de História Natural O prédio da Fundação Smithsonian

Começamos o passeio pelo Museu de História Natural, um prédio lindo como todos os outros - aliás, a cidade parece mais européia do que americana, com a maioria dos prédios baixos e da mesma altura, em estilo neoclássico. Fomos direto para a exposição dos fósseis de dinossauros e animais pré-históricos. Impressionante ver aqueles esqueletos enormes dos dinossauros, incluindo um Tiranossauro. Achei o máximo também os fósseis de árvores, tanto de folhas como dos troncos e falando da evolução das plantas.

Os fósseis de dinossauros, impressionantes. O famoso diamante Hope, que é azulado. Foto by Gabe.
Alguém se arriscaria perto desse bichinho? Um arco-íris de pedras preciosas e semi-preciosas.

Depois dos dinossauros, fomos para a exposição de pedras de todos os tipos, das preciosas (incluindo o famoso diamante Hope) às semi-preciosas e metais, lapidadas ou em estado bruto. Tem uma variedade imensa, e eles explicam o processo químico que faz com que as cores sejam diferentes e mostram de onde as pedras vem. Logicamente tinha um monte de pedras brasileiras, como água-marinha, ametista e vários tipos de quartzo, a maioria vindo de Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul.

Patinação de gelo ao ar livre, no jardim das esculturas da National Gallery of Art. A escadaria do prédio principal da National Gallery of Art.
O Capitol domina a paisagem da cidade. Os pássaros andando no gelo.

Fomos então andando até o Capitólio, mas como não acordamos cedo para pegar senhas, acabamos não entrando. Tiramos umas fotos por fora e do lago em frente, com as aves andando sobre o gelo, e seguimos para o Museu Aeroespacial.

Ficamos mais na parte sobre o espaço do que na área sobre aviação. Vimos o protótipo do telescópio Hubble e mais um monte de foguetes, maquetes, várias roupas de astronautas em épocas diferentes e duas exposições muito legais: uma contando sobre como a humanidade desenvolveu meios de estudar o espaço, que falava desde os instrumentos de mapeamento de estrelas, passando pelo o telescópio de Galileu, os telescópios científicos enormes até o telescópio Hubble e outras descobertas importantes relacionadas à análise visual do espaço. Muito engraçado foi saber que a câmera digital do Hubble quando ele foi lançado tinha menos de 1 megapixel! A outra exposição era sobre computadores e como eles ajudaram na exploração espacial, em diversas áreas, como o projeto de espaçonaves, controles de equipamentos em geral e segurança. Saímos só quando o museu fechou, no final da tarde.

Roupas de astronautas antigas, tem algumas que chegam a ser engraçadas de tanto que parecem saídas de quadrinhos de ficção científica. John, Renata, Thomas, eu e Gabe.

Pegamos então o metrô para a casa da Renata, fomos lá nos conhecer ao vivo e a cores, incluindo o baby Thomas. Eles nos buscaram na estação, pegamos umas pizzas no caminho e ficamos lá batendo papo eu, Renata e a mãe dela, até o Gabe não aguentar mais de cansaço e pedir para ir embora. Eles são muito simpáticos e o baby é muito fofo, super tranquilo, só mamou e dormiu (até no meu colo!), uma gracinha. Estão convidados a virem nos visitar, claro! Enquanto estávamos lá na casa deles nevou, voltamos de metrô patinando depois pelas calçadas.