Growing up in the old days
March 8th, 2010 by Luciana MisuraUma amiga mandou por email, não sei se é velho, mas é engraçado pra quem está nos 30…
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Uma amiga mandou por email, não sei se é velho, mas é engraçado pra quem está nos 30…
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Passamos uma semana praticamente desconectados, só ficamos sabendo das nevascas nos EUA, do terremoto no Chile e alerta de tsunami no Hawaii no avião voltando pra casa. O meu irmão estava no Hawaii mas chegou em casa ontem, então não passou pelo susto do alerta. Estamos todos tristes com as notícias vindas do Chile, mas que começo horrível de ano, primeiro com o Haiti e agora o Chile…
Nevou aqui em Austin enquanto estávamos fora também, e foi uma quantidade respeitável (que derreteu logo, claro). Esse inverno já deu, amanhã já começa o mês de março e ainda estamos com temperaturas baixas, chegaaaaa!
Essa história começou quando uma amiga minha lançou um site onde você faz uma gravação sua lendo um livro infantil e manda pra uma criança da família que more longe – por exemplo, avós lendo um livro pro netinho que mora longe. Ela me mandou um cupom pra testar o site e eu dei pra minha sogra gravar um livro pra Julia. O nome do site é A Story Before Bed (uma história antes de dormir).
Aí fiquei pensando – aqui nos EUA essa rotina de ler para as crianças antes de dormir é muito forte, e não me lembro de ser assim no Brasil. Minha mãe lia para mim mas não antes de dormir, pelo menos não que eu me lembre. Aqui os pais lêem para os filhos desde bebezinhos, e existem vários livros que são “clássicos” da hora de dormir. O mais famoso é o Goodnight Moon, que 10 entre 10 crianças americanas conhecem. Existem inúmeros livros com o tema “hora de dormir” com histórias para preparar as crianças para o soninho. Se alguém me perguntasse qual o livro clássico da hora de dormir no Brasil eu não saberia dizer – nem se existe.
Sou só eu ou a experiência de vocês é a mesma? Seus pais tinham uma rotina de leitura antes de você dormir? Se você mora no Brasil, você tem essa rotina de leitura com os seus filhos?
E o SuperBowl foi para a cidade de New Orleans pela primeira vez: os Saints venceram o campeonato de futebol americano em um jogo que esquentou mesmo no final. O time fez a sua primeira final e começou perdendo, mas virou o jogo e abriu a liderança bem no finalzinho, garantindo a vitória quando impediu o adversário de pontuar no último minuto. Achei o show do meio-tempo sem graça, mas nunca fui fã do The Who mesmo…e as propagandas milionárias estão cada ano mais idiotas. Poucas se salvaram, as de cerveja são uma pior que a outra (não é só no Brasil). Gostei da propaganda da Kia, “Puppet Day Dream” (que não era inédita, já passava na TV antes do SuperBowl) e a do Google “How to Impress a French Woman”. Veja todas aqui. O resultado foi um agradinho para New Orleans, uma cidade que até hoje ainda sofre os efeitos do furacão Katrina – acho que todo mundo que não tinha time pro SuperBowl torceu pros Saints por causa de New Orleans. Mas eles mereceram, e o carnaval famoso da cidade começou mais cedo esse ano.
Pra quem mora e paga impostos nos EUA, participe da campanha We Want our Money Back colocando o seu nome no abaixo-assinado. O presidente Obama está tentando recuperar o dinheiro emprestado a Wall Street durante a crise econômica.
No sábado nos recebemos a notícia que um amigo nosso aqui de Austin tinha sofrido um acidente. Ele é um triatleta experiente e estava pedalando com um grupo como faz todos os sábados. Um dos ciclistas do grupo teve um pneu furado e ficou para trás. Ele disse ao grupo para continuar o trajeto enquanto ele voltava para checar se estava tudo bem com o ciclista que tinha ficado para trás. Enquanto estava sozinho, sofreu o acidente – quebrou todos os ossos do lado direito do rosto (menos a mandíbula), o braço direito e alguns dedos da mão, e os médicos acham que ele deve ter ficado 30 minutos estirado no asfalto (em temperaturas negativas) até que uma pessoa dirigindo o viu e parou para socorrer. Essa moça que parou chamou o 911 e enquanto esperava o ciclista que tinha ficado para trás chegou, reconheceu o nosso amigo e ligou pra esposa dele. Os médicos dizem que ele poderia ter morrido, por causa do frio e dos ferimentos, e que foi sorte ele estar com um capacete muito bom e roupas de compressão que ajudaram a circulação no frio. Ele ficou no hospital sábado mas os médicos (doidos) o mandaram pra casa no domingo. Ele está tomando morfina de 3 em 3 horas e não sabe se vai precisar de cirurgia de reconstrução no rosto. Felizmente a visão não terá danos permanentes e ele não teve nenhum ferimento interno.
O absurdo dessa história toda: dois outros ciclistas tiveram acidentes parecidos no último mês, no mesmo local. Um mesmo carro foi reconhecido em ambos os casos. A polícia acredita que tem algum motorista que está “empurrando” os ciclistas para fora da estrada. Infelizmente o nosso amigo não lembra de absolutamente nada do que aconteceu, mas ao que tudo indica, não foi mera coincidência. Não consigo nem imaginar o que leva uma pessoa a fazer uma coisa dessas. É revoltante, absurdo, como pode alguém propositalmente colocar a vida de outras pessoas em risco por nada. Espero que a polícia consiga prender o responsável, mas pela lei aqui no estado, como ninguém morreu, a punição será muito leve, se for punido. Revoltante.
Resolvemos continuar a tradição que a minha sogra começou em Michigan e sugerimos aos amigos cantarmos músicas de Natal (caroling) em uma casa de repouso, orfanato, hospital, algum lugar pra alegrar as pessoas que normalmente vão passar as festas sozinhas, longe da família. Uma das nossas amigas tinha trabalhado como voluntária numa casa de repouso aqui perto e ligou pra lá pra perguntar se eles tinham interesse. Marcamos pro domingo. Eu e Gabe imprimimos as músicas, ensaiamos um pouquinho em casa só pra relembrar e lá fomos nós com os gorrinhos de Papai Noel pra fazer a turma de brasileiros cantar. Ninguém ali tinha ensaiado mas não fizemos feio não. Cantamos algumas músicas pra aquecer, até as crianças mais velhas cantaram. Os velhinhos gostaram, alguns cantaram junto conosco, agradeceram muito, e o pessoal saiu animado pra ano que vem ensaiar e fazer uma apresentação mais bonita. A Viviane tirou fotos da cantoria e colocou aqui.
A camara passou a reforma do sistema de saude proposta pelo presidente Obama. Agora falta o Senado! Rumo a um sistema menos injusto.
No dia do Halloween fomos a uma festinha de aniversário de uma das amiguinhas da Julia. Foi num lugar chamado Pump it Up que tem montes de brinquedos infláveis do tipo pula-pula. As crianças foram todas fantasiadas e nós resolvemos ir também. Julia amou, pulou até dizer chega, foi no tobogã com o Gabe trocentas vezes, e no final todas as crianças sentaram juntas pra comer e cantar parabéns.
De lá viemos pra casa e fizemos uma decoração de Halloween último minuto (esse mês que passou choveu MUITO por aqui e eu não tinha feito decoração nenhuma com medo da ventania estragar tudo – pra vocês terem uma idéia, o vento levou o guarda sol da nossa mesa do quintal e quebrou o tampo de vidro). Sentamos do lado de fora como os nossos vizinhos aqui fazem e ficamos esperando as crianças chegarem pedindo doces. Julia achou o máximo e fez questão de distribuir os doces pras crianças – e de comer alguns também, claro. A nossa vizinha da frente fez uma decoração assustadora e nem passamos perto porque a Julia tem medo, eles colocaram uma máquina de fumaça que fez TANTA fumaça que a esquina inteira da rua ficou com um fog que parecia de verdade. Distribuímos mais de 300 doces, era criança que não acabava mais. Acabou que a nossa pequena “Alice” resolveu entrar pra jantar ao invés de sair pra pegar os seus próprios doces. Acho que ela não entendeu que ia ganhar uma montanha de chocolates e balas, mas tudo bem, ano que vem ela vai