Meu projeto final na faculdade foi sobre leitura para crianças. Eu e a minha amiga Melissa fizemos uma pesquisa sobre todos as mídias que traziam algum tipo de informação para os leitores mirins, incluindo aí o computador – internet e CDs. O nosso foco era identificar uma linguagem visual que atraísse a atenção dos pequenos e que tornasse a leitura um prazer (lembrando que éramos formandas em design gráfico). Fomos em duas escolas, uma pública e uma particular, e usamos os nossos priminhos pequenos como cobaias.
Não era o nosso foco na época a relação crianças-computador, mas isso entrou na pesquisa também, pois foi uma das linguagens visuais que usamos para comparação. Naquela época, 1997-1998, tanto as crianças da escola pública quanto da particular já tinham aulas regularmente utilizando a internet, tanto para pesquisa quanto para conversar com alunos de escolas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, no projeto Kidlink. Os alunos da escola particular tinham mais suporte e acesso, e já aprendiam a construir CD-ROMs na quinta série para publicar suas pesquisas para que os alunos das séries anteriores pudessem utilizar (não lembro o software de autoria que eles usavam, mas incluía aula de programação dentro do software também).
Eu tenho um projeto pessoal de portal infantil, que até já apresentei há alguns anos para uns portais grandes mas que na época não estavam interessados em investir em conteúdo infantil. Por causa disso, vivo juntando notícias e pesquisas sobre o tema. Em 1999, já existiam dados que em 2003 seriam 13 milhões de crianças na internet, segundo a Forrester Research e um milhão de crianças em 2000 no Brasil, conectadas pelas escolas, segundo o programa PROINFO. A pesquisa do Ibope eRatings fala sobre os hábitos online das crianças brasileiras mas não quantificou o universo de usuários, mas confirma que os pequenos brasileiros só não usam mais a internet do que os seus coleguinhas nos EUA e no Japão. Dentro deste cenário, e comparando com a pesquisa que fizemos sobre leitura, dou a minha opinião sobre o tema 2 do Hey Day #2, que perguntou: Vc recomendaria q uma criança lesse ou escrevesse um blog? E vc, acha q teria histórias interessantes para blogar lembrando fatos de sua própria infância ou do relacionamento com seus filhos?
Um blog tem a linguagem que as crianças estão acostumadas, em termos de quantidade de texto e permite uma grande diversidade de assuntos, já que quem escreve é que vai definir os temas – e o interessa das crianças é o mundo. Na época que conversamos com as professoras sobre o Kidlink, elas disseram que o que mais estimulava as crianças era a troca de emails com crianças de outros lugares, porque eles queriam saber como essas outras crianças viviam e o que elas faziam em suas cidades. Por causa deste interesse, muitas crianças prestavam mais atenção as aulas de português (palavras da professora da escola pública) para poderem se comunicar melhor com seus amigos virtuais.
Os blogs poderiam cumprir uma boa parte desta função, além de estimular a escrita, mas para garantir este papel educacional e cultural, protegendo a segurança e privacidade da criança, deve ser supervisionado pelos professores e pais muito de perto. A maioria das crianças é orientada pelas escolas e famílias a não fornecer seus dados pessoais em formulários e emails, que são simples de identificar, mas para uma criança discernir o que pode escrever dentro de um texto onde ela fala da sua vida, não é uma tarefa simples. Se forem bem orientados, acredito que os blogs infantis podem ter um grande papel cultural e educacional, e ainda suprir uma carência de conteúdo infantil online.
No caso da escola particular que vimos na nossa pesquisa, pode substituir ou mesmo ampliar o trabalho com CD-ROMs, já que é muito mais simples e pode ser usado por crianças menores, além de divulgar as informações para um número maior de crianças. Daria até para fazer uma feira de ciências online…
Sobre a questão de memórias de infância e de relacionamento com os filhos, os blogs citados já falam por si mesmos. E dentro da tendência de pais e professores procurarem material online para os filhos, eles mesmos são um público em potencial para estes blogs.
Lu, muito interessante seu relato!
Aliás, faz tempo que estou para te escrever, mas na correria de sempre, não deu tempo. Mas aqui estou eu
Parabéns e felicidades!
beijo,
Lu
Olá Lu, obrigado por participar do hey day novamente, muito legal! Fiquei surpreso q varios anos atras ja tinha a molecada fazendo cdrom e trocando emails, deve ter sido interessante seu trabalho de pesquisa Sobre portais infantis eu lembro qdo o Fernando Dassan montou o Canalkids e conseguiu patrocinio da Estrela e nestle… a sua ideia da feira de ciencias com blogs tb achei muito divertida. Assim q puder vou fazer a replica no hey day blog. Obrigado e sucesso mais uma vez!