Esqueci de comentar que mês passado assisti o 8mile, filme do Eminem passado aqui em Detroit que comentei sobre o lançamento no ano passado.
Achei o filme muito legal, e tenho umas observações pra quem não conhece as redondezas:
– Eles falam o tempo todo nos raps que eles são 313, esse é o código de área de Detroit;
– Quando o Rabbit fala no rap final que o adversário estudou em Cranbrook e todo mundo fica chocado: essa é a escola particular mais do que tudo na região. Levando-se em conta que aqui nos EUA o padrão de vida é muito mais alto que no Brasil e todo mundo estuda em escola pública, as escolas particulares são muito exclusivas. A área onde fica a escola só tem casarões de um milhão de dólares para cima, e até as placas das ruas são personalizadas, seguem um padrão de cores diferente de todo o estado de Michigan. Um aluno entre 9-12 anos de idade paga 27 mil dólares por ano de mensalidade (quem ficou curioso pode ver o site da escola). Aí, lógico, o cara que faz pose de quem veio “do povo” fica totalmente desacreditado, não tem ofensa maior.
– Reparem no filme que todo mundo é pobre, mora em uns lugares caindo aos pedaços, mas tem um carro velho pra ir trabalhar. Isso é bem verdade mesmo por aqui, TODO mundo tem um carro, é impressionante. Em Detroit tem alguns (poucos e únicos) ônibus, fora da cidade você não vê transporte público.
– A mãe do Rabbit vive jogando onde? No Bingo! Pois aqui também tem essa praga, e em vários lugares, junto com os cassinos.
– Dá para ver bem o preconceito dos negros com os brancos, que é bem visível por aqui. Nos anos 60 ocorreram várias lutas raciais em Detroit, e foi o início da decadência da cidade. Muitas casas e lojas foram incendiadas, os brancos se mudaram para os suburbs e hoje em dia basicamente só pessoas de baixa renda moram por lá – salvo um ou dois bairros históricos e a área em frente ao Detroit River, que são caras. Você dirige pela cidade e vê muitos terrenos baldios, e fiquei chocada em saber que em todos eles um dia existiram casas enormes, e que simplesmente ruíram ou foram queimadas – exatamente como eles fazem no filme com uma casa abandonada.
Que eu me lembro foi isso, acho que tinha mais coisa, só que aí preciso ver o filme de novo prestando mais atenção nesses detalhes. Ah, e o filme se passa inteirinho na área mais pobre da cidade, e a família do Eminem vive em um trailer, que é o que existe de mais pobre por aqui, como se fosse o “barraco” americano.
Lu, aqui tambem tem muito preconceito de negros x brancos e brancos x negros. Existem areas aqui de Memphis que tem casas lindas e que ja valeram MUITO mesmo, casas de gente que era a nata da sociedade memphiana, como em Midtown. Acontece que a area foi praticamente “tomada” e essas pessoas se mudaram para outras areas, tipo suburbs, e a criminalidade e as drogas agora imperam nestas areas.
Aqui tem muitos locais que so brancos moram e outros que so negros moram.
As escolas particulares sao realmente CARISSIMAS, um absurdo. E se for escola catolica eh pior ainda, pois essas tem fama de educacao superior/rigorosa.
Aqui tem umas areas ja quase que saindo da cidade, aonde existem os campos de trailers. Eh considerado bem pobre mesmo, tipo barraco. Outra moradia que eh considerada so “para pobres” eh o mobile home, esse junto com o trailer sao inseguros e sempre acabam destroidos quando passa tornado ou um ventinho mais forte. Eh por causa desses tipos de residencia que surgiu a expressao “trailler trash”, que muitos usam para chamar os moradores dessas “casas”. Triste, ne?
Barraco americano foi ótimo!!! hauhauhauhauhauha
Minha primeirissima experiencia aqui nos US foi em Detroit. Fui direto pra la pois iria fazer um estagio na Vera Shiffmann Library, a Biblioteca da Wayne State University. Fiquei hospedada no campus, nos dorms. Tinha pavor de andar por la… era muito sinistro, com ar de perigoso, as pessoas que eu cruzava pelas “quebradas” me davam arrepios de medo! Mas o pessoal da Bilbioteca me levou a uns lugares bacanas, o que ajudou a quebrar um pouco a ma imagem de Detroit.
Lu da pra comentar tanta coisa neste post, ele esta interessantissimo. Mas uma coisa que me pegou foi a questao do barraco americano. Eu cheguei a morar dois meses num local muito pobre aqui ( e olha e uma area rica, ha minutos de NY, do lado do Giants ). Seria uma favela americana, ou o que eles chamam de gueto. Aluguei um quarto numa casa. Na verdade num basemant. Bom visualise.
Uma velha gorda peruana super gente boa alugou o basement onde vivem ela e mais 6 (!!!!) pessoas. Eu fui demitida, nao tinha onde morar ela alugou uma “quarto” pra mim. Quando eu fui ver ela tirou as maquina de lavar da lavanderia ( um cubiculo nem 2X2m era) e me alugou o troco. Eu tive que pegar colchao no lixo. Ele fedia, passei uma noite lavando o troco. E o chao do local era de terra, entao eu lavava o colchao e sujava a base de barro ao mesmo tempo. Vc ja viu lavar colchao? Eu chorava que nem crianca, me sentia humilhada. Nao tinha nem o dinheiro do aluguel na epoca. Ai eu ganhei um abajur ( que eu guarado ate hoje) alguns lencois e um endredon, e isso era meu quarto na lavanderia. A noite a agua passava pelos canos, e o barulho perturbava minha cabeca noite toda.
Passei dois meses trabalhando como maluca pra juntar dinheiro e sair de la. Consegui, na base de salgadinho de 1$ de jantar.
Valew a pena???? As vezes penso que nao, eu era tao feliz no quartinho, sem TV. so com meu radio-relogio, sem dar satisfacoes pra ninguem. As vezes eu sinto falta.
Mas pelo menos nao era perigoso la, como eu trablho a noite num restaurante eu chegava de madrugada e nada acontecia.
ai que hisotria longa, ainda tenho mais um trilhao de outras.
Luciana, meu namorado americano nunca falou em trailer com esta conotação de barraco, pelo contrário, disse que é muito comum para os aposentados americanos comprarem a chamada “mobile home” e conhecerem o país. Inclusive parentes dele tinham uma. Ah, e a família dele é MUITO rica.
Pois e Spacey, infelizmente este preconceito de brancos e negros e vice versa e muito arraigado por aqui, muito mais do que no Brasil. E esses programas de “minorias” so pioram a situacao…
Cintia, realmente dependendo da area a cidade nao e nem um pouco amistosa…so mesmo ali perto do rio e que e melhor, o resto e super abandonado.
Mas Vanessa, voce nao disse no final das contas onde o trailer entra na tua historia, agora fiquei curiosa. Mas voce passou o maior sufoco hein? Nao pensou em voltar pro Brasil no meio dessa confusao toda nao?
Dona “leitora”, se voce fosse mais bem informada saberia a diferenca entre ter um trailer para PASSEAR e MORAR em um trailer. Quem tem um trailer para PASSEAR e quem tem dinheiro e quem MORA em um trailer e pobre demais para comprar uma casa decente. Se voce aprender um pouco sobre cultura amerciana vai ouvir logo a expressao mencionada pela Spacey, que e “trailer trash”, ou “lixo dos trailers” que e a forma que os americanos se referem a quem vive nesse tipo de moradia.
Hahahahaha essa “Leitora” esta confundindo motor home e RV com Trailer, Lu!! Mas nao liga nao, a pessoa quando esta mal informada acaba pagando esses micos mesmo. 🙂
Realmente, ter motor home ou os de luxo estilo os produzidos pela RV eh algo que so quem tem grana mesmo pode ter. Eh bom pra fazer viagens compridas ou ate atravessar os States de costa a costa. Mas motor home eh COMPLETAMENTE diferente de trailer. O conceito pode ate ser o mesmo mas sao considerados coisas totalmente diferentes atualmente, “Leitora”.
E mobile home nao eh motor home nao, faca-me o favor! Mobile home eh uma casa que a pessoa compra ja montada e coloca aonde quiser, inclusive se fizer mudanca para outro estado ou cidade carrega a casa junto! Sao casas frageis pois tem que ser “leves” para que possam ser deslocadas.
Dava ate para achar umas fotos de um motor home, de gente MUITO rica, e Mobile home, que parece uma caixa retangular. Vou mandar uma foto pra ela de um “bairro” de mobile home..