Feliz 2008!
Janeiro 1st, 2008 by Luciana Misura

De manhã paramos em uma das praias de Petoskey à beira da Little Traverse Bay, fomos andando até o pequeno farol e vimos um monte de gente nadando no Lago Michigan. De lá seguimos para Charlevoix, onde os pais de Stacey estavam para a feirinha de artesanato local, uma cidadezinha fofa que tem flores nos meio-fios. Almoçamos ali mesmo, nos despedimos e continuamos viagem rumo a um dos parques mais famosos de Michigan: Sleeping Bear Dunes National Lakeshore.
É um parque com dunas bem altas na beira do Lago Michigan, e tem uma lenda indígena local que conta a história de uma mamãe urso e seus dois filhotes, que fugindo do fogo da floresta onde moravam em Wisconsin (na margem oposta do Lago Michigan), nadaram a noite inteira para atravessar o lago, mas só a mamãe urso chegou na praia. Então, esperando por seus filhotes, a mamãe urso adormeceu e lá ficou, para sempre, coberta pela areia, a duna mais alta olhando o Lago. E seus filhotes, que nunca chegaram, viraram as duas ilhas que hoje estão em frente à grande duna (eita lenda triste!).
Dirigindo pela costa, passamos por Traverse City, sede do Festival de Cerejas que aconteceu esta semana, e nos arredores da cidade vimos inúmeras plantações de cerejas, com as árvores coberta de frutinhas vermelhas. Em vários dos pomares você pode pegar uma cestinha ou bolsa e colher as suas próprias cerejas, e pagar por peso no final. Eu não sou muito fã de cerejas, gosto muito daquelas cerejas de sundae (maraschino) mas não ligo para a frutinha ao natural. Mas adorei ver as árvores carregadinhas, são tão bonitas!
Muitos lagos depois, chegamos a Sleeping Bear Dunes National Lakeshore, e pegamos a rota que vai pelo topo das colinas, chegando ao topo das dunas. Do alto das dunas (137 metros), apreciamos a vista infinita do Lago Michigan. Ao final da rota de carro, você pode subir uma das dunas a pé - e lá fomos nós, achando que não era tão difícil assim. Chegamos no topo da primeira duna de língua de fora, e resolvemos parar por ali mesmo, já que até o lago do outro lado são mais 2 milhas de subidas e descidas na areia fofa. E assim fechamos o nosso final de semana, do parque viemos para casa, não sem parar várias vezes no caminho para tirar algumas fotos das fazendas de Michigan.
Petoskey é uma das várias cidades de veraneio do norte de Michigan, à beira do Lago Michigan, e basicamente só vê gente no verão. A população no inverno é de apenas 6500 habitantes, enquanto no verão o número sobe para 25 mil - não é grande em nenhuma estação, e tem aquele charme de cidade pequena de praia. Os pais da Stacey, esposa do primo do Gabe, compraram uma casa lindinha por lá no início do ano, e agora que estão de férias, Patrick, Stacey, Connor e Caleb estão passando duas semanas em Petoskey. Da última vez que os vimos, no Natal, Caleb ainda não tinha nascido - eles moram em Minnesota (14 horas de carro de onde moramos), então raramente nos encontramos.
Lá pelas 11 da manhã pegamos o carro e atravessamos os estreitos de Mackinac rumo à Upper Peninsula. Não me canso de ir até esse lugar maravilhoso e descobrir mais parques, cachoeiras, lagos, enfim, é um paraíso para quem gosta de natureza. Paramos em um restaurantezinho para almoçar, e sentamos do lado de fora, em um deck suspenso na colina, com a vista do Lago Michigan lá embaixo (esse lago é o meu mar por aqui, quando sinto falta de ver a imensidão de água até o horizonte, o Lago Michigan faz bonito).
Dessa vez fomos a Seney, um dos parques que eu ainda não tinha visitado, e onde estão as cinzas do avô do Gabe (o avô Misura, do qual “herdei” o sobrenome de casada). É um parque bem bonito, e um dos melhores lugares para observar os animais - coisa que não pudemos fazer dessa vez, porque as crianças estavam meio incomodadas com o calor e não ficamos muito tempo por lá. O avô Misura trabalhou em um programa de reflorestamento do Estado de Michigan, criado pelo governo na época da Grande Depressão, para dar emprego a milhares de pessoas que estavam sem nada naquela época. Ele ficou em Seney por algum tempo, e nesse tempo foi responsável por esse lago da foto: mantendo os pássaros longe dos peixes que eram criados ali para quem viesse pescar (para pescar por aqui você tem que ter uma licença de pesca, leia-se pagar uma taxa para o governo). Ele amava essa região e principalmente Seney, daí as cinzas terem sido espalhadas nesse local.
De lá fomos até Kitch-Iti-Kipi, que significa a “Grande Nascente”. São 16 mil galões de água por minuto que brotam do fundo desse lago de água transparente, de 13 metros de profundidade e com temperatura constante de 7 graus (muito, muito frio). Trutas gigantes são vistas nadando tranqüilamente, flutuando na água cristalina, já que ninguém pode entrar na água ou pescar no local. Um deck flutuante atravessa o lago preso por uma corda, levando os visitantes para um passeio sobre a nascente. Lindo demais.
Como esses lugares são longe uns dos outros, quando saímos de Kitch-Iti-Kipi já eram 18h, e pegamos a estrada de volta. Paramos no mirante da ponte Mackinac que liga a Upper e a Lower Peninsula de Michigan e Gabe e Connor resolveram dar um susto nas centenas de gaivotas que estavam descansando na grama - parecia uma cena do filme Pássaros, de Hitchcock. De volta à Petoskey, deixamos as crianças em casa com os pais da Stacey e fomos para um restaurante na beira da Little Traverse Bay para jantar e curtir o pôr-do-sol. Tudo ao ar livre, já que a noite estava perfeita, com a temperatura em torno de 27 graus.

O final de semana foi fantástico, fez um tempo maravilhoso com céu azul todos os dias, visitamos lugares lindos de morrer como esse da foto: Kitch-Iti-Kipi, que significa a “Grande Nascente”, uma fonte na Upper Peninsula de água transparente, com trutas gigantes que parecem flutuar. Essa foto é só para dar um gostinho do que vem por aí. Agora estou exausta, acabamos de chegar (quase meia-noite, ainda tenho que dar um jeito de colocar a hora nos posts nesse template novo) e vou dormir, mas amanhã venho aqui colocar as outras fotos de lagos, dunas, cerejas e cerejeiras…
Lá vamos nós de novo, estamos de saída para Petoskey, norte de Michigan. Daqui até lá são quase 5 horas de viagem, estamos indo visitar o primo do Gabe que mora em Minnesota e está passando uma semana por lá. Eu ainda estou doente, tomando antibiótico, mas como não vemos o primo e a família dele há mais de 6 meses, vamos encarar a viagem. No domingo vamos até Seney, na Upper Peninsula, na beira do lago onde as cinzas do avô do Gabe estão e onde tem o nome de todos os membros da família Misura (e está faltando o meu!). Vamos tratar de resolver esse problema
Até domingo à noite ou segunda! Se tiver internet decente pelo caminho, talvez dê tempo de colocar umas fotos.
Chegamos hoje, acabados, coloquei as fotos quase todas aí embaixo. Só faltam as fotos do dia 1 quando fomos nas cachoeiras de Munising e enfiamos o carro no meio de tanta neve que só tinha o pessoal dirigindo snowmobile na área, hahaha. Mas deu tudo certo, não atolamos e depois vocês vão ver as fotos. Vou dormir que amanhã é dia de trabalho…
A chuva do dia anterior lavou toda a neve das árvores e deixou uma perigosa camada de gelo por cima da neve. Mas a temperatura subiu bastante e estava em 1 grau positivo quando saímos para o passeio nos trenós puxados por cachorros (dogsleds), o que torna a viagem nos trenós mais lenta - os cachorros começam a afundar na neve que está derretendo, ao invés de correr no topo da neve seca. Como ainda tinha muita neve no chão, não atrapalhou muito. O sol apareceu e a floresta estava linda, a trilha fica dentro da Hiawatha National Forest.
O Fred e a Jennifer, donos dos cães e guias nas trilhas, tem 66 cães corredores. São todos super amistosos e nos receberam com tantos latidos que mal dava para conversar. Os cachorros ficam todos excitadíssimos querendo ser escolhidos para puxar o trenó, e depois que o Fred deu as explicações (os comandos básicos Stop, Stay quando você quer parar e Pull Tight para alinhar os cachorros e correr, além de uma rápida explicação sobre os dois tipos de freios do trenó), os cachorros ficaram enlouquecidos para serem atrelados ao trenó. Fomos em 4 trenós, duas pessoas em cada. Cada um dos nossos trenós tinha 6 cachorros e o do Fred e Jennifer tinha 10 (eles estavam carregando o almoço e outras coisas, e levando cachorros extras para os nossos trenós caso algum dos nossos cães ficasse cansado).
Saímos rapidamente e daí em diante era só o silêncio da floresta branca, os cachorros correndo (eles param de latir quando estão correndo) e o barulho dos trenós na neve. Eu estava sentadinha no trenó, enrolada em uma lona e com proteção no rosto - já que os cachorros jogam um pouco de neve para trás enquanto correm. Depois de 3 horas de trilha, paramos para almoçar. Fred fez fogo e assou nossos pasties (tipo um pastel de batata com legumes) e serviu chocolate quente. Os cachorros descansaram, os cães do trenó do Fred comportadíssimos deitadinhos, os outros na maior algazarra pedindo atenção. Ele explicou que pega os cães mais disciplinados e que correm mais para o seu trenó, já que ele às vezes faz viagens de muitos dias nas trilhas, e dá para ver bem a diferença de comportamento entre os cachorros. Depois do almoço, mais 3 horas de trilha, até a volta para o ponto de partida.
Nossos cachorros fofos eram liderados por Summer e Storm, mãe e filha, ambas de pêlo branco. Logo atrás, vinham Tipper e Uno, malhados, e sozinhos, na terceira e quarta fila, Lover e Moon, pretos. É engraçado ver a personalidade dos cachorros, como por exemplo a timidez de Tipper, que se esconde e treme toda quando alguém vem falar com ela; Moon, preguiçosa, pulando de um lado para o outro da guia e comendo neve pelo caminho (vai ver por isso que ela fazia xixi o tempo todo); Uno e Lover, simpáticos e quietos, Summer com sua pose de rainha e líder absoluta, e Storm, líder tímida, é o seu primeiro ano como líder de um time de cães. Quando chegamos fomos parabenizar cada um dos nossos cachorrinhos, e vimos Summer desenterrar um osso debaixo de um monte de neve, recompensa pela jornada. O passeio foi bem legal, pena que um pouco lento para o meu gosto. Fred poderia ter usado mais cachorros, mas ele ficou preocupado de ficar rápido demais e acabou sendo ao contrário. Fica para a próxima.
Depois do passeio, voltamos para a cabana e ficamos lá montando um quebra-cabeça gigante que começamos no dia anterior até a hora do jantar. Fomos ao único restaurante da região, chamado The Camel Riders, que estava lotado e acabou demorando tanto que saímos de lá perto de meia-noite. Chegamos na cabana 15 minutinhos antes, soltamos fogos na neve lá fora (estava nevando um pouquinho, e esfriou bastante) e fizemos a contagem regressiva dentro de casa mesmo, junto com o pessoal na TV em NY. Feliz 2005!
Saímos de Mackinaw City, cruzamos a ponte e depois dirigimos até Paradise, uma cidadezinha na parte nordeste da Upper Peninsula e ponto de partida para os visitantes do Tahquamenon Falls State Park, uma reserva com o mesmo nome da mais famosa cachoeira da Upper Peninsula.
Fizemos uma boa caminhada por lá, de mais ou menos 4 km, até a parte baixa da cachoeira. Normalmente pode-se dirigir até bem perto da trilha, só que por causa da neve, uma parte da estrada dentro do parque estava fechada, então tivemos que andar mais. A paisagem estava linda, com as árvores cobertas de neve e com a neve fofa até os joelhos ao lado da trilha, a cachoeira semi-congelada. A neve na trilha já estava batida e congelada, então dava para andar sem afundar muito. Muita gente fazendo cross-country ski (o cachorro na foto estava seguindo os donos, que estavam em uma trilha com os esquis), snowshoeing ou caminhando mesmo, fiquei impressionada com o movimento.
Saímos de lá, almoçamos em Paradise e voltamos para ir até a parte alta da cachoeira, mas começou a chover e tivemos que ir até lá rapidinho, para depois dirigir até a Hiawatha Forest, onde alugamos uma cabana. A temperatura estava em -5, sem vento, uma beleza - até começar a chover e congelar tudo. Fomos dirigindo devagarinho, e o que era para ser uma viagem de uma hora, acabou levando duas, mas tudo bem. Chegamos sãos e salvos, atacamos umas pizzas e fomos dormir na cabaninha de madeira.
Saímos por volta de 2 da tarde e fomos até Mackinaw City, que é a última cidade no topo da Lower Peninsula de Michigan, antes da ponte que atravessa o Estreito de Mackinaw e liga a Lower e Upper Peninsulas. Foi nesta cidade que ficamos no verão, quando fomos à Mackinac Island. Desta vez, estava coberta de neve e praticamente deserta, com apenas umas 5 lojas funcionando na antes lotada Main Street. A maior parte dos hotéis estava fechada, parecia uma cidade fantasma. Comemos no Dixie Saloon, que é um tradicional saloon todo de madeira e com piano da época - foi construído em 1890 e um dos únicos lugares abertos. Caímos na cama cedo para continuar viagem no dia seguinte.
Estamos saindo daqui a pouco rumo à Upper Peninsula de Michigan, vamos passar o Ano Novo numa cabana em um dos parques congelados da região. Vamos fazer um passeio em trenós puxados por cachorros e depois pegar o carro para visitar algumas áreas que vimos no verão, só que dessa vez com a paisagem congelada. O telefone celular não pega naquela área, muito menos acesso a internet, então FELIZ ANO NOVO e até a volta, no dia 2.
Segunda-feira o tempo estava um pouco melhor mas não muito, e a previsão era de frio e céu nublado. Resolvemos então ir embora cedo e dirigir pela costa leste de Michigan e ir parando pelo caminho até Alpena, mas acabamos mesmo indo até Oscoda e de lá para o resto da I-75 até Metro Detroit.
A primeira parada foi o Mill Creek, que foi o primeiro moinho serraria contruído em Michigan, para enviar madeira para a construção do Forte Mackinac, que vocês viram nas fotos de domingo em Mackinac Island. O lugar é bonitinho, tem várias trilhas pela floresta e andamos muito para ver a represa construídas pelos castores no rio, mas a vegetação estava muito alta e acredito que a represa estava abandonada, uma pena. Queria ter visto os castores…Assistimos a demonstração de como o moinho movia a serra para cortar a madeira, uma demonstração de como era o corte tradicional (com machado e uma serra grandona segurada por duas pessoas) e um filminho sobre a região.
Continuamos a viagem e paramos para tirar fotos do Lago Huron quando saiu o solzinho, a água é linda, azulzinha. Vimos uma mamãe cervo e o seu filhotinho Bambi atravessando a estrada e consegui tirar umas fotos do bichinho no meio da vegetação, um fofo. Um chipmunk também ficou fazendo pose e foi clicado.
Paramos em Alpena para almoçar, continuamos dirigindo até Oscoda e de lá fomos por dentro, parando nas represas que tem no Au Sable River (que visitamos ano passado em agosto). A essa altura já eram quase 4 da tarde e estava um calorão danado. Fomos até o monumento dos lenhadores novamente mas não tivemos a vontade para encarar a escadaria até o rio lá embaixo. Seguimos viagem e paramos em Birch Run, no Outlet que tem lá e fizemos umas comprinhas básicas aproveitando a liquidação do Outlet, tudo baratinho. Saímos de lá já 9 da noite, e seguimos viagem, chegamos em casa umas 11h30 já acabados.
Essa viagem pode ser feita em muito menos tempo, a gente pegou o caminho mais longo de propósito para explorar e fomos parando, então levamos o dia todo. Veja o mapa de Michigan com o caminho que a gente percorreu durante os três dias (em azul).
Domingo o tempo definitivamente não colaborou - chuva, neblina, vento e um frio de uns 15 graus, mas mesmo assim não desistimos do nosso passeio até Mackinac Island. Essa ilha que parou no tempo (século 19) é um dos mais famosos destinos de verão em Michigan, mesmo com seu pouco tamanho - para dar a volta completa são apenas 9 milhas. Grande parte da área é um parque com florestas lindas, e a pequenina cidade fica no lado sul.
Fizemos o passeio de charrete completo, já alugar uma bicicleta com esse tempo era uma pedida para ficar coberto de lama, através do centro da cidade com suas casinhas históricas, passando pelo Grand Hotel (onde foi filmado “Em Algum Lugar do Passado” / “Somewhere in Time”), a Estufa de Borboletas (a borboleta azul lindona gostou da Soraia e do Gabe), florestas, o Arco de Pedra e o Forte Mackinac; tudo muito bem preservado e interessante, pena que só pudemos imaginar como deve ser linda a vista do forte, já que não dava para ver o Lago Huron (que juntamente com o céu era uma nuvem cinza).
As comemorações do 4 de julho no Forte foram canceladas, mas mesmo assim as demonstrações foram legais - os músicos tocando, os tiros com os rifles antigos (quase deixando todo mundo surdo!), o tiro de canhão, tudo bem feitinho. Andamos bastante, jantamos no pub irlandês em downtown e voltamos para o hotel cedo, só ouvi os fogos do quarto, mas também não dava para ver nada por causa do mau tempo.
Fotos: Ponte Mackinac, que liga a Upper Peninsula a Lower Peninsula de Michigan; eu e Gabe em uma praia no Lago Michigan, no sul da Upper Peninsula; os campos cobertos de flores silvestres estão por toda a parte; montes de fotos do passeio em Pictured Rocks, um lugar fantástico; a gaivota comendo na mão da mocinha do barco e as cachoeiras Munising e Miners. Depois mais detalhes e mais fotos…ainda faltam as fotos do passeio de canoa e de nós quatro juntos, que estão na câmera da Soraia!